TDAH: o que é, sintomas, tipos, causas e tratamentos

Equipe Eurekka

O TDAH está cada vez mais conhecido. O que pode ser ótimo por um lado, por outro pode trazer problemas, uma vez que muito do “senso comum” sobre esse transtorno é, na verdade, falso. Por isso, hoje vamos falar sobre ele e trazer fatos sobre o TDAH que são embasados de forma correta.

TDAH é a sigla para Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, um distúrbio de desenvolvimento que afeta cerca 7% das crianças e entre 2% a 5% dos adultos no mundo. Os seus sinais incluem falta de atenção, inquietação e falta de controle sobre impulsos.

Neste texto, você vai entender melhor o que é TDAH, seus sintomas, tipos, causas e como é feito o diagnóstico. Por fim, vai saber as opções de tratamento. Então siga lendo e, ao final do texto, comente o que mais te chamou a atenção!

O que é TDAH

O TDAH é um transtorno de desenvolvimento . Por isso, para que o diagnóstico seja feito, os sintomas devem aparecer até os 12 anos de idade e por pelo menos seis meses em dois contextos ou cenários diferentes.

Ele é um transtorno neurobiológico, ou seja, ele surge afetando o sistema nervoso da pessoa. Quem sofre com o distúrbio tende a possuir um funcionamento diferente na região do córtex pré-frontal do cérebro, local importante na regulação das emoções e do autocontrole.

Essa área cerebral costuma ser menor em quem tem TDAH, além de exibir níveis menores de ativação em algumas outras regiões do cérebro.

Além disso, neurotransmissores (as substâncias que fazem toda a comunicação no seu sistema nervoso), tais como a noradrenalina e a dopamina, também podem aparecer com menos ativação.

Os sinais de que um possível TDAH está presente são vários. Para te ajudar a ter uma ideia mais clara do que você precisa se atentar caso essa suspeita surja, confira a lista abaixo!

Sintomas de TDAH

Os sintomas do TDAH surgem na infância e na maioria dos casos acompanha a pessoa até a vida adulta, embora possam perder força ao longo do tempo.

Todos os sintomas estão relacionados de alguma forma a um desses três fatores: hiperatividade, déficit de atenção e impulsividade. Aqui vão alguns deles: 

Sintomas ligados à desatenção

  • Distração com o próprio pensamento;
  • Esquecer das tarefas que devem ser feitas;
  • Esquecer do que deveria falar;
  • Baixa concentração;
  • Falta de interesse;
  • Perda de objetos numa frequência maior que o normal;
  • Falta de foco para realizar tarefas;
  • Não conseguir definir suas prioridades de forma assertiva;
  • Tendência à procrastinação;
  • Mau uso do tempo;
  • Falta de organização e perda de prazos;
  • Baixa autoestima.

Sintomas ligados à hiperatividade e à impulsividade

  • Sensação constante de estar agitado e inquieto;
  • Sensação de não conseguir ficar parado;
  • Impulsividade;
  • Tendência ao vício (jogos, álcool, drogas);
  • Temperamento explosivo;
  • Aparente imaturidade.

Causas de TDAH

Existem várias possíveis causas para que o cérebro venha a ter as alterações que resultam no TDAH. A principal delas é a genética. Tudo indica o TDAH é passado dos pais para os filhos.

Porém há ainda outras hipóteses. Confira todas elas:

Hereditariedade

Há um componente genético que pode ajudar a explicar a diferença do funcionamento cerebral de quem tem TDAH. Por exemplo, parentes de pessoas com o transtorno têm uma chance muito maior de também ter o distúrbio do que parentes de pessoas que não têm.

Entretanto, apesar de os genes poderem gerar uma pré-disposição para que o TDAH venha a surgir, outros fatores também podem ter influência.

Problemas familiares

Há estudos que sugerem que problemas familiares poderiam causar TDAH nas crianças. Segundo essa ideia, até mesmo brigas em família ou problemas de dinheiro em casa poderiam afetar os filhos causando o transtorno neles. 

Porém essa teoria nunca foi comprovada. Além disso, pode ser que o TDAH acabe causando as dificuldades de relacionamento e problemas familiares, e não o contrário.

Sofrimento fetal

De acordo com algumas teorias, mães que apresentaram problemas durante o parto que causaram sofrimento fetal teriam mais chances de terem crianças com TDAH. Porém, ainda não é claro por que isso acontece. 

Pode ser que realmente o sofrimento fetal afete o bebê a ponto de fazer com que ele venha a apresentar o distúrbio. Entretanto, uma outra explicação seria a de que talvez essas mulheres também tenham TDAH e, por serem mais desatentas, acabam tendo mais problemas na gravidez e no parto. Assim, o filho herda o TDAH, e os problemas no parto são apenas uma consequência do transtorno.

Exposição a chumbo

Sintomas similares aos do TDAH podem ser encontrados em crianças que sofreram intoxicação por chumbo. Porém, como esse tipo de envenenamento não é nada comum, os médicos não costumam pedir exame de sangue para medir esse metal em meninos e meninas com TDAH.

Substâncias ingeridas na gravidez

Estudos mostram que, durante a gravidez, tanto a ingestão de álcool quanto de nicotina podem causar alterações em algumas partes do cérebro do feto, inclusive no córtex pré-frontal. Além disso, mulheres que sofrem com alcoolismo teriam uma maior probabilidade de terem bebês que futuramente irão apresentar sintomas de desatenção e hiperatividade.

Quais os tipos de TDAH

foco e tdah

Há três tipos de pacientes com TDAH. É muito importante conhecer todos eles para que nenhuma das condições passem despercebidas. 

Isso porque elas levam a severos prejuízos a médio e longo prazos, seja na aprendizagem escolar, na interação social e na capacidade de reagir de forma adequada, afetivamente positiva, frente às situações que envolvam frustração ou confusões sociais.

Entenda os três tipos: 

Predomínio de sintomas de desatenção

Estima-se que entre 30 e 40% das crianças e adolescentes com TDAH não são hiperativas nem impulsivas, mas apenas desatentas em excesso. Ou seja, apresentam um déficit de atenção. 

O TDAH do tipo desatento é um transtorno no qual a criança é quieta, não dá trabalho na sala de aula e muitas vezes é tímida e introspectiva. Além disso, não pergunta, não faz questionamentos e precisa muitas vezes do professor para estimulá-la a raciocinar, a pensar e a participar da aula.

Essa criança é extremamente desatenta, muito distraída, não termina o que começa, é esquecida e acaba tendo baixo rendimento em várias matérias durante todo o ano.

O quadro começa muitas vezes muito antes do diagnóstico. Ninguém identifica justamente porque ela não dá trabalho.  

Predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade

Já o paciente que tem predomínio desses outros sintomas costuma ser muito inquieto, agitado e impulsivo. Sabe aquelas crianças que não param?

Outra característica é que quem tem esse tipo de TDAH não aprende com os próprios erros. Além disso, reincide nos erros mesmo quando alguém chama a atenção e dá para eles toda a oportunidade para que possam se organizar.

Essas crianças ainda têm muita dificuldade de aguardar a vez de esperar, são altamente impulsivas, criam grandes problemas de relacionamento social na escola e em casa. Uma boa porcentagem delas evolui com quadro opositor, desafiador. 

TDAH combinado

Por último, no TDAH do tipo combinado, como o próprio nome diz, o paciente tem tanto a desatenção quanto os sinais de hiperatividade e impulsividade. As crianças com esse tipo costumam ser diagnosticadas mais precocemente. 

Como é feito o diagnóstico

Todas as crianças e adultos são, em algum nível, inquietos, desatentos e impulsivos. Isso não quer dizer que essas pessoas tenham TDAH.

Para identificar casos de TDAH, é importante que seja feita uma avaliação sobre vários aspectos da vida da pessoa.

Há quatro ferramentas principais que são usadas para fazer o diagnóstico de TDAH. 

Consulta clínica psiquiátrica

diagnóstico de tdah

A consulta clínica psiquiátrica é a maneira mais comum para fazer esse diagnóstico. Primeiramente, o médico observa o comportamento da pessoa. O profissional verifica o quanto o paciente presta atenção nele e no ambiente, colhendo dados da sua história de vida, seja social, acadêmica ou profissional.

O próprio psiquiatra também pode fazer alguns exames físicos para ver se existe um quadro neurológico que pode estar contribuindo para ter sintomas.

Além disso, na própria consulta há alguns testes e questionários que podem ser aplicados, dando uma ferramenta mais substancial ao profissional para que ele possa embasar o resultado.

Entrevista com familiares

A segunda ferramenta é uma consulta ou entrevista com familiares, seja mãe, pai ou companheiro(a) do paciente. Essa pessoa irá contar a sua visão sobre a criança ou adulto, dando informações importantes como é o cotidiano, a organização (ou falta de organização) e o cumprimento de prazos.

Outros detalhes também são levados em consideração, como quanto tempo por dia costuma ficar preso ao celular. 

Essa consulta é muito relevante e deve ser feita na presença do paciente, para que não haja segredos. O objetivo é conseguir fazer um mapeamento dos sintomas e poder ver se aquela pessoa que é mais próxima e conhece melhor o paciente consegue enxergar isso no dia a dia ou não.

Teste neuropsicológico

A terceira ferramenta é um exame de avaliação neuropsicológica. Ou seja, é um teste feito por neuropsicólogos, que são psicólogos especialistas que fazem uma ponte com a neurologia.

Questionários, testes e exercícios irá avaliar cada área do cérebro do paciente. Há testes específicos na área da inteligência, como inteligência verbal, matemática, espacial. Também há testes específicos para a memória. 

O neuropsicólogo faz um relatório que mostra em que ponto de cada curva a pessoa se encontra e o quanto consegue pontuar em cada um desses itens.

Em outras palavras, é como se fosse um mapa bem completo de como funciona o cérebro daquela pessoa.

Exames de sangue e Spect

Por fim, o médico pode pedir exames de sangue para ver se a pessoa está com anemia, qual a dosagem de vitamina E, ácido fólico, vitamina B12, vitamina D, entre outros.

Isso porque a alteração em algumas vitaminas também podem ocasionar alterações de atenção e comportamentos impulsivos. O profissional ainda pode querer verificar como está o funcionamento do fígado e dos rins da pessoa, para ver se está tudo funcionando de uma forma adequada.

Ou seja, trata-se de um check up para descartar qualquer problema que possa estar ocasionando os sintomas. 

Além disso, pode ser realizada uma avaliação hormonal, principalmente em relação aos hormônios da tireóide, já que alterações ali também podem causar sintomas de comportamento. 

Há médicos que pedem ainda exames cerebrais, como ressonância magnética, para poder ver se existe alguma lesão, tumor ou alteração na vascularização do cérebro que possa estar causando uma deficiência tensional ou uma alteração de comportamento.

Por fim, existe hoje um exame chamado Spect, que é a tomografia de fóton único, que consegue ver como está o funcionamento cerebral da pessoa através do fluxo sanguíneo. 

Com esse exame, é possível ver se existe uma diminuição no funcionamento em áreas pré-frontais, que, como vimos anteriormente, é muito comum em pacientes TDAH. São áreas relacionadas à motivação, ao controle de impulsos e à parte a tensional. 

Esse exame pode ser solicitado tanto para confirmar o diagnóstico como também para verificar a eficácia do tratamento. Ou seja, a mudança no resultado do exame pode indicar uma boa resposta ou não ao tratamento que está sendo realizado. 

Como conviver melhor com uma pessoa com TDAH?

Como já vimos, a vida não é nada fácil para quem sofre com o TDAH. Eles têm a mente sempre ativa, e tudo é intenso.

Muitas vezes, os portadores de TDAH têm uma dificuldade imensa em controlar a forma como reagem e sentem diante de um fato. Assim, acabam respondendo impulsivamente, o que depois resulta em arrependimento. 

Por isso, se você convive com alguém com TDAH, o melhor a fazer é tentar entender o que essa pessoa sente, principalmente se for uma criança. Tente ter paciência com as dificuldades dela. 

crianças podem ter tdah

Faça um esforço para ser mais tolerante. Mais do que isso, demonstre amor, respeito e empatia. Assim, vocês poderão ter uma relacionamento mais agradável e tranquilo.

Lembre-se de que a cabeça dessa pessoa não para. Por isso, tente ajudá-la a se organizar. Você pode começar organizando o espaço físico, o ambiente em que ela costuma ficar.

É importante também ter em mente que às vezes a criança com TDAH não consegue compreender o que está sendo dito para essa. Ou seja, caso ela não faça o que você está pedindo, não necessariamente é proposital ou com o objetivo de afrontar o adulto. 

Então, respire fundo. 

E veja o lado positivo: quando uma criança com TDAH faz uma atividade de que gosta e sente prazer, ela irá mergulhar de corpo e alma naquilo e dar o seu melhor. Que tal ajudá-la a encontrar hobbies ou apoiar outras atividades que você sabe que ela aprecia?

Tratamentos para TDAH

O tratamento mais recomendado para o TDAH é uma combinação de terapia com psicólogo, mudança no estilo de vida e o uso de medicação. 

O não tratamento do TDAH pode trazer sérios prejuízos para a vida de uma pessoa. Algumas pesquisas indicam que pessoas com TDAH têm mais chance de ter um menor nível de escolaridade, maior envolvimento com acidentes de trânsito, abuso de drogas e divórcio.

Porém, com um tratamento adequado, muitas das crianças chegam à fase adulta com menos dificuldades e melhor adaptadas aos meios em que vivem.

Uso de medicamentos

Um dos recursos mais comuns no tratamento do TDAH são medicações baseadas em um composto químico chamado de metilfenidato e comercialmente conhecido como Ritalina.

A Ritalina tende a deixar a pessoa com maior autocontrole e concentração do que é normal para ela e geralmente não leva a efeitos colaterais ruins. Essa é uma das razões pelas quais há tanta procura por remédios como esse.

Por outro lado, o uso inadequado pode levar a efeitos colaterais, como dores, enjoo, insônia e outros. Por isso, é uma medicação que só deve ser usada com a recomendação e o acompanhamento de um profissional competente.

Psicoterapia

A psicoterapia é necessária para o tratamento do TDAH, pois ajuda a proporcionar algumas mudanças que fazem muita diferença no cotidiano de quem sofre com o transtorno.

Dentro das abordagens da Psicologia, a Terapia Cognitivo-Comportamental, a utilizada pela Eurekka, é a mais indicada para esses casos. Isso porque ela faz diversas intervenções de comportamento e trabalha as relações interpessoais e a autonomia do paciente.

Como já falado anteriormente, o TDAH prejudica habilidades como domínio da atenção, autocontrole e outras competências ligadas à cognição. Além disso, muitas vezes o distúrbio causa problemas como baixa autoestima, sentimentos de raiva e de culpa e isolamento. Por esses motivos, o tratamento psicoterápico irá focar nessas deficiências causadas pelo transtorno na vida da criança ou adulto. 

A Terapia Cognitivo-Comportamental se concentra menos em analisar o passado do paciente e mais em fazer mudanças práticas no seu presente. E, como o próprio nome já sugere, tem um foco grande nos comportamentos, atitudes e ações. 

Assim, essa abordagem atua nos padrões de comportamentos e pensamentos, além de trabalhar a estabilidade emocional do portador de TDAH. O psicólogo ainda ensinará técnicas que irão melhorar a qualidade de vida, a autonomia e o autocontrole. 

Mudança de hábitos

Por fim, toda pessoa com TDAH precisa ter uma lista de tarefas e uma rotina de organização. A organização externa é capaz de compensar sua desatenção interna. 

Ou seja, é preciso ter um método para produzir. Não adianta apenas deixar a mente super concentrada para estudar, é essencial ter um ritual e uma organização de estudos.

Apenas tomar remédio e não investir em organização é a mesma coisa que sair para cortar lenha com um machado velho. A pessoa pode estar super energizada e ter acordado no melhor dia da sua vida, mas cortaria muito melhor se afiasse o machado.

Por isso, se você é uma pessoa que sofre de TDAH, crie um sistema básico de organização, faça uma lista de tarefa, um cronograma e use a agenda.

A Terapia Cognitivo-Comportamental também auxilia na mudança de hábitos e na organização.

Tratamento para TDAH com a Eurekka

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