Anticoagulante: o que é, para que serve e tipos

Isabela Furlan Franchello

Anticoagulante é um remédio usado para impedir a formação de coágulos pelo sangue, pois inibem a ação de substâncias que atuam no processo de coagulação.

Você com certeza já deve ter visto alguém que usa esse remédio, não? Esse processo de coagulação é, de forma fácil, a conversão do sangue líquido em algo sólido capaz de bloquear o fluxo sanguíneo, chamado coágulo.

Mas por que temos no nosso corpo um processo para impedir o fluxo do sangue? É simples: para nos proteger!

Vamos ver nesse texto o que é um anticoagulante, quais os tipos e como se tratar com anticoagulante.

sangue

O que são os anticoagulantes?

Os anticoagulantes são uma classe de remédios que inibe enzimas e substâncias que formam o coágulo. Esse coágulo, quando ocorre nas veias, damos o nome de trombo.

Os anticoagulantes são os remédios que tratam esse tipo de coágulo que se forma no interior das veias: os trombos.

São, portanto, a escolha para tratar uma trombose que já ocorreu ou prevenir que ocorra em pacientes que têm mais predisposição a desenvolver a trombose.

A ação dos anticoagulantes ocorre de várias formas e varia entre os remédios usados. Mas, no geral, eles mantêm o sangue sempre líquido no interior dos vasos. Assim, as proteínas que temos circulando com o sangue não se juntam para formar o trombo.

Os anticoagulantes mais conhecidos são a heparina, a varfarina e a rivaroxabana.

Quem deve usar?

Durante todo o tempo, nossos vasos sanguíneos estão sofrendo algum tipo de lesão. Ao fazer movimentos, como uma corrida e, em especial, quando batemos sem querer nosso corpo. Portanto, se não tivéssemos um mecanismo de proteção, o sangue sairia dos vasos.

Por isso, o coágulo forma um tampão, que impede o sangue de sair de dentro dos vasos e nos protege de uma hemorragia frave. No entanto, há algumas situações em que o corpo tem uma tendência maior à formação desses coágulos.

Além disso, essa anormalidade pode causar uma obstrução vascular com sérias consequências. Por isso, essas pessoas devem usar o remédio anticoagulante.

Um médico deve indicar o uso desse remédio para os pacientes que têm um risco alto de criar um trombo. Em geral, são os pacientes com prótese valvar cardíaca, com arritmias cardíacas, ou com histórico de trombose.

É vital fazer uso desse remédio, pois a obstrução do fluxo sanguíneo pode causar muitas doenças. Entre elas, a trombose venosa profunda, a embolia pulmonar, o acidente vascular cerebral, o infarto do miocárdio, entre outras.

Elas podem causar sequelas graves ao paciente, ou até levá-lo a óbito.

Porém, o paciente que faz uso de anticoagulantes vai ter dificuldade de coagular quando for preciso, já que o remédio impede esse processo de ocorrer.

Por isso, o uso deve ser sempre especificado por um médico e feito da forma certa. Assim, reduz os possíveis riscos do evento oposto: uma hemorragia grave, que também traz uma série de problemas.

Também é bom sempre monitorar em laboratório o paciente em uso desse remédio.

Dessa forma, se garante que o nível de coagulação esteja dentro do valor aceitável. Assim, não causa hemorragias nem tromboses.

anticoagulante injetável

Principais tipos de anticoagulantes:

Podemos dividir os anticoagulantes pela forma de tomar. Vamos ver a seguir as duas vias possíveis!

Anticoagulantes injetáveis

Estão nesse grupo os remédios heparina, fragmentos de heparina (como enoxaparina) e o fondaparinux (tipo sintético de heparina). O intestino não absorve essa classe. Por isso, a sua via de administração precisa ser injetável intravenosa ou subcutânea.

A heparina age na mesma hora, logo após a administração intravenosa. Mas seu início de ação demora até 60 minutos quando chega por via subcutânea.

O principal efeito adverso dessa classe é o sangramento. Por isso, você deve monitorar em laboratório o efeito anticoagulante.

Anticoagulantes orais

Já os anticoagulantes orais são a varfarina (Marevan®), dabigatrana, rivaroxabana (Xarelto®), apixibana (Eliquis®) e correlatos. Esses fármacos têm doses padrão. Além disso, não precisa monitorar em laboratório seus efeitos.

No entanto, a varfarina requer exames hematológicos sempre para o médico ir ajustando a dose. Portanto, é menos conveniente que os demais.

A varfarina passa pela a placenta. Então, não é indicada durante a gestação por ser teratogênica.

Cuidados durante o tratamento

Há muitas substâncias, sejam elas fármacos ou remédios caseiros, que podem potencializar ou reduzir o efeito do anticoagulante. Com isso, pode ter uma hemorragia ou manter uma dose que não é suficiente para tratar ou prevenir a trombose.

Por esse motivo, você deve informar o médico sobre tudo que o paciente usa de anticoagulantes e outros remédios. Em caso de alguma outra doença, também deve avisar que usa anticoagulante para a escolha certa de como tratar essa outra doença.

Dentre os remédios que potencializam os anticoagulantes, temos: alguns antibióticos (ex.: ciprofloxacino), metronidazol, amiodarona, antifúngicos (conhecidos como azóis, ex.: fluconazol, cetoconazol). Além disso, anti- inflamatórios não esteroidais (ex.: ibuprofeno, diclofenaco, meloxican, AAS) também entram na lista.

Há também as doenças que ajudam a aumentar o efeito dos anticoagulantes. Como, por exemplo, doenças hepáticas e condições que aumentam a taxa metabólica como a febre e o hipertireoidismo. Você deve informar o médico para que ele faça o ajuste de dose.

Interação com remédios caseiros

Além disso, há remédios fitoterápicos ou naturais, em chá ou em cápsulas, conhecidos por “afinarem o sangue”. Entre eles, o Ginkgo biloba, alho, gengibre, salsinha, ginseng e guaco, por exemplo. Você não deve usar os remédios junto com os anticoagulantes, pois também podem causar hemorragia.

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Anticoagulante e a COVID-19

Com a pandemia, muito se fala a respeito do uso de anticoagulantes em pacientes com a Covid-19.

Essa classe de remédios é reservada só para os pacientes que, pela evolução do Covid, precisam ser internados.

No geral, a internação ocorre por precisar de cuidados hospitalares enquanto se trata.

Os anticoagulantes são usados como medida profilática para a redução da chance de morte em pacientes com Covid-19. Isso pois, ao evoluir o quadro de infecção pelo coronavírus no paciente em internação, uma das complicações é a tromboembólica.

Por esse motivo, os estudos feitos até agora apontam para uma redução da taxa de mortalidade em 30 dias.

Além disso, há redução no risco de gerar eventos tromboembólicos nos pacientes com Covid que usaram doses profiláticas de anticoagulantes.

Isso sem adicionar riscos de hemorragias. Os resultados mais fortes são naqueles que não entraram na UTI em até 24 horas após entrada no hospital.

É bom lembrar, no entanto, que pacientes em uso de anticoagulantes e que tenham Covid, não devem modificar a sua dose de anticoagulante sem indicação médica.

E, também, para os pacientes que tenham casos leves que não requerem internação, o uso de anticoagulantes não tem benefício comprovado.

Na verdade, é contraindicado usar quando só há infecção pelo coronavírus, sem maiores problemas.

O anticoagulante interfere na menstruação?

Mulheres em uso de anticoagulantes têm um aumento do fluxo menstrual como efeito. Isso é esperado. No entanto, caso não haja interrupção do fluxo menstrual, você deve informar o médico.

Assim, pode ajustar a dose ou até mesmo trocar o remédio. Além disso, se recomenda à paciente a se consultar com um ginecologista. Assim, pode excluir outras causas de sangramento uterino anormal.

exames

Qual o preço de um anticoagulante?

O preço de um anticoagulante pode variar muito. Depende da dose que vai tomar, da quantidade de comprimidos na embalagem e até do tipo de anticoagulante. Além disso, se é um remédio mais novo no mercado ou não, também muda o preço.

Você pode, por exemplo, achar o Marevan® – a Varfarina, anticoagulante oral comum e com mais efeitos colaterais – na faixa de R$40,00.

Já o Xarelto® – a Rivaroxabana, anticoagulante oral mais moderno, com menos efeitos adversos – tem uma faixa de preço bem mais alta, de R$150,00.

Vale lembrar que pacientes que se tratam pelo SUS podem fazer uso dos anticoagulantes disponíveis na rede pública, de graça.

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Isabela Furlan Franchello

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