Autismo leve em adultos: quais os efeitos?

Equipe Eurekka

O autismo leve costuma ser esquecido em adultos, porque, mesmo sendo autistas, eles são capazes de trabalhar bem na sociedade. No entanto, apesar de os efeitos do autismo leve em adultos poderem variar conforme a gravidade da condição, pesquisas mostram que essas pessoas têm mais dificuldade com as interações sociais e podem experimentar sobrecarga sensorial.

Adultos autistas costumar ter problemas para lidar com o mundo das pessoas e com o mundo das coisas. Por exemplo, eles podem não ser capazes de trabalhar bem em um trabalho que exija interação contínua com as pessoas – como trabalhos de vendas, representação comercial, atendimento ao público etc.

Porém, a maioria dos trabalhos exige isso, o que também torna difícil manter um emprego. As dificuldades são diferentes para cada pessoa, mas vamos ver as mais comuns aqui. Boa leitura!

sam de atypical tem autismo leve em adultos

O que é autismo?

A série Atypical chega ao fim e, graças à ela, surgiu uma curiosidade grande que faz as pessoas pesquisarem: o que é autismo?

O autismo é um transtorno do desenvolvimento. Ou seja, ele afeta a forma como uma pessoa se comunica e se relaciona com outras pessoas. Além disso, o autismo muda a forma como elas vivenciam o mundo ao seu redor.

O autismo pode também ser chamado de Transtorno do Espectro do Autismo ou, ainda, de TEA. Esse transtorno pode causar:

  • Prejuízos na interação social;
  • Prejuízos ao se comunicar de forma verbal e não verbal;
  • Modos de agir ou interesses repetitivos.

Portanto, o autismo traz dificuldades em três áreas principais: interações sociais, comunicação verbal e não verbal e comportamentos repetitivos.

Os adultos têm autismo leve?

Os sinais e sintomas do autismo em adultos são parecidos aos das crianças. Contudo, costumam ser menos intensos. Por isso, é comum as pessoas se questionarem se, realmente, tem como um adulto ser autista.

Como falamos antes, o autismo é uma deficiência de desenvolvimento que pode causar desafios sociais, de comunicação e comportamentais significativos.

No geral, os sinais de autismo surgem em crianças antes dos três anos de idade. Contudo, é possível que os sintomas persistam ou até mesmo se desenvolvam na idade adulta.

No caso da série Atypical, Sam, o personagem principal, descobriu seu autismo ainda na infância, mas os sintomas continuam na sua fase adulta, que é a fase que vemos ele atingir ao longo da série. Inclusive, Sam tem a síndrome de Asperger, outro tipo de autismo.

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Quais os sintomas de autismo leve em adultos?

Saber os sinais de autismo leve em adultos é vital para que a gente não ignore a existência desse tipo de autismo. Entender é o primeiro passo para respeitar e dar espaço para pessoas dentro do espectro se desenvolvam da melhor forma.

Vamos ver, a seguir, quais os sintomas do autismo leve, em especial, nos adultos.

Interação

A interação das pessoas com autismo se dá de forma mais literal. Ou seja, é mais fácil para eles conversas sem gestos simbólicos (como piscadinhas ou caretas), sem piadas de duplo sentido e sem precisarem perceber sinais muito sutis.

Por exemplo, se você é amigo de um autista, não apareça triste para alguém com autismo esperando que essa pessoa se compadeça e te pergunte o que aconteceu. Ao invés disso, diga “estou triste, posso te contar o que houve?” Pode ocorrer também de você ouvir um “não”, pois a falta de empatia é comum no autismo.

Isso faz com que a pessoa não entenda direito a sua necessidade de conversar, mesmo que ela goste muito de você.

ser amigo de autista

Socialização

As questões que citamos na interação atrapalham, por consequência, a socialização dessa pessoa. Além desses sinais, a pessoa dentro do espectro autista pode não gostar de toque. Abraços, beijos, carinho, toques repetitivos… Sabe aquela pessoa que só sabe falar encostando? Ela nunca vai ser amiga de uma pessoa com autismo se não se segurar.

E, mais uma vez, isso não quer dizer que a pessoa com autismo odeia tudo e todos. Ela pode ser amiga de alguém e, mesmo assim, não gostar que esse amigo fique tocando nela. Mesmo pessoas da família não costumam ficar tocando a pessoa com autismo. O ideal é pedir permissão antes de abraçar ou encostar, para que a pessoa possa se preparar para o que está por vir.

Funcionamento

As pessoas com autismo leve podem ter mais interesse em coisas materiais, como desenho ou ferramentas, do que em coisas abstratas, como Filosofia. Por isso, e por não serem tão bons em linguagem formal, é que é tão incomum vermos autistas fazendo curso superior.

E não é porque eles são burros: os autistas costumam ser muito inteligentes e habilidosos em matérias que, muitas vezes, não têm curso superior ou não precisam de curso superior para serem bem aprendidas e bem feitas mundo afora. Inclusive, pessoas com autismo costumam ter um desempenho acima da média em pelo menos uma atividade.

Sensibilidade

Pessoas dentro do Espectro do Autismo têm sensibilidade à luz, à sons, ao toque e à texturas, cheiros e gostos que não são comuns para ela. Isso pode surgir em maior ou menor grau: a pessoa pode ser muito sensível à luzes piscantes, mas ficar de boa com sons altos; ou, então, ela pode odiar todos os sons e luzes fortes.

Além disso, pode ser também uma questão de treino. O Sam de Atypical, por exemplo, começa a série sendo muito sensível para todos os itens que citei antes. No meio da série, contudo, já está mais acostumado, pois se expõe mais a esse tipo de situação.

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Como saber se eu tenho autismo leve?

Quem faz o diagnóstico oficial são o neurologista e o psiquiatra. Contudo, você pode fazer uma auto avaliação pensando em sinais que você nota em si mesmo.

Conhecer quais os sintomas de autismo em adultos é vital para você poder, enfim, tratar o transtorno como deveria ter feito desde sempre. Uma “causa” comum do autismo em adultos é que a pessoa já era autista desde criança mas, na época, não havia tanta informação como hoje. Por isso, nunca teve diagnóstico e nunca tratou o transtorno. Por isso, se atente agora aos sinais!

Pense em todos os sintomas que você leu aí em cima e veja se você passa por situações assim. O autismo leve costuma ter sinais bem sutis, por isso o nome. Portanto, perceba se você fica meio incomodado pela sua sensibilidade, ou se acha difícil ser empático. Ao pensar nos sinais leves, fica mais fácil identificar.

Como diagnosticar os graus de autismo leve em adultos?

Se você percebeu que tem, sim, alguns dos sintomas que falei lá em cima, é a hora da verdade! Você precisa marcar um médico psiquiatra e um neurologista para tirar a prova oficial. Assim, eles vão fazer exames, vão fazer perguntas para você e vão, juntos, chegar em uma conclusão.

Como o autismo em adultos pode ser leve, você pode marcar uma consulta mesmo que não tenha certeza se é ou não autista. Afinal, quem tem que saber é o médico! Leve a sua suspeita e resolva isso de uma só vez. Aliás, a Eurekka Med tem vários psiquiatras disponíveis que podem te ajudar a confirmar sua suspeita. Para marcar uma consulta com a gente, clique aqui.

Você sabia que há níveis de autismo? Pois é, quanto mais graves os sinais, maior é o nível que damos. Vamos ver a seguir como são os 3 níveis de autismo.

Sintomas de autismo de nível 3

Este é o maior grau de autismo. Portanto, não é o nível que atribuímos ao autismo leve em adultos. Pessoas com nível 3 no TEA têm baixo funcionamento e precisam de ajuda para a maior parte das coisas do dia. Como, por exemplo, comer, se vestir e se limpar.

Além disso, a maior parte das pessoas no nível 3 de autismo não falam, têm as funções neurológicas comprometidas e são muito dependentes de familiares ou ajudantes.

Sintomas de autismo de nível 2

Pessoas com nível 2 no Transtorno do Espectro do Autismo estão no nível intermediário. Isso quer dizer que eles já têm mais autonomia do que quem está no nível 3, mas ainda trazem modos de agir estranhos ou repetitivos, além de não fazerem muito contato visual.

Além disso, autistas de nível 2 têm baixo funcionamento intelectual, o que faz com que as conversas sejam mais simples, usando várias palavras repetidas, e podem ter também problemas sociais.

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Sintomas de autismo de nível 1

O autismo de nível 1 é o grau mais leve do autismo. É aqui que o adulto com autismo leve costuma entrar. Pessoas do nível 1 são chamadas de pessoas autistas com alto funcionamento. Vamos falar mais desse tipo mais pra frente!

Neste caso, o autista consegue falar bem, mas tem uma comunicação difícil; não fazem contato visual, olhando, no geral, para a mão de quem está na conversa; e não aceitam que imponham regras ou que mudem a rotina deles. Por outro lado, costumam ter uma inteligência normal ou acima do normal, usam linguagem formal e demonstram interesse específico em uma única matéria, como barcos ou gatos.

As pessoas com TEA que estão no nível 1 conseguem viver e trabalhar de forma independente, sem precisar da ajuda de outras pessoas, como era nos níveis anteriores. Contudo, ainda sentem dificuldade em fazer amigos e manter relações.

5 desafios que os autistas com início na idade adulta enfrentam todos os dias

Os autistas têm muitas dificuldades em certas áreas de suas vidas. Além disso, uma das áreas mais difíceis são as interações sociais. Abaixo, você verá cinco desafios que os autistas costumam enfrentar no dia a dia:

1. Falta de empatia

Os autistas têm dificuldade em entender como outra pessoa pode se sentir. Então, isso pode tornar muito difícil estabelecer uma conexão com outras pessoas, como fazer amigos, ter um relacionamento amoroso ou, até mesmo, manter boas relações no trabalho.

2. Ansiedade social

A chance do autista sentir ansiedade social é muito maior do que a população em geral. Por isso, a conexão com outras pessoas pode se tornar quase impossível. Afinal, como você já viu, eles ficam incomodados com música alta, luzes piscantes, barulho. Então, não gostam de ir à festas ou shows e podem até desistir de um passeio ao cinema.

3. Baixa autoestima

Os autistas têm menos chance de desenvolver um senso de autoestima ou de valor. Então, podem ter dificuldade para entender por que as pessoas gostariam deles. Afinal, eles nem mesmo gostam de si mesmos. Ou, até mesmo, podem acabar afastando as pessoas.

4. Dificuldades nas conversas

As conversas costumam ser confusas para os autistas. Por isso, eles podem não ser capazes de manter uma conversa que, para nós, que não temos autismo, seria um papo simples. Além disso, eles também não entendem muito bem metáforas ou figuras de linguagem.

autismo leve em adultos

Autismo leve vs. Autismo de alto funcionamento (HFA)

O autismo leve é um tipo de autismo que as pessoas podem ter e, ainda assim, ter uma boa qualidade de vida. Pessoas com autismo leve podem viver, trabalhar e se socializar assim como aqueles que não têm. Já aqueles com HFA são considerados de alto funcionamento. Vamos ver, a seguir, a diferença entre os dois.

Autismo leve

Os sintomas incluem sensibilidade a sons ou toque e dificuldade para se comunicar de forma verbal. Além disso, fica chateado quando as rotinas mudam.

O autismo leve costuma ser esquecido porque os sintomas não são tão perceptíveis quanto os do HFA. Mas isso é um erro; o autismo leve deve ser lembrado e validado, para evitar desconfortos à pessoa.

Autismo de alto funcionamento

Pessoas com HFA podem ter problemas para entender certas emoções ou detectar mudanças em seu ambiente. Eles também podem achar difícil fazer amigos e manter relações devido à incapacidade de compreender os sentimentos dos outros. Além disso, não pegam pistas de comunicação não-verbais, como a linguagem corporal.

Efeitos potenciais do autismo nos relacionamentos, no emprego e na educação

O autismo afeta a forma como essas pessoas interagem com outras. Em alguns casos, pode afetar a capacidade de manter relações, encontrar e manter um emprego e participar de oportunidades de educação.

Embora as pessoas com autismo tenham suas próprias necessidades e desafios, muitas vezes são capazes de realizar grandes feitos nas áreas intelectual e profissional. Afinal, eles são muito bons na solução de problemas. Eles também têm a capacidade de ver as coisas de diferentes perspectivas – o que pode trazer mais criatividade para o ambiente de trabalho ou escola.

Há muitos recursos disponíveis para pessoas com esse espectro e suas famílias. Eles podem ser encontrados em agências como a Autism Society of America. Adultos autistas também podem achar apoio em grupos como a Autistic Self-Advocacy Network, que existe para promover os direitos civis para as pessoas do espectro.

exercício, amizade e saúde mental

O que devo fazer se suspeitar que meu ente querido tem autismo leve?

O autismo é um distúrbio do desenvolvimento que afeta o cérebro. O autismo leve em adultos pode causar desafios significativos na comunicação e nas interações sociais. Não há cura para o autismo, mas há formas de tratar que podem ajudar a reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Se você tem motivos para suspeitar que algum ente querido pode ser autista, aqui estão algumas coisas que você deve fazer:

1. Converse com um médico para ver se uma avaliação ou diagnóstico pode ajudar.

2. Peça referências para especialistas que diagnosticam e tratam o autismo.

3. Leia o máximo possível sobre o autismo e dê as informações ao médico para que ele possa avaliá-lo e diagnosticá-lo, além de recomendar tratamentos.

Além disso, é vital que fale direto com a pessoa da suspeita, pois ela já é adulta e pode decidir quais os melhores caminhos para ela.

A Eurekka tem pediatras e outros médicos que podem ajudar, e muito, neste diagnóstico. Se você percebeu os sintomas em si mesmo, não se preocupe: clique aqui e marque sua consulta com um de nossos especialistas.

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Equipe Eurekka

2 replies on “Autismo leve em adultos: quais os efeitos?”

A psicóloga do meu filho, observando as minhas atitudes, suspeita que eu possa ser portador de autismo leve, e se comprometeu em me atender algumas sessões para confirmar ou não a suspeita dela, fazendo, inclusive testes sobre o assunto!
Estou também em acompanhamento psicológico com outro profissional que me diagnosticou com TDAH e ansiedade generalizada, que são sintomas que podem se confundir com o autismo leve, segundo podcast que eu ouvi sobre o assunto do autismo em adultos.

Gratidão pelo respeito. Gostaria de saber mais sobre o assunto. Meu genro foi diagnosticado com TEA grau 1, porém está com dificuldade para encontrar informações do TEA em adultos.

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