A punição para a Psicologia Comportamental e principais teorias

Equipe Eurekka

A punição é um assunto bem polêmico na Psicologia. Há diversos estudos e controvérsias sobre a definição desse conceito, seus possíveis efeitos e aplicações.

Por isso, no texto de hoje, vamos falar sobre o que seria a punição dentro da Psicologia Comportamental e apresentar duas das principais teorias sobre esse tema: as formulações de Skinner e Azrin e Holz.

Boa leitura!

O que é punição para a Psicologia Comportamental 

De uma forma geral, o conceito de punição para a Psicologia Comportamental é o ato de diminuir certo tipo de comportamento a partir de uma consequência negativa, podendo chegar até mesmo na sua extinção.

Consequência, punição e reforço

A consequência é o que acontece depois do comportamento, sendo que, dependendo do comportamento, ela pode reforçar ou punir o ato. Reforçar significa que a chance do comportamento se repetir aumenta, enquanto punir faz com que ele apareça menos.

Reforço e punição ainda podem ser positivos ou negativos, sendo que esses termos, nessa teoria, não significam uma dicotomia entre bom e ruim, mas adição e subtração.

Por exemplo, se você faz um trabalho ruim porque ficou vendo séries e não se dedicou, seu professor vai tirar pontos de você por isso. 

Aqui o comportamento punido foi o de ver séries quando deveria fazer a atividade e a punição foi negativa, pois ele retirou os pontos. Assim, a chance de você procrastinar no próximo vai diminuir por conta da nota baixa recebida

Mas se a punição fosse positiva, ele poderia adicionar um trabalho extra para você, assim ao invés de um, você teria que fazer dois trabalhos. Ou seja, foi adicionado algo considerado ruim.

Para entender mais, leia esse texto completo sobre Behaviorismo.

skinner e a punição
Fonte: InLivros

Formulações de Skinner sobre a punição

Para Skinner, a punição se dá pela perda de reforçadores ou a adição de estímulo aversivo. Lembrando que tanto os reforçadores, quanto os estímulos aversivos podem ser positivos ou negativos. 

Skinner é bem cauteloso quando fala sobre o efeito da punição. Ele entende que a punição ocorre enquanto processo, mas não define que é ela que diminui a frequência do comportamento de forma direta. Para ele, o que acontece é o surgimento de novas ações que alguém toma na mesma situação.

Quando você precisa ter uma conversa difícil, se sente ansioso e “foge”, a conversa foi substituída pela fuga, e você só pode fazer um ou outro. Ele entende que o que acontece é essa substituição.

Para Skinner, a punição não é simplesmente o inverso do efeito de reforço, isso porque, em seus estudos, ele constata que uma pessoa que sofreu uma punição continua inclinada a agir da mesma maneira de antes, porém fará de tudo para evitar a punição fazendo outra coisa.

Uma das questões da punição é que ela costuma funcionar só quando o “agente punidor” está presente.

Um exemplo é o limite de velocidade. As pessoas, no geral, dirigem acima do limite e só diminuem quando passam por um radar ou carro de polícia. Isso acontece, porque se eles forem pegos por um dos dois, serão punidos. Porém, assim que saem do alcance do radar ou da polícia, aceleram de novo.

Assim, um ponto muito importante é que, na visão de Skinner, essa simetria entre reforço e punição está muito mais voltada para o procedimento técnico do que para o efeito sobre o comportamento.

Além disso, ele também irá observar que os efeitos da punição são apenas temporários, pois se ela deixar de acontecer, o comportamento voltará a ser o mesmo de antes de ser punido. 

Azrin e Holz

Diferente de Skinner, Azrin e Holz, além de pensarem na descrição de um procedimento, acreditavam que a punição também poderia ser vista como um processo comportamental com efeito direto.

Assim, a partir dessa ideia da punição como algo funcional, Azrin e Holz defendem que os procedimentos de reforço aumentam a probabilidade de respostas, enquanto os de punição reduzem. 

Para esses pesquisadores, a punição se dá a partir do que eles chamam de estímulo punitivo. Ou seja,  Azrin e Holz defendem que a redução comportamental acontece de modo direto através de efeitos supressores. 

Por exemplo, quando o filho deixa a roupa jogada no chão do quarto de forma contínua. Para diminuir isso, a mão tiraria o videogame toda vez que ele deixasse a bagunça. Assim, ao entender a consequência daquela ação, haveria uma redução comportamental de tal ato.

Supressão direta X Supressão por respostas competitivas

Azrin e Holz acreditavam na supressão direta, que seria fruto do aprendizado direto da relação entre comportamento e consequência, diminuindo, assim, a ocorrência do comportamento indesejado a partir do estímulo punitivo.

Já a supressão por respostas competitivas, defendidas por Skinner, é a ideia de que a punição produziria respostas que competiriam com o comportamento indesejado. Ou seja, há uma competição para que haja a redução comportamental, não acontecendo de forma direta. 

Possíveis efeitos da punição no comportamento

Ainda há muita discussão a respeito dos efeitos da punição, sendo que muitas pessoas têm buscado alternativas para esse controle comportamental, como educadores, por exemplo.

Alguns estudiosos condenam o uso da punição, pois acreditam que o uso de estímulos aversivos podem acabar gerando problemas sociais na pessoa punida, contra-ataque à pessoa que pune, modo de agir violento e distúrbios emocionais.

E, além desses efeitos negativos, ainda há a questão de que a punição pode não ser útil, uma vez que ela voltaria a acontecer quando o agente punidor não estivesse presente. Por isso, muitos estudiosos têm recomendado o uso de reforços positivos ao invés de estímulos negativos, já que a punição não ensinaria de fato. 

Mas, por outro lado, também há aqueles que ainda acreditam na punição como forma de intervenção comportamental. Uma vez que o alvo da punição seria a ação em si e não o indivíduo, por isso não causaria danos à pessoa. 

Adeptos dessa visão acreditam que a punição que não envolve danos físicos e não ferem a integridade do indivíduo pode ser muito válida. Ainda mais para pessoas que apresentam modos de agir ruins para si mesmas.

Por isso, ainda não existe uma resposta concreta sobre os possíveis efeitos da punição do indivíduo, uma vez que eles podem variar de acordo com cada caso e forma de aplicação.

Porém, o que se há de consenso é que de forma alguma a punição deve ser usada de forma a ferir, humilhar e causar danos físicos e emocionais à pessoa punida.

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