Síndrome de Tourette: o que é, sintomas e tem cura?

Equipe Eurekka

Você já viu alguém com tiques incontroláveis? Piscar os olhos, bater as mãos ou até gritar. Eles vão muito além do nervosismo e podem ser um sinal de Síndrome de Tourette. No entanto, os tiques também se associam a outros distúrbios, como Transtorno obsessivo compulsivo TOC, TDAH e transtornos de aprendizagem como déficit de atenção e hiperatividade.

Neste texto, vamos explicar o que é a Síndrome de Tourette, quais os seus sintomas e causas. Além disso, falaremos sobre como é feito o tratamento, se a síndrome tem cura e como lidar com alguém diagnosticado com Tourette. Vamos lá?

O que é Síndrome de Tourette?

síndrome de tourette gritando

A Síndrome de Tourette é um distúrbio neuropsiquiátrico no qual a pessoa tem tiques repetitivos.

Pode-se definir um tique como um movimento rápido, súbito, sem algum propósito e anormal, que provoca espasmo e é irresistível. Ou seja, na hora que a vontade chega, você não consegue se controlar!

Assim, o tique é um movimento ou vocalização incontrolável, por isso, as pessoas que têm essa síndrome têm tiques motores ou vocais.

Muitas vezes, é comum achar que estes tiques têm como origem algum tipo de nervosismo. Porém, é bom ressaltar que a Síndrome de Tourette não tem como origem o nervosismo. Mas, então, qual a origem da Síndrome de Tourette?

História e origem

A Síndrome de Tourette foi descrita no ano de 1825 pela primeira vez. Jean Marc Gaspard Itard foi o médico francês que fez esse diagnóstico na Marquesa de Dampierre. No caso dela, o distúrbio era vocal e ela tinha compulsão em falar palavras obscenas, em especial em público.

Apesar de Jean ter feito o primeiro diagnóstico, a síndrome carrega o nome de Gilles de la Tourette, um aluno do Hospital de la Salpêtrière, na França. Em 1884, ele descreveu a síndrome como sendo um distúrbio de vários tiques.

Gilles usou os relatos do médico Jean para caracterizar estes tiques. Segundo ele, os tiques relacionados à vocalização podem ser coprolalia, ou seja, uso inapropriado ou involuntário de palavras obscenas. Ou, ainda, ecolalia – repetição de uma frase, palavra ou som que outra pessoa disse.

Famosos que têm Síndrome de Tourette

Várias pessoas famosas tem o diagnóstico da Síndrome de Tourette. Entre elas, estão Pedro, o Grande (1672); Samuel Johnson (1709); Mozart (1756); Napoleão Bonaparte (1769) e Hans Christian Andersen (1805). Todos esses casos foram antes que a medicina considerasse a síndrome uma doença.

Nos dias atuais, famosos continuam sendo diagnosticados com o distúrbio. Entre eles, podemos citar jogadores de futebol, artistas, entre outros. Dan Aykroyd, ator e comediante, é um exemplo. Outros exemplos são Tim Howard, jogador do Manchester United Football Club, Mahmoud Abdul-Rauf, ex-jogador da NBA, André Bragantini Jr., piloto de Stock Car.

Também podemos citar David Beckham, ex-jogador de futebol, James Durin, cantor americano, Billie Eilish, cantora, bem como Brad Cohen, um professor, escritor, diretor escolar e orador motivacional.

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Sinais e Sintomas da Síndrome de Tourette

Os sintomas dessa síndrome formam o quadro clínico do paciente. Eles se dividem em três grupos: tiques motores, tiques vocais e tique sensitivo.

Os tiques são muito persistentes durante o período do sono. Podem ser aumentados durante situações de tensão emocional e de ansiedade também. Assim como podem ser minimizados em situações de relaxamento, repouso e que exigem algum tipo de concentração.

É possível, ainda, se forçar a reprimir esses tiques através da força de vontade. Isso pode funcionar por segundos ou, até mesmo, por horas. Porém, como consequência, tem-se em seguida o aumento da intensidade de alguma doença ou distúrbio.

Os tiques ocorrem várias vezes ao longo do dia e sua frequência pode variar ao longo do ano. Ainda, há uma variação muito grande, tanto com relação à sua frequência, quanto em relação ao seu número, tipo, localização e intensidade. Por isso, às vezes, eles podem desaparecer por semanas ou meses.

Os sintomas costumam ter início na infância ou na juventude, mas tendem diminuir ao longo da vida adulta. Assim, durante a adolescência, em cerca de 1/3 dos casos, os sintomas desaparecem. No outro 1/3, eles diminuem muito, e no restante, permanecem da mesma maneira pelo resto da vida.

Ainda, estudos mostram que a prevalência do distúrbio é maior durante a infância e adolescência e acomete de três a quatro vezes mais o sexo masculino.

Tiques motores

Estão relacionados a qualquer tipo de movimento que se caracterize como um tique, dividem-se em simples e complexos. Os simples envolvem contrações de grupos musculares que se relacionam de acordo com a função que têm. Por exemplo: piscar os olhos e fazer movimentos de torção com o nariz e a boca.

Caretas faciais, repuxar a cabeça, estalar a mandíbula e piscar os olhos são alguns outros exemplos de tiques motores simples. Esse tipo de tique é rápido, repetitivo, com movimentos bruscos, sem um propósito e involuntário.

Já os complexos são mais lentos do que os simples e envolvem contrações de grupos musculares que não estão relacionados. Eles são percebidos como voluntários e chegam a parecer propositais. Podem ser:

  • Ecocinese: imitação de gestos comuns realizados por outras pessoas;
  • Ecopraxia: imitação de gestos obscenos feitos por outras pessoas;
  • Copropraxia: realização de gestos obscenos.

Os tiques motores complexos mais comuns são: bater palmas, pular, bater o pé, rodopiar, retorcer-se, bater, beliscar, beijar, entre outros. No geral, os tiques simples evoluem para os complexos, mas eles variam de acordo com cada paciente.

Homem careta cabisbaixo

Tiques vocais

É possível dividir os tiques vocais em simples e complexos também. Os simples são a emissão de sons. Alguns exemplos são: pigarrear, fungar, emitir grunhidos, gritar, cuspir, assobiar, zumbir, gemer e estalar a língua.

Já os tiques vocais complexos ocorrem quando há coprolalia, palilalia e ecolalia:

  • Coprolalia: uso inapropriado ou involuntário de palavras obscenas e inadequadas.;
  • Palilalia: repetição de palavras ou frases;
  • Ecolalia: repetição involuntária de frases de outras pessoas.

Além disso, ainda ocorre o uso repetitivo de palavras aleatórias.

Tique sensitivo

Algumas pessoas podem ter o tique sensitivo, que é o menos comum de todos – e sendo assim, não é obrigatório estar presente para que o diagnóstico da Síndrome de Tourette seja feito. Ele consiste na sensação somática nas articulações, ossos e músculos.

Entre essas sensações estão frio, calor, leveza, peso ou vazio. Devido a elas, a pessoa acaba sentindo a necessidade de realizar algum movimento voluntário para que possa obter alívio.

Causas de Síndrome de Tourette

Não se sabe ainda as causas específicas da Síndrome de Tourette, porém há várias hipóteses. Sabe-se que é um distúrbio genético, mais comum em pessoas da mesma família.

Além da genética, alguns outros fatores se relacionam à síndrome. Agentes infecciosos podem estar relacionados com a doença, uma vez que os tiques podem aparecer durante episódios de infecção. Contudo, estudos ainda estão sendo feitos para comprovar a relação entre os quadros.

Alguns outros fatores que podem estar relacionados com o distúrbio são: traumatismo crânio-encefálico, intoxicação por monóxido de carbono, abuso de cocaína, retirada de opiáceos ou tratamento com remédios neurolépticos. O tratamento a longo prazo com neurolépticos aumenta o risco de ter tiques, os quais são chamados de “touretismo” ou tiques secundários.

Além disso, eventos pré ou pós-parto também podem estar relacionados com o desenvolvimento da síndrome.

Diagnóstico de Síndrome de Tourette

Todo o diagnóstico da síndrome é feito de maneira clínica, ou seja, através da avaliação dos sintomas do paciente. Isso ocorre pois ainda não há um exame ou teste de laboratório que confirme a presença da síndrome.

Para que se possa realizar o diagnóstico deve-se, então, seguir alguns critérios com relação aos sintomas. No início, deve-se notar se vários tiques motores e um ou mais tiques vocais estão presentes durante algum tempo, não precisa ser ao mesmo tempo.

Os tiques devem ocorrer várias vezes durante o dia, quase todos os dias ou de forma intermitente por, pelo menos, três meses seguidos. A síndrome não deve surgir como uma consequência de condições secundárias, como pelo uso de alguma substância estimulante ou devido a alguma condição médica. E, por último, deve ter início antes dos 18 anos de idade.

O diagnóstico da Síndrome de Tourette é feito no período da infância ou juventude, mas, 10% das crianças, tendem a apresentar tiques em algum momento de suas vidas. Portanto, apesar de exames não serem eficazes para o diagnóstico desse distúrbio, são muito eficientes para a exclusão de outros que têm sintomas semelhantes.

Muitas outras doenças têm sintomas parecidos ao da Síndrome de Tourette. Portanto, é vital se atentar aos traços do quadro e também à evolução de cada uma das doenças. Assim como saber que alguma delas podem ocorrer junto com Tourette

tratamentos para a síndrome de tourette

Tratamentos

A Síndrome de Tourette afeta muito a vida do paciente, e, por isso, deve-se tratar o mais rápido possível. Não tem uma cura, mas tem tratamento com duas abordagens: a psicológica e a farmacológica.

Psicoterapia

É através da psicoterapia que é feito o tratamento psicológico. Ele é muito vital, uma vez que ajuda tanto o paciente quanto as pessoas que convivem com ele.

A psicoterapia orienta as pessoas próximas sobre a doença, bem como sobre a melhor maneira de lidar com o paciente.

Medicamentos antipsicóticos

Os medicamentos servem para controlar e também aliviar os sintomas da síndrome. Porém, o tratamento com remédios só deve ser feito quando ele trouxer mesmo benefícios que se sejam maiores que os efeitos colaterais causados pelo remédio.

Contudo, muitos pacientes não precisam de um tratamento específico – basta explicar a natureza da situação e o bom prognóstico para familiares, professores e pessoas próximas.

Quando o tratamento com medicamentos é, de fato, feito, usam-se remédios antipsicóticos, que agem bloqueando, no sistema nervoso central, receptores de dopamina e serotonina. Isso é vital, pois vários estudos mostram que o ponto principal para a eficácia do tratamento da síndrome é o bloqueio dos receptores de dopamina tipo 2.

Haloperidol e pimozida são remédios usados no tratamento. Porém, hoje em dia, são substituídos por risperidona, olanzapina e quetiapina, bem como por clonidina e guanfacina, uma vez que apresentam menos efeitos colaterais.

Deve-se ter muito cuidado com a dose do remédio a ser tomado, pois é específica para cada paciente e determinada pelo médico, a fim de ter menos efeitos colaterais.

Além disso, discute-se também outras opções de tratamento para a síndrome. Estudos mostram que a injeção de toxina botulínica (a mesma toxina usada para o botox), pode ser uma alternativa boa para tratar os tiques motores e, em certos casos, os vocais também. Experimentos recentes falam sobre o uso da terapia antiinflamatória e imunomoduladora, assim como a estimulação cerebral profunda e estimulação magnética transcraniana repetitiva.

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Práticas para aliviar o estresse e a ansiedade

Como citado antes, situações de tensão emocional e de ansiedade fazem com que os sintomas de síndrome aumentem. Portanto, se envolver em situações mais tranquilas, bem como aliviar a ansiedade e o estresse é algo muito positivo.

Assim, são necessárias algumas mudanças no dia a dia como: fazer esporte e prática de atividades físicas. Outras práticas recomendadas para o alívio do estresse são a meditação e a yoga.

Como ajudar alguém com Síndrome de Tourette?

É essencial que os pais, familiares, amigos, professores e pessoas próximas estejam cientes da condição da pessoa. Mais do que isso, que entendam e conheçam a síndrome, para que possam lidar bem e ter uma boa convivência com o paciente.

Além disso, é essencial fornecer para o outro um ambiente acolhedor, de apoio e compreensão. A Síndrome de Tourette se agrava pelo estresse do “mundo exterior”. Isso pode fazer com que o paciente tenha sentimentos de vergonha e de isolamento social. Ter o apoio familiar e de pessoas próximas deixa tudo mais fácil.

O que fazer na suspeita da Síndrome de Tourette?

Ao perceber tiques incomuns e que ocorrem com uma frequência maior do que deveriam, é vital levar a pessoa para se consultar com um médico. Em especial se isso ocorrer nas primeiras fases da vida.

A avaliação do quadro clínico é essencial para confirmar ou não o distúrbio. Além disso, fazer alguns exames é útil para descartar outros distúrbios que têm sintomas parecidos. 

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