O que é traumatismo craniano? Sintomas e sequelas

Eduarda Maria Baldi

Você sabia que o traumatismo craniano é uma das causas mais frequentes de morte ou deficiência, em especial, entre jovens e crianças?

Por isso, a Eurekka resolveu trazer este texto. Assim, você pode saber mais sobre o traumatismo craniano, como ocorre, níveis de gravidade e tratamento. Boa leitura!

traumatismo craniano pode ser causado por esportes

O que é traumatismo craniano?

As causas prováveis desse tipo de ferimento inclui batidas, pancadas na cabeça, acidentes de carro, quedas… Até mesmo acidentes que ocorrem na prática de esportes.

A nossa cabeça tem ossos rígidos e duros para nos proteger de lesões. Além disso, temos as meninges, que são camadas que se encontram abaixo dos ossos.

Temos também um líquido – chamado de líquido cefalorraquidiano – que envolve o cérebro e ajuda a amortecer as pancadas.

Por esse motivo, a maioria das batidas não causam consequências graves. Porém, algumas vezes a batida pode ser tão intensa que os danos que vêm dessa batida podem ser permanente, ou pior: levar à morte.

Tipos de traumatismo craniano

Os traumatismos cranianos podem ocorrer de várias formas e, por isso, podem ser de diferentes tipos – alguns mais graves, outros menos. Tudo depende da gravidade da pancada, do grau de lesão no cérebro e da gravidade dos sintomas. 

Além disso, essas lesões podem ser focais ou difusas. No primeiro caso, atingem uma área específica do cérebro. No segundo caso, acomete grande parte do cérebro. A seguir serão exemplificados os diferentes tipos de lesões.

Lesão do couro cabeludo

Os médicos consideram as lesões do couro cabeludo como lesões pouco graves quando se limitam a cortes sem lesões mais profundas.

Acidentes com objetos cortantes podem causar este tipo de acidente. No geral, não há perfuração que envolva o cérebro ou fratura de crânio.

Vale lembrar que o couro cabeludo é um local muito vascularizado. Por isso, lesões nesse lugar podem ter sangramentos bastante expressivos e o atendimento médico é necessário. Porém, elas não serão, na verdade, tão graves.

Por esse motivo, o tratamento será certificar-se de que não ocorreu um trauma mais grave, limpar o ferimento, fazer sutura do corte e, se necessário, realizar um tratamento com antibiótico para evitar infecções.

Fraturas de crânio

As fraturas de crânio podem ocorrer com ou sem danos cerebrais. Também podem ou não envolver cortes e lesão de couro cabeludo.

Os sintomas desse tipo de fratura variam de acordo com o lugar onde foi fraturado e se o osso permaneceu no local ou não.

Por vezes, fragmentos da fratura podem “afundar”. Isso faz com que exerça pressão sobre o cérebro e sobre estruturas como artérias e veias.

Isso, por sua vez, faz com que seja uma lesão mais grave do que aquela em que ocorreu a fratura, mas o osso permaneceu no local.

As fraturas de crânio com afundamento podem expor o cérebro ao ambiente e a materiais estranhos e isso pode levar a uma infecção e à formação de abscessos (pus do cérebro)

Portanto, o médico pode submeter o paciente a um procedimento para reposicionar o osso e, por fim, tirar fragmentos e materiais estranhos.

O paciente também ficar em observação para realizar tratamento com antibiótico e garantir que a situação não se agrave.

Há um sinal muito claro de fratura com afundamento: os olhos e as partes posteriores da orelha ficam roxas devido aos hematomas. Além disso, pode escorrer um líquido transparente dos ouvidos e do nariz, que chamam de líquido cefalorraquidiano.

Já as fraturas sem deslocamento de osso são menos graves e não requerem nenhum tratamento específico.

Desse modo, vão levar a pessoa com esse tipo de lesão para realizar exames e garantir que nada mais grave ocorreu.

Concussões

A concussão é uma alteração pós-traumática do estado mental, sendo ela, quase sempre, transitória. Após uma pancada de cabeça, a pessoa pode perder a consciência por alguns instantes. Além disso, pode ficar sonolenta, sentir dor de cabeça, ficar com tonturas e náuseas e até mesmo perder a memória.

Esses sintomas podem durar de segundos até horas, sendo o convencionado até 6 horas após a batida.

Não há lesões cerebrais graves ou déficits neurológicos permanentes na concussão. O diagnóstico de uma concussão, no geral, é clínico. Mas podem ser feitos exames para se certificar de que não houve maiores danos.

endometriose

Contusões e lacerações do cérebro

Esse tipo de lesão é mais grave que uma concussão, pois nas contusões, o impacto direto na cabeça ocasiona danos maiores e progressivos.

As contusões cerebrais têm como causa um impacto direto e, em geral, causam uma lesão no local da batida e no lado oposto, quando o cérebro “bate” dentro da caixa craniana.

Já as lacerações têm como causa um objeto cortante, que atravessou o crânio e lesionou o tecido cerebral. Pode ser, ainda, por uma fratura de crânio com afundamento de osso, em que parte do osso lesiona o cérebro. É como se o cérebro fosse “rasgado”.

Em ambas ocorre dano do cérebro. Elas podem ser mínimas, causando só pequenos danos. Ou podem ser mais graves, podendo levar até ao coma.

Tudo depende do local, da extensão da lesão, se ocorreu ou não inchaço do cérebro e sangramento.

Para isso, os médicos irão realizar exames de imagem – como uma tomografia computadorizada –  que permitem classificar os danos como Traumatismo Craniano Pouco Grave ou Traumatismo Craniano Grave.

Em casos mais leves, a pessoa poderá ficar em observação hospitalar durante até uma semana para certificar-se de que não ocorram sangramentos tardios.

Já em casos mais graves, no geral, ocorre a internação em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e pode ou não haver a necessidade de cirurgias.

Hematomas Intracranianos

Os hematomas nada mais são do que acúmulos de sangue que podem ocorrer em vários locais do corpo.

Quando eles ocorrem na cabeça, os médicos chamam de hematomas intracranianos e podem ocorrer dentro do cérebro ou entre o cérebro e a parte óssea do crânio.

Eles se ocasionam por um traumatismo craniano, como uma contusão ou uma fratura. É como se os hematomas intracranianos fossem uma consequência de um trauma.

Dependendo do tipo de hematoma e onde ele está localizado, os sintomas podem aparecer em minutos ou demorar dias, sendo que os principais sintomas incluem dor de cabeça persistente, sonolência, confusão mental, dificuldade de fala, tonturas e paralisias.

Por isso, caso esses sintomas apareçam após uma batida na cabeça, a avaliação médica é vital. 

E, para diagnosticar essa lesão, os médicos farão um exame por imagem. Às vezes, dependendo do dano, um procedimento cirúrgico se faz para tirar e drenar esse sangue que se acumulou.

Lesão Axonal Difusa

Os impulsos nervosos conduzem tudo o que falamos, a forma como nos mexemos e os nossos pensamentos e ações. Eles fazem isso através de “cabos”, que chamamos de neurônios. Nesses neurônios, há uma parte chamada axônio, e é nessa parte que ocorre a lesão.

Na lesão axonal difusa (LAD), os axônios se lesionam ao longo de todo cérebro. A principal causa desse tipo de lesão são as quedas e os acidentes com veículos. Em caso de LAD, a pessoa perde a consciência por seis horas, em média.

Com essa manifestação clínica, os médicos fazem exames por imagem e monitoram a pressão dentro da cabeça (pressão intracraniana), pois nesse tipo de lesão, a morte dos axônios pode causar um inchaço no cérebro.

Esse inchaço eleva a pressão na cabeça e isso dificulta a passagem de sangue, o que agrava bastante a situação.

Por isso, na lesão axonal difusa, o mais importante é o monitoramento da pressão intracraniana e a manutenção das funções vitais do paciente enquanto ele estiver desacordado, como a respiração e a frequência cardíaca.

Hemorragia Subaracnóidea

Algumas camadas envolvem nosso cérebro antes de chegar ao osso – são as meninges. A hemorragia subaracnóidea ocorre entre essas camadas, no espaço subaracnóideo.

A hemorragia pode ocorrer de forma súbita, mesmo sem um trauma na cabeça. Então, consideram um acidente vascular cerebral (AVC). Porém, a hemorragia subaracnóidea também pode ocorrer devido a um traumatismo craniano, como, por exemplo, um acidente de moto.

É uma lesão grave e, se não diagnosticarem e resolverem de forma rápida, pode causar danos permanentes ao paciente e até mesmo levar ao óbito.

Isso porque o sangramento pode aumentar a pressão dentro da cabeça e dificultar a passagem de sangue e a drenagem do líquido que banha o cérebro (líquido cefalorraquidiano).

O diagnóstico é feito por exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética e angiografia.

Causas

As causas dos traumatismos cranianos podem ser diversas, porém, as mais comuns são as quedas e os acidentes com veículos. Armas de fogo também podem causar traumatismos cranianos.

Os tipos de lesões mais predominantes são por impacto direto ou por desaceleração súbita. 

Lesão por impacto direto

Esse é o tipo de lesão mais frequente. Ocorre quando há um impacto direto entre a cabeça e um objeto.

Em atividades físicas, por exemplo, uma bola com velocidade considerável pode atingir a cabeça de uma criança e causar um trauma. As pancadas na cabeça, agressões, desmaios com batida de cabeça e quedas são os principais exemplos de lesão por impacto direto.

síndrome do bebê sacudido

Lesão por desaceleração súbita

As lesões por desaceleração súbita ocorrem porque o cérebro (que é tecido mole e se parece com uma gelatina) colide com os ossos duros do crânio, e isso pode causar lesões.

Há uma síndrome chamada Síndrome do Bebê Sacudido, em que o adulto sacode a criança de forma intensa e com força. Isso pode causar danos permanentes no cérebro da criança e até levar à morte. 

O Traumatismo craniano pode aparecer sem corte ou fratura aparente?

Sim! As lesões por desaceleração súbita são os principais exemplos disso. Até mesmo as quedas ou as batidas de cabeça por desmaio podem não aparentar uma lesão por fora, mas a parte interna da cabeça pode ter sido lesionada.

Por esse motivo, devemos sempre ficar atentos aos sinais e sintomas após batidas na cabeça.

Contate uma equipe de emergência

Sempre que alguém apresentar sinais ou sintomas após um trauma na cabeça, deve-se contatar uma equipe de emergência o mais rápido possível e informar o que ocorreu e quais sintomas a pessoa está apresentando.

desmaio é um sintoma de traumatismo

Sintomas de traumatismo craniano

Os sintomas mais comuns e que devem ser sinal de alerta para buscar ajuda, são:

  • Desmaios
  • Confusão mental
  • Dificuldade de fala
  • Vômitos
  • Convulsões
  • Náuseas
  • Líquido ou sangue saindo pelo nariz e orelhas
  • Dor de cabeça intensa

Na presença destes sintomas, contate a equipe de emergência o mais rápido possível, mesmo sem lesão aparente.

Os sintomas de um traumatismo dependem da sua gravidade. Para isso, serão exemplificados os principais sintomas e diferenças em um traumatismo craniano pouco grave e no traumatismo craniano grave.

Traumatismo craniano pouco grave

Uma das lesões cranianas pouco graves é a concussão. Nesse tipo de trauma, podem ocorrer sintomas como tontura, dor de cabeça, confusão mental, náuseas, vômitos e até mesmo desmaios por um curto período de tempo, sendo essa a principal diferença entre um traumatismo pouco grave e um traumatismo grave: a duração dos sintomas.

Quando a lesão é mais leve, apesar dos sintomas serem incômodos, eles tendem a melhorar cem por cento dentro de 24 horas e não deixam sequelas. Vale lembrar também que mesmo que tenha uma lesão aparente, como um corte na cabeça que necessite de pontos, o trauma pode não ser grave, já que os danos foram mais superficiais.  

Traumatismo craniano grave

A principal característica de um traumatismo craniano grave é a duração dos sintomas e, em especial, as sequelas que podem ser permanentes após o trauma.

Um exemplo de traumatismo grave é a contusão e a laceração do cérebro. Isso porque os danos que esse tipo de lesão causa são mais profundos.

Os sintomas de um traumatismo grave podem ser semelhantes ao pouco grave, porém, mais persistentes e com chances de agravamento. O desmaio, por exemplo, pode durar horas ou até mesmo dias.

Além disso, as pessoas que acordam de um trauma grave podem apresentar alterações de humor, alteração da fala, dificuldade de movimentação, episódios recorrentes de convulsões, entre outros.

Vale ressaltar que, se não diagnosticarem e tratarem o traumatismo craniano grave, pode acabar levando a pessoa a óbito, já que, no geral, os sintomas são progressivos e precisam de tratamento.

Diagnóstico

O diagnóstico de traumatismo, seja ele pouco grave ou grave, deve ser feito por um médico e por exames de imagem. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética são os tipos de exames mais solicitados.

A tomografia consegue detectar hematomas, contusões e fraturas de crânio. Já a ressonância magnética é útil para diagnosticar lesão axonal difusa e lesões mais complexas.

A seguir veremos as diferenças de diagnósticos entre os tipos de traumatismo.

Traumatismo craniano pouco grave

O diagnóstico de um traumatismo craniano pouco grave, no geral, se faz através da história clínica do paciente. Ou seja, de acordo com os sintomas e a forma como ele ocorreu o trauma.

Além disso, também podem ser feitos exames de imagem para garantir que nada grave ocorreu e que não há danos internos não aparentes. 

Se a pessoa desmaiou após a batida de cabeça, a avaliação médica e a realização de exames são essenciais, mesmo que a pessoa esteja se sentindo bem logo após o desmaio.

Traumatismo craniano grave

O diagnóstico de um traumatismo craniano grave é um pouco mais complexo. Afinal, em geral, o paciente deve ter diagnóstico e tratamento ao mesmo tempo, a fim de evitar danos maiores e reduzir as chances de sequela.

Os exames que se faz para diagnósticos são os mesmos feitos para diagnosticar trauma leve. Além disso, devem ser feitos quando o paciente está estável e fora de risco.

Tratamento

O tratamento é o ponto em que o trauma pouco grave e o trauma grave mais se diferem. Isso porque quando um traumatismo craniano foi diagnosticado como pouco grave, o paciente fica só em observação. Além disso, vai precisar de poucos ou nenhum procedimento.

Já em um traumatismo craniano grave, além da observação, pode ter procedimentos, como cirurgias, por exemplo.  

Traumatismo craniano pouco grave

Em geral, o tratamento para trauma pouco grave é um tratamento sintomático, a fim de reduzir o desconforto.

Se o traumatismo não causar sintomas além de dor, analgésicos podem ser utilizados, como paracetamol ou dipirona, por exemplo.

Vale lembrar que você não deve usar remédios anticoagulantes, pois podem aumentar o sangramento.

Em geral, não há internação por trauma leve. Porém, se a pessoa desmaiou após a batida, é melhor ficar atento de hora em hora. Assim, você pode ver se não tem piora ou algum outro sintoma, como vômitos, convulsões, confusão mental, piora da dor de cabeça ou fraqueza em alguma parte do corpo.

Por isso, uma pessoa deve ficar responsável por esse cuidado. Caso a pessoa que se machucou esteja sozinha, ela ficará em observação hospitalar.

cirurgia

Traumatismo craniano grave

A principal preocupação na hora de tratar um traumatismo craniano grave é ter certeza de que a pessoa não corre risco de vida.

Afinal, em alguns traumas graves, as funções vitais – como pressão arterial, respiração e frequência cardíaca – podem se afetar. Por isso, é vital estabilizar o paciente antes de realizar os exames.

É por esse motivo que algumas vezes uma pessoa que teve um trauma na cabeça precisa ser intubada, visto que o trauma pode ter afetado uma parte do cérebro responsável pela respiração e funções vitais.

Além disso, o tratamento de um trauma grave envolve diversos procedimentos e cuidados e, em geral, há a necessidade de uma intervenção cirúrgica.

Por esse motivo, a internação em Unidades de Tratamento Intensivo é muito comum em traumatismos cranianos graves. Isso porque na UTI é maior o controle e o monitoramento do paciente.

As consequência e sequelas desse tipo de trauma são imprevisíveis. Algumas vezes, o paciente fica internado semanas para que os médicos consigam regular as funções básicas do corpo, já que o cérebro não está sendo capaz de controlar.

Usam analgésicos para a dor, sedativos para recuperação e anticonvulsivos para tratar convulsões, caso elas surjam.

Por isso, o manejo e o tratamento de um traumatismo craniano grave devem ser minuciosos e particulares, de acordo com o que o paciente precisa no momento.

Convivendo com as sequelas do traumatismo craniano

Após o diagnóstico e tratamento imediato de uma lesão cerebral grave, vem a recuperação. As sequelas de um traumatismo dependem muito do local do cérebro onde se lesionou e elas podem variar muito, já que podem afetar a fala, a cognição, a força e a movimentação.

As funções de alguns órgãos também podem se afetar, como o intestino e a bexiga. Por esse motivo, a recuperação e a reabilitação do paciente é individual e particular de cada caso.

reabilitação

A reabilitação dessas funções leva tempo, em geral, de 6 meses até alguns anos. Isso porque quando o tecido cerebral é danificado, a recuperação é muito lenta ou, em alguns casos, ele pode não se regenerar.

Se esse for o caso, outra parte do cérebro que não se lesionou terá que “aprender” a realizar essa função, e então substituir a parte não funcional.

Portanto, a reabilitação envolve uma série de medidas para estimular – aos poucos – aquilo que foi afetado.

Por exemplo, se uma pessoa teve uma lesão e teve fraqueza em algum membro, ela fará fisioterapia para estimular a perna ou o braço que está fraco, a fim de desenvolver de novo as habilidades e a força.

Sendo assim, a reabilitação inclui tratamentos médicos, fisioterapia, fonoaudiologia e psicoterapia.

Em casos de lesões irreversíveis, como quando a pessoa fica paraplégica, há grupos e programas de reabilitação. Nesses casos, a pessoa irá reaprender a realizar as tarefas básicas de acordo com as suas limitações e o acompanhamento com psicólogo é essencial. 

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