O que é Transtorno Alimentar? Tipos, causas e como tratar

Laura Hoffmann

Você já parou para pensar sobre a importância de ter uma relação saudável com a alimentação e o corpo? Quando essa relação se torna ruim, pode surgir um transtorno alimentar.

O transtorno alimentar é um distúrbio nos hábitos alimentares e na forma de controlar o peso. Sendo assim, prejudica não apenas a saúde, como também a vida social.

A anorexia, a bulimia e a compulsão alimentar são alguns exemplos destes transtornos. Se você quer conhecer um pouco mais sobre os tipos de transtornos, as causas, os sintomas e as formas de tratamento, continue lendo esse texto!

transtorno alimentar

O que é um transtorno alimentar

Um transtorno alimentar é uma grande mudança no comportamento ligada aos hábitos alimentares e ao controle do peso. Além disso, essa mudança não se explica por outra condição de saúde.

A alimentação é uma parte vital do dia a dia. Portanto, um transtorno alimentar tem consequências ruins para a saúde física, bem como para a saúde mental e para a vida social.

Fatores que podem influenciar o desenvolvimento de um transtorno alimentar

Os transtornos alimentares ocorrem a partir de várias causas. Desta forma, se relacionam a fatores genéticos, biológicos, psicológicos, culturais, entre outros. 

É vital lembrar que um transtorno alimentar não ocorre só por um destes fatores. Ao contrário, surge a partir de uma interação entre eles. Por isso, é preciso o tratamento com profissionais de várias áreas da saúde.

Genética

Hoje em dia, já se sabe que a herança biológica influencia muito no começo de transtornos alimentares. Desta forma, pessoas que têm pais ou irmãos que já passaram por essa condição têm um risco maior de ter os transtornos.

Além disso, alguns estudos já mostram que os transtornos alimentares estão ligados a alguns genes específicos. 

Apenas a genética, contudo, não é responsável por um transtorno alimentar. Porém, junto com outros fatores, ela pode aumentar as chances naturais de que ele ocorra.

Biologia

Alguns fatores biológicos também influenciam o desenvolvimento dos transtornos alimentares. Por exemplo, a mudança nos níveis de alguns neurotransmissores, como a dopamina e a serotonina, podem mudar a indicação de fome e saciedade no corpo. Assim, a ingestão alimentar também muda e influencia no quadro dos transtornos.

Nesse sentido, a falta de alimentação por muito tempo pode causar mudanças nos níveis desses neurotransmissores. Logo, pode levar a um ciclo próprio do transtorno alimentar, mudando entre restrição e compulsão.

Outro ponto vital é a influência dos sinais do corpo para que o transtorno alimentar se mantenha. Em primeiro lugar, um consumo inadequado de alimentos causa falta de nutrientes. Dessa forma, há mudanças nos níveis de alguns hormônios e na ação do metabolismo. Por fim, as mudanças no comportamento alimentar se mantêm.

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Psicologia

Os aspectos psicológicos também são causas nos transtornos alimentares. A baixa autoestima, ou eventos que causam estresse (como grandes mudanças na vida pessoal) podem gerar mudanças no comportamento alimentar.

Da mesma forma, os transtornos alimentares, muitas vezes, se ligam a outros fatores: por exemplo, depressão, ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo e distúrbios de personalidade.

Por fim, alguns traços de personalidade são bem marcantes em pessoas com transtornos alimentares. 

Por exemplo, se observa o perfeccionismo, a introversão, a rigidez e a busca por muito controle em pessoas com anorexia nervosa. Porém, muitas pessoas com bulimia costumam ter atos impulsivos e o humor instável.

Cultura

A cultura é outro fator que influencia nos transtornos alimentares. Muitas vezes, somos expostos a uma valorização muito grande da aparência física. Da mesma forma, emagrecer é visto quase sempre como um sucesso. 

Portanto, essas ideias podem prejudicar a nossa autoestima e a visão da nossa imagem corporal. Há uma busca por um ideal de beleza que não se pode atingir. Assim, se pode prejudicar a própria relação com a comida e com o corpo.

Os transtornos alimentares têm mais frequência em culturas e contextos que valorizam a magreza. Desta forma, eles ocorrem mais em mulheres, que em geral têm uma maior cobrança na sua aparência. Também surge em profissões que incentivam a magreza, como modelos, atletas e bailarinos, tendo um risco maior.

Tipos de transtornos alimentares

Os transtornos alimentares mais conhecidos e mais comuns são a compulsão alimentar, a anorexia e a bulimia. Porém, ainda há outros menos conhecidos, como a vigorexia, a ortorexia e a síndrome alimentar noturna.

bulimia

Bulimia

Na bulimia nervosa, há episódios frequentes de compulsão alimentar seguidos por comportamentos de compensação. Além disso, outro traço marcante é a preocupação com o peso de forma exagerada.

Assim, a pessoa com bulimia ingere muitos alimentos em pouco tempo, tendo uma perda de controle. Em seguida, busca formas inadequadas de evitar o ganho de peso, como causar vômitos, usar laxantes ou praticar exercícios físicos muito intensos.

Esse ciclo de compulsão e compensação tem várias consequências negativas. Por isso, algumas complicações desse transtorno são: desidratação, fraqueza, anemia, lesões no sistema digestório, desequilíbrio nos níveis hormonais e dificuldades de concentração.

Anorexia

A anorexia nervosa se define pela restrição de comida, e leva à um peso corporal muito baixo. Dessa forma, ocorre uma perda de peso excessiva, de forma intencional.

Além disso, há um grande medo de ganhar peso ou engordar. Por esse motivo, se adotam com frequência comportamentos rígidos para evitar isso, como ficar sem comer por muito tempo ou a prática de exercícios intensos. 

Outra marca é a distorção da autoimagem. Ou seja, a pessoa, em geral, se vê com um peso muito maior do que tem, de verdade. E, por isso, não consegue reconhecer a gravidade do peso atual.

Em geral, a anorexia ocorre em adolescentes ou adultos jovens. Porém, também pode ocorrer mais tarde ou até mesmo em crianças.

Por causa das restrições alimentares, esse transtorno afeta todo o corpo. Além da perda de peso, surgem também falta de nutrientes, fraqueza, mudanças hormonais, anemia, pressão baixa e mudanças no sono.

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

Assim como na bulimia, o transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) ocorre com episódios frequentes de compulsão alimentar. No entanto, os comportamentos de compensação não estão presentes.

Em um episódio de compulsão alimentar, a pessoa se alimenta muito mais do que o normal, em pouco tempo. Além disso, ela se sente incapaz de limitar o tipo e a quantidade de alimentos que ingere.

Ao final desses episódios, a pessoa costuma sentir desconforto e ter sentimentos negativos, como culpa e angústia

É bom lembrar que um episódio de compulsão alimentar também considera o contexto. Por exemplo, pode ocorrer que alguém coma um pouco mais em uma festa. Entretanto, esse fato isolado não se caracteriza como uma compulsão, por ser uma situação onde, em geral, comemos mais do que o normal.

Por isso, para o diagnóstico desse transtorno, os episódios devem ocorrer uma ou mais vezes por semana, durante um mês.

Vigorexia

Ao contrário dos outros transtornos alimentares, a vigorexia aparece em especial nos homens

Assim como na anorexia, há uma distorção da imagem corporal. Porém, a pessoa com vigorexia se descreve como fraca e pequena, mesmo que seja musculosa e forte.

Dessa forma, está presente uma grande preocupação com a massa corporal. Portanto, pode haver o uso frequente de suplementos proteicos, estimulantes e anabolizantes sem a orientação adequada. Além disso, a pessoa costuma praticar muitos exercícios físicos.

Nesse sentido, alguns sintomas comuns são: cansaço persistente, dores musculares, irritabilidade, depressão, aumento da frequência cardíaca e mudanças no sono.

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Ortorexia 

Ainda não reconhecem a ortorexia como um transtorno alimentar, mas sim como um distúrbio do comportamento alimentar. A ortorexia é uma obsessão pela alimentação saudável, com uma preocupação excessiva com os alimentos que vai comer.

Assim, a pessoa com ortorexia se preocupa muito com a forma de preparar e consumir os alimentos, dividindo as comidas em permitidas e proibidas. Sendo assim, ela pode ter muita dificuldade em comer alimentos em restaurantes, ou mesmo preparados por outra pessoa.

Em meio a esses comportamentos, a pessoa com ortorexia sente ansiedade e também pode ter falta de nutrientes, por conter demais o que come. 

Síndrome Alimentar Noturna

A síndrome alimentar noturna ocorre quando a pessoa ingere com frequência alimentos à noite, tanto ao despertar do sono quanto após o jantar. Essa ingestão é consciente e a pessoa pode se lembrar, diferente de outros transtornos relacionados ao sono.

Desta forma, há um aumento do apetite durante a noite, levando à comer mais alimentos do que nas manhãs ou tardes. Muitas vezes, a pessoa perde o apetite durante o dia por isso.

Principais sintomas do transtorno alimentar

De forma geral, alguns sintomas comuns nos transtornos alimentares são: mudanças no comportamento alimentar, distorção da imagem corporal e mudanças no peso. A pessoa pode apresentar, além disso, sensações de culpa e angústia por causa da alimentação e falta de nutrientes. 

Porém, cada um dos transtornos possui sintomas específicos, que, inclusive, podem mudar entre as pessoas.

Muitos dos sintomas em pessoas com anorexia e bulimia se ligam aos episódios de restrição, compulsão e compensação. Alguns deles são sintomas que ficam menos claros. No entanto, outros deles podem ter várias consequências a longo prazo, como as mudanças hormonais e os problemas cardiovasculares.

Tratamento para transtorno alimentar

O tratamento adequado dos transtornos alimentares é essencial para que tenha melhora. Ao longo do tempo, a pessoa pode reverter seus sintomas e ter mais qualidade de vida.

Para que isso ocorra, é vital que o tratamento envolva uma equipe interdisciplinar, com profissionais especializados de várias áreas da saúde. Dessa forma, é possível associar o tratamento com médicos, nutricionistas e psicólogos.

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Nutricionista para transtorno alimentar

O papel do nutricionista no tratamento dos transtornos alimentares é melhorar a relação com a alimentação, promovendo hábitos saudáveis. Então, esse profissional pode ajudar na percepção da fome e da saciedade. Além disso, pode promover a reabilitação por meio de uma dieta balanceada e adequada às necessidades da pessoa.

Psicoterapia no transtorno alimentar

Uma das terapias mais eficazes para a melhora é a terapia cognitivo comportamental. Assim, os terapeutas podem ajudar a prevenir recaídas, monitorar o consumo de alimentos e buscar a mudança de crenças e comportamentos ligados ao transtorno.

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Laura Hoffmann

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