Rinite alérgica: o que é, quais as causas e como tratar

Victoria Fernandez Comprido

Com certeza, você sabe de alguém que tenha rinite alérgica. Talvez até você mesmo tenha! Isso ocorre pois a rinite é muito comum na população e aparece, na maioria das vezes, na infância e adolescência.

Nesse texto, você descobre o que é, as causas, o que fazer para evitar as crises e muito mais! Venha conferir

O que é rinite alérgica?

Rinite é a inflamação da mucosa que reveste o nariz. Mucosa é uma membrana úmida devido à presença de glândulas nela e existe em vários locais do corpo como, por exemplo, boca e vagina.

Assim, a rinite acontece quando essa membrana se inflama, de forma geral, por conta do contato com agentes ambientais inalados.

Existem vários tipos de rinite como: viral, gestacional, idiopática, induzida por medicamentos, mas a mais comum é a alérgica.

Causas da rinite alérgica

O que acontece na rinite alérgica é que um agente, que pode ser poeira, um animalzinho de estimação  ou  pólen, por exemplo, provoca uma resposta exagerada no corpo, liberando muita histamina e outros agentes pró inflamatórios.

Explicando melhor:  no primeiro contato com aquele agente, o sistema imune do corpo o reconhece e produz IgE, uma proteína do tipo Imunoglobulina relacionada com alergias. A IgE, por sua vez, gruda em uma célula imunológica chamada mastócito.

Essa união de IgE com o mastócito determina a sensibilização da pessoa. Assim, a partir desse momento, todo contato que a pessoa tiver com aquele mesmo agente vai provocar  uma liberação de histaminas, leucotrienos e interleucinas (mediadores que provocam inflamação) o que vai desencadear uma crise de rinite alérgica.

Poeira e Pólen

A poeira, assim como o pólen, ácaros, pêlos de animais e substâncias parecidas, são responsáveis por desencadear esse processo de sensibilização.

Não se sabe o motivo exato, mas essas substâncias são responsáveis pela maioria dos casos de rinite alérgica.

Alimentação: alergias alimentares

É comum que pessoas com um tipo de alergia tenham outros tipos de alergia também, sendo chamadas de pessoas atópicas. Uma alergia muito comum na infância é a dermatite atópica.

Por isso, muitas pessoas que têm alergias alimentares têm rinite alérgica associada. Mas isso não quer dizer que seja o alimento ingerido que causa a rinite, pois como vimos, a crise de rinite é desencadeada por uma substância inalada.

Contudo, alguns alimentos, principalmente aqueles dos quais a pessoa tem alergia, podem intensificar os sintomas da rinite, uma vez que os mediadores de inflamação que eles liberam são os mesmos que causam os sintomas da rinite.

Sintomas da rinite alérgica

espirros na rinite alergica

Os principais sintomas da rinite alérgica são: 

  • Secreção nasal ou coriza clara
  • Obstrução nasal ou nariz entupido
  • Coceira no nariz
  • Espirros

Além disso, pode acontecer prejuízo do sono quando os sintomas se intensificam à noite, perda de paladar, perda do olfato e coceira dos olhos, orelhas e garganta.

De acordo com os sintomas, a rinite se classifica como: intermitente, quando acontecem menos do que 4 dias na semana ou menos de semanas; ou persistentes, quando são mais do que 4 dias na semana e mais de 4 semanas. Ainda, pode ser leve, quando não altera o sono ou as atividades do dia a dia, ou moderada à grave,  quando altera o sono e as atividades.

Sintomas que aparecem ao longo de horas

Existem 2 fases da rinite alérgica:

  • Fase imediata que é assim que o agente entra em contato com o corpo
  • Fase tardia ou inflamatória quando os sintomas surgem de 8 a 12 horas depois do contato com o agente

Nas duas fases os sintomas são os mesmos já citados.

Fatores de risco da rinite alérgica

Alguns fatores predispõem o aparecimento da rinite alérgica, esses são os chamados fatores de risco. Assim, os principais são:

Outras doenças alérgicas

Como já mencionado, é comum que pessoas atópicas tenham mais de uma doença alérgica. Dessa forma, alguém que tem asma, dermatite atópica, sinusite ou otite de repetição tem chance maior de ter rinite alérgica.

Genética

A genética também é um fator importante, uma vez que pessoas com histórico familiar de rinite têm mais chances de desenvolverem a alergia. Além disso, se o histórico familiar apresentar casos de asma, sinusite ou otite, também há o risco de ter rinite alérgica.

Frequentar locais com poluição: poeira, mofo e ácaros

Uma vez que esses são os principais agentes que desencadeiam a sensibilização para a rinite alérgica, frequentar locais com poeira, mofo e ácaros aumenta o risco de desenvolver a rinite.

Tapetes na casa e bichos de pelúcia nos quartos das crianças também são fatores de risco, pois favorecem o acúmulo de poeira e ácaros.

Diagnóstico da rinite alérgica

médico da rinite

O diagnóstico deve ser feito pelo médico que também vai classificar a rinite de acordo com os sintomas mencionados acima. Assim, de forma geral, o diagnóstico é clínico, ou seja, o médico apenas examina o paciente e escuta sua história para fazer o diagnóstico de rinite, não sendo necessários outros exames. 

Alguns sinais no rosto do paciente são característicos de rinite como:

  • Inchaço na pálpebra
  • Coloração mais arroxeada ao redor dos olhos (cianose periorbitária)
  • Linhas de Dennie-Morgan: duas linhas de pele que se formam abaixo do olho
  • Um risquinho de pele em cima do nariz chamado de prega dorso nasal
  • Aumento do tamanho das conchas nasais
  • Concha nasal inferior pálida
  • Diferença no crescimento dos ossos da face por ficar muito tempo de boca aberta

Qual médico procurar para a rinite alérgica

O médico que trata a rinite alérgica é o otorrinolaringologista, que cuida de nariz, ouvido e garganta. Apesar disso, rinite alérgica é muito comum e fácil de diagnosticar, então um clínico geral, pediatra ou um médico de outra especialidade também pode diagnosticar e indicar o tratamento correto nos casos leves.

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Exames 

Alguns exames ajudam no diagnóstico e tratamento de rinite alérgica, são eles:

  • Hemograma, ou exame de sangue: permite ver os eosinófilos, células de defesa que aumentam no processo alérgico.
  • Endoscopia nasal: não dá diagnóstico de rinite, mas afasta outros diagnósticos
  • Dosagem de IgE total
  • Teste cutâneo como Prick-test: nele, se fazem arranhões no antebraço com vários agentes e se observa a reação do corpo, sendo que um é de histamina e serve como controle. Assim, ao longo de alguns dias, se mede a vermelhidão dos locais onde os agentes foram aplicados, se for maior ou igual à da histamina é sinal de alergia.
  • IgE específica – RAST: É usado para comprovar a alergia junto com o teste cutâneo
  • Citologia nasal: se colhem células do nariz, se houver muitos eosinófilos, é sinal de rinite alérgica.

Tratamentos para a rinite alérgica

Não existe cura para a rinite alérgica, então os tratamentos consistem em evitar as crises ou aliviar os sintomas.

Higiene ambiental

Retirar do ambiente os agentes que desencadeiam as crises de rinite é essencial. Dessa forma, nada de bichos de pelúcia, tapetes ou plantas dentro da casa de alguém que tenha rinite. Animais de estimação também não são muito indicados, mas pode ter, desde que não durma na cama ou suba no sofá.

Além disso, nada de limpar o chão com vassoura, pois ela só joga a poeira no ar. Ao invés disso, usar um pano úmido que prende a poeira.

Medicamentos 

remédio rinite alergica

Existem várias classes de medicamentos para tratar rinite:

Anti-histamínicos: atuam  reduzindo a histamina, que causa os sintomas. São indicados para controlar os sintomas e é muito bom para coceira, espirros e coriza. O Loratadina é o mais prescrito e o Histamin é outro exemplo.

Descongestionantes nasais: não se recomenda muito pois causam efeito rebote, ou seja, depois de um tempo a pessoa fica com o nariz ainda mais entupido e só desentope depois de usar o descongestionante de novo. Ainda assim, algumas pessoas usam. Exemplos: Afrin, Neosoro.

Corticóides tópicos: também dão efeitos colaterais, por isso não são bem indicados. Se usa quando o paciente tem muitos sintomas e, em geral, depois do anti-histamínico. Também são bons para congestão, edema e coriza. Exemplo: beclometasona

Corticoides orais: indicados pelo médico pois têm muitos efeitos colaterais.

Além desses, também se usam os antileucotrienos como o montelucaste de sódio. Contudo, estudos apontam que esse medicamento está relacionado com efeitos como alteração do sono, depressão e ideias suicidas. Por isso só deve ser tomado sob indicação médica.

Imunoterapia

Hoje em dia a imunoterapia está ganhando força no tratamento da rinite, mas ainda não é certeza de que funciona para todo mundo.

O tratamento consiste em uma espécie de vacina para a rinite. É uma injeção que tem o agente diluído ao qual a pessoa é alérgica. Assim, a cada semana se aplica uma injeção dessa com uma concentração maior do agente. Dessa forma, com o passar do tempo a pessoa fica dessensibilizada a esse agente.

Lavagem nasal funciona?

Sim! Apesar de não ter nenhuma evidência na literatura de que a lavagem nasal diminua os sintomas, muitos pacientes relatam que sim. Assim, não custa nada lavar o nariz com soro fisiológico pelo menos uma vez por dia.

Como aliviar a rinite alérgica na hora de dormir

Se sua rinite o incomoda muito na hora de dormir, primeiro procure um médico para ver se o seu tratamento está adequado. Mas uma alternativa é  levar o nariz e tomar um anti histamínico uns muitos antes de deitar. 

Além disso, não se esqueça da higiene ambiental. Portanto, não durma perto de tapetes e bichos de pelúcia, não varra o chão antes de dormir, não durma com plantas ou animais perto e evite sacudir a roupa de cama de forma desnecessária

Rinite alérgica tem cura?

menina com rinite alergica

A rinite alérgica não tem cura a não ser que você seja dessensibilizado do agente que causa a rinite. Isso pode acontecer com a imunoterapia, mas, como falado antes, não é certeza de que funciona para todo mundo.

Como evitar crises de rinite

A melhor forma de evitar as crises de rinite é evitar os agentes que as desencadeiam. Mas, além disso, outras atividades contribuem para a saúde do seu sistema respiratório

Parar de fumar e não se expor à fumaça

A fumaça do cigarro irrita a mucosa nasal, o que pode intensificar os sintomas e provocar crise, além disso, algumas pessoas têm alergia a essa fumaça. Por isso, evitar a fumaça do cigarro é essencial. Sem contar que parar de fumar previne contra câncer e outras inúmeras doenças.

Prevenir obesidade e sobrepeso

De forma geral, pessoas com obesidade ou sobrepeso acumulam gordura na região do pescoço o que prejudica a respiração provocando outros problemas de saúde como, por exemplo, apneia do sono. Dessa forma, a dificuldade para dormir já presente na rinite é intensificada pelos outros problemas,

Realizar atividade física

Atividades físicas são ótimas para rinite e problemas respiratórios na maioria das vezes, pois a prática dessas atividades libera hormônios e substâncias que combatem a inflamação no corpo. Portanto, uma vez que a rinite é uma doença inflamatória, a atividade física reduz seus sintomas.

Não se expor a ácaros,à poluição, ao mofo e a odores fortes

Como, na maioria dos casos, os agentes que desencadeiam as crises de rinite são ácaros, mofo, poeira entre outros, evitá-los é igual a evitar os sintomas e, portanto, as crises.

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