Respire fundo: filme nos ensina sobre traumas e transtornos

Equipe Eurekka

O nome desse filme não nos esconde nada: é preciso respirar fundo para conseguir processar todos os acontecimentos da história. Isso porque Respire Fundo nos ensina muito sobre questões psicológicas profundas e doloridas.

Ao abordar a depressão pós-parto, traumas de infância, problemas familiares e as pausas no tratamento psiquiátrico, Respire Fundo oferece uma reflexão sensível sobre a complexidade da experiência humana. 

Por isso, na análise psicológica de hoje, vamos falar sobre a narrativa e te explicar todos os aspectos psicológicos apresentados nessa trama. Preparado? 

Sinopse de Respire Fundo, o filme

O filme “Respire fundo” ou  “A Mouthful of Air“, baseado no livro de mesmo nome, nos conta a história de Julie, uma jovem escritora de livros infantis, casada e mãe de dois bebês.

No entanto, o que deveria ser uma vida tranquila e repleta de amor, na verdade se mostra bastante turbulenta. Isso porque Julie passa por diversos desafios psicológicos que trazem prejuízo para as diversas áreas da vida dela.

A psicologia no filme Respire Fundo

Para começar, vamos falar sobre alguns temas da psicologia que o filme nos apresenta?

Depressão pós parto e maternidade

Um dos objetivos principais do filme é mostrar os desafios da maternidade. No caso de Julie, ela passa não só pelas dificuldades normais do puerpério, como também enfrenta a depressão pós-parto.

Assim, vemos o quanto essa fase pode ser difícil e solitária, podendo se agravar ainda mais se não houver uma rede de apoio.

Traumas de infância

Julie é uma escritora de livros infantis, sendo que o tema principal de suas obras é como as crianças podem enfrentar o medo. E, no decorrer da trama, descobrimos como esse assunto está intimamente ligado com a vida da autora.

A protagonista da história tem diversos traumas obtidos na infância que enterra junto com o seu passado. Porém, com o nascimento do seu segundo filho, ela desenterra de sua mente todos esses segredos que esconde de si e dos outros.

Problemas familiares

Apesar do filme não deixar explícito o que houve no passado de Julie, podemos induzir que o autor dos traumas foi seu pai. Afinal, no momento em que ele vai até a casa dela, ele a abraça e pede perdão à ela.

Assim, pensando tanto em fazer bem aos seus filhos e vivendo com o medo constante de lhes fazer mal assim como o seu pai lhe fez, ela passa a repensar na sua presença na vida dos filhos.

Pausa no tratamento psiquiátrico

Por conta da gestação, e depois por causa da amamentação, Julie decidiu parar com os remédios que incluíam seu tratamento psiquiátrico. 

E como no filme as funções de psicólogo e psiquiatra eram exercidas pela mesma pessoa, quando ela parou com os remédios, interrompeu também a terapia e ficou por conta.

Assim, com a pausa antes da hora e sem acompanhamento especializado, sua saúde mental fica ainda mais vulnerável.

Automutilação

Vemos que a protagonista já se feriu algumas vezes para tentar aliviar a dor emocional que sentia. 

No final do filme, vemos que ela ainda não superou toda a situação e, apesar de não mostrar o ato em si, podemos deduzir que Julie vai até o quintal de sua casa para se ferir de novo na última cena.

Entenda o que é e como lidar com a automutilação aqui.

Suicídio

Foi através de uma tentativa de suicídio na véspera do aniversário de seu filho que Julie nota que precisa mudar de vida. Ela já havia feito outras tentativas, e há quem ache que na cena final ela tenha tentado novamente.

Dessa forma, vemos o quanto toda a mente de Julie está vulnerável, a ponto de ser consumida pelos traumas e pela crença limitante de que a vida dos filhos seria melhor sem ela.

respire fundo 2021

Análise psicológica de Respire Fundo, o filme

Agora que já falamos sobre os temas abordados no filme, vamos analisar a obra como um todo a partir da visão da psicologia. 

A primeira lição que temos é que nenhum problema psicológico é um caso isolado

Vemos no caso de Julie que ela não tinha apenas depressão pós-parto. Ela já fazia tratamento psiquiátrico antes, mas o interrompeu por conta da gestação e da amamentação. 

Então, unindo isso aos traumas da infância não resolvidos, e ainda com as questões hormonais do puerpério, a condição de sua saúde mental se agrava.

E a segunda lição é a importância do tratamento adequado. No filme, se houvesse um tratamento consistente e sem pausas, unindo terapia e medicamentos, seria possível trabalhar os traumas, as crenças, os pensamentos e os comportamentos de Julie.

Além disso, todo o elenco e produção do filme se preocupou em trazer esse cenário da forma mais próxima possível do que os transtornos e problemas emocionais são na realidade.

Tanto que os diversos sintomas de Julie correspondem ao que o DSM — 5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) diz sobre a depressão pós-parto e sobre o transtorno depressivo maior, por exemplo.

Assim, com todo esse preparo, conseguimos sentir ainda mais impacto de toda a condição em que Julie está, o que aumenta nossa empatia por ela. Por essa razão, esse filme pode ser difícil para pessoas emocionalmente sensíveis.

E, por fim, o filme também mostra como a arte tem um forte poder terapêutico. Na história, Julie sempre coloca um pouco de si nas histórias que escreve, de forma a elaborar traumas e temas sensíveis.

Também podemos ver isso nos desenhos que ela faz, os quais refletem muito sobre os sentimentos dela. Assim, ela consegue se expressar sem precisar colocar em palavras, o que era bem mais difícil.

Saiba mais: como a arteterapia ajuda na saúde mental

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