Opioides e alívio da dor: o que são, tipos e perigos

Ana Caroline de França

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Para aliviar diferentes tipos de dores, por vezes remédios opioides são receitados pelo médico. A vantagem principal é que eles são eficientes em pouco tempo. Além disso, também causam uma sensação de bem-estar. 

No entanto, essa categoria de remédio analgésico é muito perigosa por ser capaz de causar dependência e até matar.

Por isso, nesse texto, você vai saber quais os perigos dos opioides, como eles agem no corpo e muito mais!

O que são analgésicos opioides?

papoula dá origem aos opioides

Quando um remédio tem a função de atenuar uma dor, ele recebe o nome de analgésico.

Os analgésicos opioides são os que têm substâncias que vem do ópio. O ópio tem origem em um tipo de planta: a papoula. 

Então, a seguir, você vai saber como o ópio atua no seu corpo para o alívio da dor.

Como o remédio atua no corpo?

Pense que você tem uma série de canais de comunicação espalhados pelo seu corpo até os seus neurônios. Eles devem entender a mensagem da dor: a de que algo pode estar errado naquela região.

Os opioides atuam reduzindo a sensibilidade neuronal, ou seja: seus neurônios ficam menos sensíveis às mensagens enviadas.

Tipos de opioide

Dá para dividir os opioides com base em suas origens. Ou seja, eles se classificam entre: os que nosso corpo consegue fazer e os que precisamos ingerir. 

Endógenos

Os opioides feitos pelo nosso próprio corpo são os chamados endógenos. Como, por exemplo, a endorfina, também conhecida como “hormônio do bem-estar”.

Exógenos

Já os opioides exógenos o nosso corpo não produz. Portanto, precisamos tomar na forma de remédio. Como, por exemplo, a morfina.

Uso seguro de opioides 

Michael Jackson morreu por uso de opioides

A tentativa de reduzir uma dor é tentadora à primeira vista. Contudo, o perigo da automedicação é enorme, em especial com os opioides. Superdosagens desse tipo de remédio são perigosas e muitas vezes fatais – como, por exemplo, foi com o cantor Michael Jackson.

Indicar o uso desse tipo de remédio é uma ação muito discutida, até mesmo dentro da comunidade médica.

Um dos motivos para isso está no fato de que opioides têm diferentes interações, às vezes muito complexas, com outros remédios ou substâncias. 

Dessa forma, o único meio seguro de fazer uso de opioides é com um rigoroso acompanhamento de uma equipe médica interdisciplinar, capaz de avaliar e discutir os possíveis efeitos ligados àquele remédio.

Além disso, após terminar de se tratar, você deve fazer o desmame de forma adequada e segura, também acompanhado.

Interações com outros medicamentos

Um opioide interage com vários remédios usados para tratar doenças como a depressão e a insônia.

Ademais, remédios para convulsão, anti-inflamatórios, outros tipos de analgésicos e remédios contra enjoo também têm alto risco de reagirem com opioides.

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Uso em idosos e crianças

Crianças e idosos têm uma imunidade mais delicada por natureza e um corpo mais sensível do que as outras faixas etárias. Mas há riscos extras para estes grupos no uso de opioides?

Além disso, para idosos, o risco de sedação e superdosagem com opioides é maior. Isso porque, nessa faixa etária, o uso de outros remédios como anti-inflamatórios e analgésicos é mais comum. 

Já em crianças, a maioria dos tratamentos com opioides são feitos em momentos pós-cirúrgicos, e não há riscos extras. Mesmo assim, é normal a equipe médica sugerir outros meios que ofereçam menor risco de dependência, como ibuprofeno ou outros anti-inflamatórios.  

O perigo da epidemia de opioides

Por muito tempo, o aumento do uso de opioides no Brasil não foi uma preocupação. Até hoje, o campeão de uso é um opioide leve. Apesar disso, ele pode perder o efeito com o tempo e induzir ao uso de medicações mais fortes

O maior exemplo do que ocorre em uma epidemia de opioides são os Estados Unidos. Lá, uma pesquisa avaliou de forma errada a porcentagem de viciados no remédio, pois considerou só pacientes internados. Ninguém se deu conta de que disponibilizar o remédio nas farmácias poderia ter um efeito diferente!

Somado a isso, médicos que receitavam o principal opioide da época eram comissionados com viagens e verbas para pesquisa. Assim, eles iniciaram a receitar o remédio para qualquer tipo de dor – e não só as mais graves ou crônicas, como deveria ser. Assim, em cerca de uma década, registraram mais de 200 mil mortes por overdose de opioides nos Estados Unidos.

Tolerância aos opioides

opioides

No início desse texto, falamos sobre como os opioides atuam impedindo a ação dos receptores de dor. Acontece que, a longo prazo, é preciso uma dose maior de remédio para que isso ocorra. 

Esse aumento na dose acaba levando, à longo prazo, em uma hipersensibilidade.

Isso significa que, depois de se tratar (ou muitas vezes até mesmo durante o processo) o paciente fica mais sensível à dor e precisa de uma dose ainda maior.

Esse ciclo se repete de forma perigosa até que o opioide usado no início do tratamento não tenha mais efeito.

Para evitar esse tipo de situação, você deve se tratar acompanhado de uma equipe multidisciplinar. Ela será capaz de propor o desmame do opioide usado assim que ele for possível. 

Quando tomar analgésicos opioides?

A prescrição é feita quando há picos de uma dor que não responde a outros jeitos de se tratar. Um outro caso possível é quando há uma dor moderada ou intensa, mas que não tem interrupções.


Vale lembrar que só se recomenda opioides quando os outros jeitos de se tratar já foram descartados. A avaliação de precisar ou não do uso desse remédio não pode ser feita sem a ajuda de uma equipe médica especializada.  

Preciso de prescrição médica?

Com certeza! Sabendo de todos os riscos que os opioides oferecem – incluindo dependência e hipersensibilidade – você não deve, de forma nenhuma, se automedicar, ainda mais com qualquer tipo de opioide.

Posologia

Os opioides são um tipo de remédio. Isso quer dizer que, para cada sintoma e em cada tratamento, diferentes doses são recomendadas. Sendo assim, a posologia depende de fatores que incluem: qual o opioide receitado, se o paciente faz uso de outros remédios, qual a origem da dor, dentre outros.

Efeitos colaterais dos opioides

vaso sanitário

Os opioides como um todo têm efeitos colaterais a curto e a longo prazo. A seguir, você confere alguns dos efeitos mais comuns durante e após se tratar com esse tipo de remédio.

Sonolência

Durante o tratamento com opioides, pode ser que você sinta sonolência. No geral, esse efeito some após alguns dias. 

Constipação

Muitas vezes os pacientes que se tratam com opioides relatam constipação; ou seja, dificuldade para evacuar. Esse efeito colateral, quando observado, se ameniza por adaptações na alimentação e, se for o caso, uso concomitante de remédios próprios para isso. 

Náuseas e vômitos

Da mesma forma que os demais efeitos colaterais, a náusea e o vômito que às vezes surgem pelos opioides pode sumir após algum tempo. Se persistentes, esses efeitos são tratados através de remédios específicos.

Pode acontecer intoxicação por opioides?

Sim, é possível que uma pessoa seja intoxicada por opioides – em especial se ela faz uso sem acompanhamento médico, o que é errado. Em alguns casos, essa intoxicação atinge múltiplos órgãos e pode até levar a óbito. 

Medicamentos opioides mais usados contra a dor

opioides para câncer

A maioria dos opioides são receitados para pacientes que tratam algum câncer. Nesses, os remédios receitados com maior frequência incluem o Tramadol (Tramal), a Hidromorfona (Dilaudid) e a Metadona (Dolophine). 

Combinação de opioides e AINEs

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são aqueles remédios que agem contra processos inflamatórios no corpo. Em dores de grau mais leve, o uso desse tipo de remédio é o suficiente.

Quando há dores mais intensas, a equipe médica pode avaliar e sugerir a combinação de opioides e AINEs é avaliada e sugerida pela equipe médica. É preciso checar a interação entre os dois remédios receitados para cada caso em específico.

Dependência de opioides

A exposição contínua a opioides inicia um processo de habituação. Isto é, o seu corpo se acostuma aos efeitos do remédio, sendo necessárias doses cada vez maiores.

Para que isso não aconteça, a equipe médica responsável pelo seu tratamento deve preparar um projeto de desmame e acompanhá-lo até o momento em que o remédio não será mais necessário.

Como parar de tomar o medicamento?

hospital usa opioides

Dependendo do tipo e tempo de tratamento, você pode ter sintomas de abstinência durante o período de desmame dos opioides – eles não devem ser interrompidos de uma vez.

É preciso acompanhamento médico também nessa fase, para que a interrupção do tratamento seja feita de forma correta e sem riscos.

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