O que o psicólogo pode contar para os pais de menores de idade

Equipe Eurekka

Todo psicólogo ou estudante de psicologia já ouviu que todas as informações que o paciente lhe conta são 100% confidenciais. Mas e quando esse paciente é criança ou adolescente, o que o psicólogo pode contar para os pais?

É comum que os responsáveis queiram saber sobre as queixas de seus filhos e o que eles falam na terapia. Nesse sentido, pode ser que o psicólogo tenha receio e não saiba como lidar com isso, sem desrespeitar o Código de Ética. Pensando nisso, a Eurekka preparou um texto para esclarecer de vez essa dúvida.

Aqui iremos mostrar o que os psicólogos podem contar para os pais, a importância de acordos entre família, terapeuta e paciente, quando o sigilo pode ser quebrado e se há necessidade de autorização para menores de idade receberem terapia. Então, vamos começar?

O que é sigilo profissional?

O sigilo profissional é um princípio ético fundamental que protege a privacidade e confidencialidade das informações compartilhadas entre o paciente e o psicólogo.

Ele garante que todas as informações trazidas durante a terapia sejam tratadas com o máximo de cuidado e não sejam divulgadas sem que o paciente permita. Exceto em situações em que haja risco iminente de danos à vida do paciente ou de terceiros. 

O sigilo profissional é uma parte essencial do trabalho terapêutico, pois cria um ambiente seguro e confiável para que os pacientes expressem seus pensamentos, sentimentos e preocupações sem medo de serem julgados ou de haver repercussões negativas.

O Artigo 9° da seção “Das responsabilidades do Psicólogo”, presente no Código de Ética Profissional do Psicólogo, prevê: “É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional”.

Para menores de idade, o sigilo também vale? 

O sigilo profissional também se aplica a menores de idade. Embora os pais tenham o direito e o dever de acompanhar o bem-estar de seus filhos, é essencial respeitar a privacidade na terapia com crianças e adolescentes.

Isso permite que os jovens pacientes se sintam à vontade para falar sobre suas experiências sem a preocupação de que suas informações sejam divulgadas sem o seu consentimento. Mas é importante destacar que o sigilo tem suas limitações quando se trata de pacientes menores de idade.

O que o psicólogo pode contar para os pais? 

A comunicação entre o psicólogo e os pais tem um papel crucial no processo terapêutico com crianças e adolescentes. Os pais têm o direito de estar envolvidos no tratamento de seus filhos e de receber informações relevantes sobre o progresso terapêutico.

No entanto, é importante equilibrar a necessidade de compartilhar informações com a privacidade e sigilo do paciente. Como pode ser visto no seguinte trecho:

Art. 13 – “No atendimento à criança, ao adolescente ou ao interdito, deve ser comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem medidas em seu benefício”.

Sendo assim, o que o psicólogo pode contar aos pais são informações gerais sobre o processo terapêutico, como o objetivo da terapia, as estratégias utilizadas e o progresso geral do paciente. Essas informações ajudam os pais a entenderem como podem apoiar o processo terapêutico em casa.

Contudo, é crucial que os psicólogos sejam seletivos ao compartilhar informações específicas sobre o conteúdo das sessões. Afinal, o respeito à privacidade do paciente é essencial para construir uma relação de confiança.

Os detalhes íntimos e pessoais compartilhados pelo paciente devem ser mantidos em sigilo, a menos que haja uma necessidade clara de envolver os pais em uma questão específica de segurança ou bem-estar.

psicólogo e paciente adolescente na terapia

A criança pode saber o que o psicólogo contou aos pais? 

A transparência é essencial na terapia com crianças e adolescentes. Assim, dependendo da idade e do nível de maturidade do paciente, é importante considerar sua capacidade de compreensão e autonomia.

Em alguns casos, é apropriado envolver a criança ou adolescente nas conversas sobre o que o psicólogo pode contar para os pais. Isso pode ajudar a promover a confiança e o senso de responsabilidade do paciente em relação ao seu próprio processo terapêutico.

No entanto, é importante ser cuidadoso ao compartilhar informações com o paciente sobre a conversa que se teve com os pais. O objetivo é evitar sobrecarregar o paciente com informações que possam causar angústia ou interferir em seu processo de cura.

Assim, o psicólogo deve avaliar com cuidado a situação e, quando apropriado, envolver o paciente em decisões relacionadas ao que vai contar aos pais dele.

Estabeleça os combinados da família, terapeuta e paciente 

Antes de iniciar a terapia, é necessário estabelecer acordos claros entre a família, o terapeuta e o paciente. Esses acordos devem abordar o que o psicólogo pode contar para os pais e definir os limites do sigilo profissional. Por meio de conversas abertas e honestas, todas as partes envolvidas têm a chance de expressar suas expectativas, preocupações e limites.

Durante essas conversas, é importante discutir a necessidade do sigilo profissional e os tipos de informações a que os pais terão acesso. Além dos motivos pelos quais pode acontecer quebra de sigilo e as situações em que a confidencialidade é crucial.

Esses combinados ajudam a criar uma base sólida para a relação terapêutica e garantem que todos estejam cientes sobre o sigilo e a comunicação.

Saiba mais: Contrato Terapêutico

Quando o psicólogo pode quebrar o sigilo com o paciente menor de idade? 

Embora o sigilo seja essencial na terapia, há situações em que é preciso quebrá-lo para garantir a segurança e o bem-estar do paciente ou de terceiros. Por isso, é crucial que os psicólogos conhecem as leis e regulamentações locais que determinam as situações em que a quebra de sigilo pode acontecer.

Alguns exemplos de casos em que pode ocorrer essa quebra do sigilo profissional são:

  • Suspeita de abuso infantil.
  • Risco iminente de suicídio ou homicídio.
  • Quando a lei exige a divulgação de informações, como em casos de abuso sexual.

E caso haja violação de direitos das crianças e adolescentes, é preciso que a conduta esteja alinhada com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), conforme previsto no artigo abaixo:

Art. 13. “Os casos de suspeita ou confirmação de castigo físico, de tratamento cruel ou degradante e de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais”.

Menores de idade precisam de autorização para fazer terapia? 

É preciso obter a autorização dos pais ou responsáveis ​​legais dos menores para iniciar a terapia. Isso porque os pais são os responsáveis ​​por tomar decisões em nome de seus filhos menores de idade e devem estar envolvidos no processo terapêutico. Isso inclui, por exemplo, a assinatura de formulários que autorizam o tratamento.

Além disso, é importante envolver os pais nas decisões a respeito do sigilo profissional e das informações a que eles terão acesso. Isso pode ser feito por meio de discussões regulares, nas quais os pais podem expressar suas preocupações e receber feedback do terapeuta sobre o progresso do paciente.

sede eurekka

Receba ajuda e conselhos com os casos que atende 

Ao trabalhar com crianças e adolescentes, os psicólogos têm um papel essencial na promoção do bem-estar emocional e físico desses jovens pacientes.

E o sigilo profissional é um aspecto importante desse trabalho, sendo fundamental entender as responsabilidades e limites associados a ele. Manter uma comunicação clara e aberta com os pais e incluir o paciente no processo de tomada de decisão ajuda a garantir uma terapia eficaz e respeitosa para todos os envolvidos.

No entanto, é um fato que o caminho na psicologia pode apresentar muitos desafios, dúvidas e situações inusitadas. Nesse sentido, a Eurekka criou um lugar incrível que pode te ajudar a driblar essas dificuldades e atuar com mais segurança.

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