O impacto do açúcar no cérebro: quando o consumo é prejudicial?

Equipe Eurekka

Você é uma daquelas pessoas que ama um docinho? Ou conhece alguém que não consegue tomar um suco sem colocar açúcar? É um fato que essa substância gera muita polêmica por aí, então no texto de hoje vamos falar sobre o impacto do açúcar no cérebro

Ao contrário do que muitos dizem, o açúcar não é de todo ruim, afinal ele é necessário para que nosso corpo cumpra funções importantes. Assim, é preciso entender qual o limite entre o excesso e o saudável. De forma que você entenda como seu corpo funciona e aja em favor dele!

E para te ajudar, preparamos esse material para que você entenda como o açúcar age no corpo, no cérebro, quais as suas funções no organismo, os impactos negativos e até mesmo o vício!

Boa leitura! 

Texto revisado e aprovado pelo psicólogo Lucas Paulo Rigoni e pelo nutricionista Gabriel Mello Brunelli .

O processo do açúcar no corpo

Existem diversos tipos de açúcares, e eles podem ser encontrados em diversos tipos de alimentos. Assim, que o que determina o processo bioquímico no corpo é o tipo de açúcar que está sendo ingerido. 

O açúcar é um tipo de carboidrato que pode ser dividido entre simples e complexo.

Os carboidratos simples, encontrados no macarrão e biscoitos de farinha branca, refrigerantes com açúcar e pão branco, são processados rapidamente pelo organismo. Ou seja, eles são transformados em glicose de modo muito rápido, assim há um aumento na produção de insulina no pâncreas para que toda essa quantidade de glicose seja transformada em energia para o corpo. 

Assim, com esse aumento de insulina, a glicose baixa e aumenta o apetite.

Já os carboidratos complexos, presentes no arroz integral, aveia, quinoa, pipoca de panela e batata doce, são processados de modo mais lento, pois antes ocorre uma quebra do alimento para depois ser transformado em glicose e depois absorvido.

E, por conta dessa absorção mais lenta, ocorre a sensação de saciedade por mais tempo. 

Qual o impacto do açúcar no cérebro

O açúcar em excesso faz mal, mas na quantidade certa, é muito necessário, inclusive para que o cérebro e o corpo funcionem bem.

Isso acontece porque a glicose age como fonte de energia para o cérebro, ainda mais para os neurônios, que dependem, de modo exclusivo, dessa substância para funcionar.

De acordo com Ramón de Cangas, nutricionista e membro da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética, o cérebro consome, por minuto, 5,6 miligramas de glicose por cada 100 gramas de tecido cerebral.

Assim, o cérebro gasta até 20% da energia total que o corpo fabrica a partir da glicose. Muita coisa, né? Podemos ver então que o impacto do açúcar no cérebro é tanto positivo, quanto necessário, contanto que seja na medida certo e não com exageros e ingestão de alimentos ultraprocessados

radiografia do cérebro para mostrar o impacto do açúcar no cérebro

Por que o corpo e o cérebro precisam de açúcar?

Com as informações acima ficou fácil entender a importância do açúcar! Isso porque a glicose no nosso organismo é uma das principais fontes de energia, de modo que ela é uma das responsáveis por manter as funções cerebrais ocorrendo de modo efetivo.

Mas, então, será que a gente precisa comer açúcar o tempo todo para manter nosso corpo funcionando? A resposta é não!

Apesar de os carboidratos serem uma fonte de glicose, o nosso próprio organismo produz essa substância a partir de diversos outros meios! Como, por exemplo, a partir do glicogênio, que é armazenado no fígado e até mesmo em corpos cetônicos, que é um subproduto das gorduras.

Ou seja, mesmo em uma dieta livre de açúcar, a pessoa não teria nenhum problema relacionado à glicose, no curto prazo, uma vez que o corpo é capaz de obtê-la de outras formas além da alimentação.

Os impactos negativos do açúcar no cérebro

Como citado em tópicos anteriores, apesar de ser necessário, o açúcar em excesso pode causar um impacto negativo no cérebro, no corpo e na qualidade de vida.

Confira abaixo alguns desses efeitos:

Depressão e ansiedade

Quando ingerimos açúcar, o nosso corpo libera serotonina, um hormônio responsável pela sensação de bem-estar. Assim, ao consumir em excesso, a pessoa pode acabar ficando dependente dessa substância. 

Dessa forma, ao criar esse hábito, depois de um tempo na ausência dessa substância e quando os níveis de açúcar começam a cair, ela pode ter sintomas como: ansiedade, queda de pressão e outros. Podendo influenciar, a longo prazo, má regulação emocional e problemas na saúde mental. 

Prejudica a memória e a aprendizagem

Estudos feitos com animais em laboratório mostram que o alto consumo de açúcar pode sim prejudicar a memória e o aprendizado por conta de uma má comunicação entre as células. 

Além disso, tem se observado que o excesso de bebidas adoçadas na adolescência podem resultar em problemas nas habilidades cognitivas na fase adulta.

Alterações de humor

Dentro do sistema límbico, numa das regiões estimuladas pelo açúcar, existe uma pequena região chamada amígdala, onde são processadas as informações emocionais.

E a ativação exagerada dessa região pelo açúcar pode causar emoções exageradas, como medo e ansiedade, ocorrendo assim diversas alterações de humor. 

menino sentado segurando uma garrafa de pepsi

O efeito do açúcar no cérebro das crianças e adolescentes é diferente?

O impacto do açúcar no cérebro das crianças e adolescentes não é diferente, mas, por ainda estarem se desenvolvendo, eles podem ficar mais suscetíveis aos efeitos negativos da ingestão em excesso, como o vício. E isso gera graves consequências, não só durante essas fases, mas para a vida toda.

Lembra aquela proporção que a gente falou? Que o cérebro consome cerca de 20% da energia que o corpo produz a partir da glicose? Pois é, esse número é ainda maior em crianças nas quais o cérebro está se desenvolvendo de modo rápido. 

E, essa função de crescimento e desenvolvimento é regulada pelos neurotransmissores. E, caso ocorra um desequilíbrio grave com eles nessa fase, diversas doenças podem aparecer. Além de problemas no aprendizado, humor e modo de agir. 

Assim, uma dieta de baixa qualidade e com muito açúcar processado pode acabar desestabilizando o equilíbrio químico do cérebro, a cognição e o comportamento. 

Mas não para por aí! Um estudo da universidade UCLA ( Universidade da Califórnia) mostra que “crianças obesas, em comparação com crianças com peso saudável, têm respostas aprimoradas em seus cérebros ao açúcar” (BOUTELLE, 2014).

Ou seja, que crianças obesas podem ter uma maior sensibilidade ao açúcar, de modo que usam alimentos açucarados como recompensa imediata, ativando áreas do cérebro relacionadas ao prazer e ao bem-estar e, assim, levando ao vício

O açúcar e o vício

Pesquisas realizadas na Universidade de Queensland, na Austrália, provaram que os efeitos do açúcar em excesso geram sintomas parecidos com o de consumo de drogas.

Isso porque, como falamos acima, o açúcar estimula a área do cérebro relacionada à recompensa imediata, assim como a nicotina, cocaína, heroína e álcool também fazem.

Então, por conta dessa estimulação que libera dopamina e serotonina, a pessoa pode acabar ficando dependente dessa rápida sensação de prazer e bem-estar.

Como consumir o açúcar de forma saudável

Tudo é uma questão de equilíbrio. Não há problema em comer carboidratos na medida certa, porém comer esse tipo de alimento de modo exagerado pode aumentar muito o açúcar no organismo, o qual será transformado em triglicérides e armazenado como gordura. Então, procure ter uma dieta balanceada!

E não se esqueça de equilibrar também os carboidratos simples e complexos!

Evitar o máximo possível achocolatados, sucos industrializados e refrigerantes, pois, além da quantidade de açúcar ser muito grande, eles fazem mal para a saúde de um modo geral.

Não há problema em comer um chocolate, mas tenha momentos específicos para isso e uma quantidade certa. Por exemplo, três quadradinhos de chocolate meio-amargo depois do almoço. 

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Referências:

Especialista explica como o açúcar age no nosso organismo. Escola de Enfermagem UFMG, 2018. Disponível em: http://www.enf.ufmg.br/index.php/noticias/1249-especialista-explica-como-o-acucar-age-no-organismo. Acesso: 10/01/2023.

Saúde: os efeitos nocivos do açúcar no cérebro. Central Press, 2020. Disponível em: https://www.centralpress.com.br/saude-os-efeitos-nocivos-do-acucar-no-cerebro/. Acesso: 10/01/2023.

BEGGDACHE, Lina. O efeito do açúcar no cérebro de crianças e adolescentes. Jornal Nexo, 2015. Disponível em: https://bityli.com/qt3Jw. Acesso: 10/01/2023.

SORRENTINO, Victor. Os efeitos do açúcar no cérebro que você precisa conhecer. Spa Tour Life, 2020. Disponível em: https://tourlife.com.br/efeitos-do-acucar-no-cerebro/. Acesso em: 10/01/2023.

University of California, San Diego Health Sciences. Obese children’s brains more responsive to sugar. ScienceDaily, 2014. Disponível em: https://www.sciencedaily.com/releases/2014/12/141212091748.htm. Acesso: 10/01/2023.

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