Neuropatia periférica: o que é, sintomas e como identificar

Isabela Furlan Franchello

Você, por acaso, já ouviu alguém dizer que tem a doença neuropatia periférica? Ou nunca ouviu esse termo? Concorda que, de primeira, ele sugere algo ligado à neurologia? Então você está correto! Mas siga a leitura, pois aqui iremos esclarecer os principais pontos sobre essa entidade patológica. Acompanhe!

Neuropatia periférica (NP) não é uma doença única. Ou seja, é um nome geral para a condição que afeta os neurônios (células que compõem os nossos nervos). Contudo, a causa pode ser várias outras doenças.

neuropatia periférica

O que é neuropatia periférica?

Nosso sistema nervoso é distribuído por todo o nosso corpo. Assim, ele se divide em dois: o sistema nervoso central, que tem nosso cérebro e medula espinhal (na coluna vertebral); e o sistema nervoso periférico, que tem os nervos que estão em todos os nossos órgãos e membros.

Esses nervos conduzem as informações dos estímulos que recebemos do meio para o nosso cérebro processar. Então, voltam com a resposta para os órgãos e membros para que os músculos se contraiam e nos permitam gerar ações. Ademais, os nervos periféricos se dividem em cranianos, de tronco e de membros.

A neuropatia periférica (NP) é uma condição genérica que indica que esses nervos estão com uma lesão. Eles são do sistema nervoso periférico, e estão sofrendo algum tipo de lesão.

Além disso, a lesão nervosa pode ocorrer em alguma das 3 funções do nervo:

  • Na via sensitiva, que é a parte do nervo que “sente” os estímulos externos e leva essa informação ao sistema nervoso central;
  • Pode ser também na via motora, que é a parte do nervo que leva a informação do sistema nervoso central para a contração de um músculo, que causa “movimento” em resposta ao estímulo recebido;
  • Por fim, na via autônoma, que é a parte do nervo que leva a informação do sistema nervoso central para uma víscera ou órgão que precisa de contração, mas que ocorre mesmo sem a nossa vontade – a contração do nosso intestino para os alimentos que comemos, por exemplo.

Sintomas mais comuns de neuropatia periférica:

várias apresentações clínicas para um paciente que tem a condição. Ou seja, não há um conjunto de sintomas único que mostra que o paciente sofreu algum tipo de lesão nos nervos periféricos. Por isso, ao falar com o médico, você deve incluir tudo de diferente possa ter visto no seu corpo.

A manifestação clínica mais comum, contudo, de uma neuropatia periférica, pega segmentos nervosos das pontas (braços, mãos, pernas e pés), de forma simétrica, no antebraço direito e no esquerdo, por exemplo. Além disso, surge também grande parte das vezes na via sensitiva, que te deixa insensível ao toque, à temperatura e/ou à pressão na região do nervo lesado.

A lesão da fibra nervosa pode gerar, ao mesmo tempo, sintomas e sinais negativos e positivos que indicam a perda da função daquele segmento nervoso. Por sua vez, causam “excesso” de função. Ou seja, o paciente vai sentir os estímulos mais intensos do que antes ou vai ter uma contração muscular mais intensa que a normal.

Os sinais e sintomas motores negativos podem ser:

Além disso, os positivos são:

  • tremores;
  • cãibras;
  • rigidez;
  • espasmos musculares no membro da lesão do nervo.

 Os sinais e sintomas sensitivos negativos incluem:

  • dormência;
  • diminuição ou ausência de estímulos (anestesiamento).

E os positivos:

  • formigamento;
  • sensação de picada;
  • queimação;
  • coceira;
  • dor na região de lesão nervosa.

Além disso, ligadas às manifestações que mostram a lesão da via sensitiva e/ou da motora, o paciente pode, ainda, ter alguns sintomas que indicam a lesão na via autonômica do nervo, como:

  • olhos secos por produzir menos lágrimas;
  • boca seca pela baixa produção de saliva;
  • não conseguir suar ou suar em excesso;
  • impotência sexual;
  • mudanças no ritmo dos batimentos cardíacos e na pressão arterial, entre outros.

Causas da neuropatia periférica

Há mais de 100 condições clínicas que determinam a lesão do nervo periférico. Além disso, em mais da metade dos casos, as causas encontradas são de origem metabólica, tóxica e nutricional. Ademais, outras causas podemos identificar como inflamatórias (infecciosas e não infecciosas) e degenerativas ou ditadas pela genética.

As causas que se sobressaem são:

diabetes causa neuropatia periférica

Diabetes

A NP é uma das quatro maiores complicações do paciente diabético. Em geral, ela está ligada ao diabetes de longa duração e de controle glicêmico inadequado. Ademais, estudos mostram que, após 20 anos de doença, 50% dos pacientes têm a neuropatia periférica como complicação do diabetes.

Doenças autoimunes

Estas doenças mostram um anticorpo que reconhece alguma parte do nervo como se fosse uma parte estranha. Isso causa um processo inflamatório e, por isso, a lesão. São alguns exemplos: lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, vasculite necrotizante.

Alcoolismo

O consumo de álcool de forma crônica pode ser ruim para a nutrição geral da pessoa e dificultar a absorção de vitaminas essenciais para os nervos funcionarem.

Infecções

A presença de doenças infecciosas causa NP se o micro-organismo que causa a doença passar a barreira do sangue e chegar aos nervos. Os exemplos são: hanseníase, HIV, hepatite C e varicela-zoster e difteria. Além disso, a lesão no nervo pode ser secundária à inflamação que o micro-organismo causou no corpo; a Síndrome de Guillain-Barré é um tipo de NP que pode vir depois de uma infecção prévia, entre 1 e 4 semanas.

Exposição a agentes tóxicos (venenos e remédios)

Vários remédios e toxinas industriais são tóxicos para os nervos periféricos, como metais pesados e quimioterápicos.

Pressão ou trauma no nervo

Traumas como acidentes, quedas, fraturas ou lesões esportivas podem dar dano no nervo periférico. Ademais, a repetir muito as mesmas ações pode pressionar o nervo e causar a NP. Por fim, quando o nervo passa por estruturas estreitas, pode se comprimir, como a Síndrome do Túnel do Carpo.

câncer e tumores

Tumores

A presença de um tumor pode comprimir o nervo e causar uma lesão. Por isso, é vital sempre fazer exames de rotina e falar com seu médico sobre sintomas e sinais que percebe no dia a dia.

Doenças hereditárias

Há algumas doenças hereditárias que chegam no sistema neurológico e causam neuropatia, como a Doença de Charrot-Marie-Tooth.

Deficiências nutricionais (falta de vitaminas)

A falta de vitaminas pode ocorrer por estados clássicos de má nutrição, como alcoolismo, idade avançada, gravidez, anorexia nervosa, entre outras. Além disso, pode vir de mudanças do trato gastrointestinal, como cirurgias bariátricas e doença inflamatória intestinal. As vitaminas que mais estão ligadas com a NP são as do complexo B (B1, B6 e B12, em especial), que fazem parte da transmissão do impulso elétrico nos nervos.

Outras doenças

Por fim, um paciente crítico internado em UTI pode ter problemas neurológicos e apresentar a NP, ou doenças como hipotireoidismo, doença renal, doença hepática e doenças do tecido conjuntivo podem causar a NP.

Como é feito o diagnóstico da neuropatia periférica?

O diagnóstico da neuropatia depende da história clínica do paciente e do padrão de acometimento dos nervos identificado através de exame físico feito pelo médico.

Exames necessários

Confirmamos a condição quando se soma a essas informações os exames laboratoriais, que envolvem a avaliação de todas as possíveis causas. Além disso, a eletroneuromiografia também é útil. Ela é um exame capaz de registrar a condução do impulso elétrico em um nervo, além de avaliar a contração muscular após esse impulso em um movimento.

médica

Neuropatia periférica tem cura?

De uma forma geral, a neuropatia periférica pode ser curada após tratar da forma certa. Como é uma condição ditada pela presença de outra doença prévia, a cura da neuropatia periférica depende da recuperação da doença que está causando a lesão nervosa.

Contudo, em alguns casos, se torna um problema de difícil resolução. Isso pois tratar a moléstia causadora também é difícil. A cura total também depende do grau de lesão que o nervo sofreu e, às vezes, o nervo pode ficar com alguma sequela, mesmo após tratar a doença inicial.

A mudança do quadro ocorre sempre que há resolução da doença de base. Entretanto, há o tratamento sintomático para as dores e desconfortos causados pelo dano ao nervo. O paciente pode fazer uso, sempre de acordo com as indicações médicas, de remédios para dor nos nervos, como anticonvulsivantes, antidepressivos, opioides e derivados.

Cuidados e complicações da neuropatia periférica

Além disso, faz parte dos cuidados indicar reabilitação e terapia ocupacional que podem iniciar antes do esclarecer a etiologia de forma definitiva. Além disso, vão ajudar a recuperar a função do nervo que se lesionou. Em casa, o paciente também precisa adotar alguns hábitos, como retirar tapetes e fios soltos, instalar corrimões e apoios em banheiros, sempre usar calçados para a proteção de possíveis machucados nos pés e evitar cortar unhas muito curtas.

Por fim, o paciente também precisa ficar de olho às problemas que podem ocorrer, como uma queimadura por não sentir a temperatura, ou a ocorrência de infecções de pele (feridas) devido à perda da sensação de dor.

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Isabela Furlan Franchello

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