Maturidade: 4 Atitudes Diárias de uma Pessoa MADURA

Henrique Souza

Você se acha psicologicamente maduro? Eu diria que grande parte das pessoas que se acham maduras, na verdade, não são, porque a gente perdeu a noção do que é a maturidade. Então, eu quero explicar a fundo para você o que a gente entende como maturidade psicológica.

E mais: você vai conhecer quatro atitudes diárias para ser uma pessoa mais madura. Afinal, a Eurekka também quer te ajudar a ser uma pessoa mais corajosa e madura para resolver as questões emocionais do cotidiano. Então, vamos lá, rumo à maturidade.

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O que é ser uma pessoa madura?

Uma pessoa psicologicamente madura é aquela que já aprendeu a integrar os seus desejos, as suas emoções e as coisas que ela faz. Deu para entender?

Vou deixar mais simples: nós temos as coisas que a gente quer, as que a gente sente e as que a gente faz. E, numa pessoa imatura, essas três coisas estão desalinhadas. Então, ela quer uma coisa, mas ela faz outra e sente uma outra cem por cento diferente.

Ou, às vezes, duas dessas três coisas estão alinhadas. Ela consegue alinhar as emoções com o que ela faz, então, é uma pessoa muito impulsiva. Mas, na verdade, o que ela quer na sua vontade, sobre quem ela gostaria de ser, ela não consegue concretizar.

Uma pessoa madura é aquela  que está se aproximando desse “alinhamento dos planetas” e integra a vontade, as emoções e as ações.

Quatro atitudes diárias para desenvolver a maturidade psicológica

As quatro atitudes que vou desenvolver com você são atitudes para você ser uma pessoa cada vez mais madura.

1. Saber esperar

A primeira das atitudes é perceber quando a poeira está alta e deixar a poeira baixar. O que acontece é que a pessoa imatura tem uma dificuldade muito grande com o verbo esperar. Ela não consegue esperar. Esperar o quê? Esperar para concretizar os seus desejos, para falar alguma coisa, para perguntar, esperar para investigar…

A pessoa imatura tem que fazer tudo agora. Então, alguém incomodou você e você tem que responder agora. Você ficou frustrado com o negócio, e você tem que chorar agora, já que não sabe como lidar com a frustração. A pessoa parece uma criancinha de dois anos.

A diferença é que a criança tem o direito de ser imediatista, pois é da natureza dela. Ela ainda não entende direito o tempo. Os adultos já entendem, portanto, agir assim é imaturo, ou seja, não é coerente com a sua idade.

Enquanto isso, a pessoa madura consegue, primeiro, olhar para a emoção que ela está sentindo e aceitar. “Pô, estou mesmo sentindo raiva, tô P da vida agora” ou “eu estou muito triste” ou “eu estou com muita vontade de comer sushi”.

Contudo, isso não vai determinar cem por cento das atitudes dessa pessoa. Afinal, ela não é um bichinho. Pode estar sentindo fome, raiva, tristeza, mas vai esperar a poeira abaixar para, depois, tomar a sua decisão.

Ou seja, se eu estou irritado, vou esperar a situação toda acontecer. Depois, vou ver o que eu faço. Eu estou com muita vontade de comer um certo doce, mas eu vou esperar 15 minutos para ver se eu preciso mesmo comê-lo. Depois, talvez, eu faça o pedido, se eu estou com condições.

Essa capacidade de parar, esperar e refletir é uma das chaves da maturidade.

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2. Sem chilique

A segunda atitude é você ser capaz de falar no privado quando algo magoou você.

O que acontece com a pessoa imatura? Ela, por um lado, tem o desejo de se sentir compreendida e de ter algum tipo de justiça, quando ela sente que foi injustiçada. Mas, por outro lado, o que ela tem na emoção é o medo de falar diretamente com o outro, porque está dominada pela raiva e pelo ressentimento. O resultado disso é não puxar aquela conversa necessária para esclarecer o ocorrido.

Ela diz: “Não sou eu que tenho que puxar essa conversa, é a pessoa que tem que vir falar comigo”. Então, a gente tem um desalinhamento. Ou seja, a vontade de ser compreendida a empurra para falar com a pessoa ou com alguém. E, então, a emoção de medo a afasta de falar com a pessoa. A isso a gente dá o nome de desintegração.

E qual é a atitude que a pessoa ressentida tem?

  • fazer fofoca daquela pessoa pelas costas. Então, em vez de falar com a pessoa, ela vai criticar e espalhar uma fofoca; ou
  • vai fazer um escândalo na frente do outro, para que ele seja humilhado.

É a busca pela justiça através da humilhação ou da fofoca, ou seja, uma atitude muito imatura mesmo, resultante da falta de conexão entre vontade, emoções e ações.

Como uma pessoa madura resolve os problemas

A pessoa madura  raciocina da seguinte forma: “eu já pisei na bola desse jeito com alguém no passado? Talvez não tenha sido bem o mesmo erro, mas acho que já fiz isso com alguém antes.” Ela percebe que também já foi mal entendida por alguém no passado. E, então, pensa: “como que eu gostaria que tivessem conversado comigo nessas situações?”

Você gostaria que explodissem em público com você? Você gostaria que tivessem feito fofoca sobre você? Não, certo? A pessoa madura pensa em fazer com o outro o que gostaria que fizessem com ela. “Eu gostaria que tivessem vindo falar comigo no privado, explicando a situação, e me dado a oportunidade de desfazer esse mal entendido”. Essa é a atitude de uma pessoa madura.

Ela procura de maneira discreta a pessoa, conversa, tira a limpo a situação e dá oportunidade para a outra pessoa se explicar e desfazer a confusão. Isso tem tudo a ver com ter uma grande maturidade emocional.

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3. Saber priorizar

A terceira atitude não tem nada a ver com a sua relação com os outros, mas com a relação com você mesmo. Saber priorizar tem a ver com a noção clara das tarefas mais importantes do dia, e como você organiza a sua rotina saudável, levando em consideração as três dimensões da maturidade: vontade, emoção e ação.

No caso de uma pessoa imatura, por um lado, ela tem a vontade de ter um dia produtivo. Mas ela tem emoções que vão contra esse dia produtivo: desânimo, preguiça, distrações.

E o que acaba acontecendo? Ela acaba seguindo muito mais as emoções e se distraindo, ficando preguiçosa e desanimada. E ela não consegue concretizar a vontade mais elevada dela, a mais nobre, que é de ter um dia produtivo. Ela não tem a menor ideia sobre como parar de procrastinar.

Então, a pessoa imatura passa o dia inteiro fazendo pequenas tarefas e, no fim do dia, ela sente que andou dez centímetros para todos os lados. Enquanto isso, a pessoa madura foca no que é mais importante e sabe com precisão quais são as top missões daquele dia. Por isso, ela termina o dia sentindo que andou 10 quilômetros na direção do que mais importa.

A pergunta é: você quer terminar o dia andando dez centímetros em todas as direções ou terminar o dia andando dez quilômetros na direção do que mais importa?

Como ser maduro nas suas decisões

A pessoa madura aprendeu a integrar emoções, vontade e ações de uma forma que, mesmo tendo um monte de coisa puxando a sua atenção, ela escolhe as quatro ou cinco tarefas que vão ter o maior impacto no que mais importa. E, assim, ela foca só naquilo no dia.

Agora, se você está se sentindo culpado ou triste, pois você até agora “pontuou” muito mais do lado imaturo do que do lado maduro, fique tranquilo. Todos nós temos dias mais maduros e mais imaturos e a gente vai construindo esses hábitos que formam a nossa maturidade. Criar hábitos também é um passo para ser uma pessoa madura.

4. Saber usar as expressões mágicas

Por fim, o último sinal e um dos mais legais de todos. Ele tem a ver com três expressões que a pessoa madura usa com frequência e sabe usar com sabedoria. Porque a quarta atitude diária para tornar você uma pessoa mais madura é saber usar as palavras por favor, me desculpe e obrigado.

Eu não acho que você seja culpado por não saber usar essas palavras. Muitos de nós nascemos em famílias que não tinham esse hábito,  as pessoas nunca pediam desculpas, nem admitiam que estavam erradas. Ou elas achavam que todo mundo devia tudo para elas, então elas nunca pediam “por favor”.

Eu sei que a forma como você viveu na sua família influenciou muito quem você é hoje. Acontece que não somos seres marcados para sempre, afinal, temos a capacidade incrível de mudar e adaptar. Sendo assim, coloque esses bons hábitos na sua vida e se torne uma pessoa mais madura.

A verdade é que, se você quer ter uma relação profunda com qualquer pessoa, você tem que saber pedir “por favor, agradecer e pedir desculpas”. São habilidades básicas de qualquer relação. Amizades verdadeiras são construídas com base nessas palavrinhas mágicas.

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Seja você a mudança

Se você está lendo esse texto agora, significa que você tem alguma liberdade e alguma independência para quebrar esse ciclo que foi o ciclo da sua família, de não saber pedir desculpas. E, assim, pode se tornar uma pessoa educada e gentil. A maturidade te espera.

Ao contrário do que foi para eles, você pode criar novas relações, relações que eles nunca souberam ter. Você só precisa começar a prestar atenção em como você usa o “por favor”, o “desculpe” e o “obrigado”.

Eu confesso que eu adorei estar com vocês aqui, hoje. Eu adoro bater esse papo com vocês. Então, não deixe de continuar acompanhando nossos posts no blog da Eurekka. Além disso, siga a gente nas redes sociais: Instagram, Facebook e Youtube.

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Henrique Souza

Henrique é psicólogo pela UFRGS, atuando na clínica com a Abordagem Analítico-Comportamental, apaixonado por criatividade e comunicação e co-fundador da Eurekka, a startup de Psicologia que se tornou a maior rede de psicoterapia do Brasil. Além de fazer mais de 3000 sessões por mês, a Eurekka também oferece telemedicina, um clube de assinatura, franquia para Psicólogos e outros produtos

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