Depressão refratária: o que é e como proceder para o combate

Henrique Souza

Você já ouviu falar em depressão refratária? O termo se refere a uma depressão que resiste ao tratamento. Mas não se assuste, pois isso não quer dizer que não seja possível combatê-la.

No texto de hoje, você não só vai saber tudo sobre depressão refratária, como também vai aprender a identificá-la. Além disso, vai entender quais são as formas de tratar esse transtorno depressivo.

O que é depressão refratária?

Depressão refratária é o nome que os profissionais da saúde dão para um caso de depressão que não teve a remissão dos sintomas depois de tratar isso com remédios. Ou seja, se depois de terminar o tratamento convencional com antidepressivos, os sintomas não melhoraram. Então, a pessoa é diagnosticada com depressão refratária.

Muita gente acha que depressão refratária é um transtorno raro, mas na verdade ele é muito mais comum do que você imagina. Afinal, 50% das pessoas que se tratam com antidepressivos não têm a remissão dos sintomas.

Por isso, não se sinta sozinho. Se você está frustrado que você não melhorou cem por cento a sua depressão ao se tratar com remédios, saiba que outras pessoas passam pelo mesmo.

Como identificar a depressão refratária? 

tristeza, depressão

O critério mais importante para dizer se alguém tem depressão refratária é que ela tenha feito o tratamento completo e que os sintomas da depressão não tenham melhorado. Se os sintomas melhoraram um pouco, mas a pessoa ainda tem sinais de depressão o suficiente para receber o diagnóstico de depressão, então a pessoa tem depressão refratária. 

Além disso, é muito importante dizer que a depressão refratária é uma depressão que resiste ao tratamento com remédios. Ter depressão refratária, portanto, não significa que você é “imune” à psicoterapia ou métodos de mudança de hábitos, por exemplo.

Quais são as causas da depressão refratária? 

Não há só uma causa para depressão refratária. Mas, sim, vários fatores que aumentam ou reduzem a chance de você ser resistente ao tratamento.

Desistir do tratamento com remédios antes dele ter finalizado

Um desses principais fatores é se você desistiu do tratamento com remédios antes dele ter acabado. Isso pode interromper o ciclo do remédio antes que os efeitos benéficos pudessem surgir.

Dosagem incorreta do remédio

Outro fator pode ser uma dose incorreta do remédio. Ou seja, o seu médico ou psiquiatra pode ter receitado uma dose do remédio muito abaixo do necessário para o seu corpo criar os efeitos terapêuticos desejados.

É bom comentar que isso não indica que o médico é ruim, nem que ele fez isso de propósito. É normal que, no início do tratamento, vá se ajustando a dose do remédio, até conseguirmos entender cem por cento o jeito que seu corpo reage à ele.

Diagnóstico incorreto

Ou ainda, outro fator pode ser um diagnóstico feito errado. Ou seja, o seu psiquiatra ou médico pode ter feito o diagnóstico de depressão, mas na verdade você tem o diagnóstico de bipolaridade ou de borderline, ou outro que precisasse de outro remédio. Então, esses são alguns dos fatores que podem aumentar a chance de você ter depressão refratária.

Quais são os sintomas da depressão refratária? 

homem sentado triste - depressão refratária

Os sintomas da depressão refratária são os mesmos da depressão. O termo “depressão refratária” é só um termo usado pelos profissionais da saúde para indicar que aquela pessoa se tratou, mas que os sintomas não foram embora.

Como você já deve saber, os cinco sintomas principais da depressão são:

  • O humor mais deprimido na maior parte dos dias; 
  • Mudanças no seu sono, tanto para cima quanto para baixo; 
  • Mudanças no seu peso e no seu apetite, tanto para cima quanto para baixo; 
  • Dificuldade de sentir prazer nas atividades diárias; 
  • Maior dificuldade em se concentrar nas tarefas.

Um teste criado por psicólogos da Eurekka também pode ajudar você a descobrir se você sofre com depressão.

Quais são os possíveis tratamentos para o combate da depressão refratária? 

Agora que você já entendeu o que é depressão refratária, você talvez esteja pensando que não tem como sair disso. Mas é aí que você se engana! Não é porque você não conseguiu se tratar com os remédios que outras formas de tratamento não vão ter efeito.

Por isso, veja a seguir quatro outras possíveis formas de se tratar e combater a depressão refratária.

tristeza, depressão

Psicoterapia

Primeiro de tudo, se recomenda que você faça psicoterapia. A sua depressão ser resistente a remédios não significa de maneira nenhuma que ela é resistente à terapia.

Por isso, fazer uma terapia comportamental, focada em mudança de hábitos e aumento do prazer e da produtividade da sua rotina, pode ser a sua melhor opção para dar o primeiro passo para curar os sintomas da depressão. 

Troca da medicação

Outra opção muito boa é conversar com seu psiquiatra sobre trocar os remédios. A sua resistência a um tipo de remédio pode não ser a mesma resistência a outro tipo de remédio. É muito comum que a pessoa com depressão não se adapte aos primeiros remédios que o psiquiatra receita e precise trocar a marca ou o tipo de remédio. 

Eletroconvulsoterapia

Um terceiro jeito de tratar é eletroconvulsoterapia. Contudo, não se assuste com o nome! Na eletroconvulsoterapia, você recebe choques elétricos em partes específicas do seu cérebro, e isso promove uma melhora de alguns sintomas da depressão.

Quando você escuta a ideia de choque elétrico, talvez você imagine uma câmara de tortura em que vão prender você e fazer você tremer numa cadeira. Mas a eletroconvulsoterapia não é isso, então, fique tranquilo.

Ela é um tratamento que você faz de forma voluntária, que não tem dor, em que você recebe anestesia e tem pouquíssimos efeitos colaterais. O lado bom é que a ciência já avançou muito desde a época em que se usava eletrochoque para torturar as pessoas e acalmar pessoas rebeldes. Então, a eletroconvulsoterapia é muito mais terapêutica do que isso.

Potencializador de antidepressivo

Por fim, também vale a pena conversar com o seu psiquiatra sobre adicionar novos remédios. Muitos pacientes percebem uma melhora grande nos sintomas de depressão quando eles mantêm um remédio que eles já estão tomando e adicionam um novo remédio de uma outra categoria.

Assim, junto com o remédio antidepressivo, a pessoa pode tomar um estabilizador de humor, por exemplo. Ou, ainda, um benzodiazepínico, ou outra categoria de remédio, e essa mudança potencializa o antidepressivo que estava resistente.

Quanto tempo demora para o médico descobrir que o remédio não faz efeito? 

medicamentos, antidepressivos

O tempo que demora para um médico descobrir que o remédio não faz efeito de forma natural depende de qual remédio é. É por isso que é vital você ter conversas sinceras e abertas com o seu psiquiatra.

Ele é o especialista que vai dizer para você quanto tempo você deve esperar para ver os efeitos daquele remédio. Como regra geral, é possível ver se o remédio está funcionando a partir de três meses, mas ainda assim é vital você conversar com seu médico ou psiquiatra.

É sempre preciso usar um potencializador de antidepressivo nos casos de depressão refratária? 

Não, nem sempre o seu médico vai receitar um potencializador de antidepressivo. Muitas vezes, manter o remédio que você está usando e adicionar psicoterapia, exercício físico, mudança de hábitos, já vai ser o suficiente para desbloquear a regeneração dos sintomas.

É possível que o paciente tenha alguma intolerância ao medicamento? 

Sim, há uma hipótese de que alguns pacientes têm tolerância aos remédios mais comuns contra a depressão, que são os inibidores seletivos da receptação da serotonina. No entanto, ainda não há um teste laboratorial para determinar se a pessoa tem essa resistência antes de começar a se tratar. 

O profissional testa medicamentos diferentes até encontrar o ideal? 

A resposta é sim, uma boa parte do trabalho do seu psiquiatra é achar, testando e errando, o remédio que mais faz sentido para seu corpo.

É triste, mas a gente ainda não entende cem por cento o cérebro e o corpo humano. Por isso, muito do trabalho do médico é manter você motivado e fazer vários experimentos até achar a combinação certa de remédios para você.

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sede presencial da Eurekka

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Henrique Souza

Henrique é psicólogo pela UFRGS, atuando na clínica com a Abordagem Analítico-Comportamental, apaixonado por criatividade e comunicação e co-fundador da Eurekka, a startup de Psicologia que se tornou a maior rede de psicoterapia do Brasil. Além de fazer mais de 3000 sessões por mês, a Eurekka também oferece telemedicina, um clube de assinatura, franquia para Psicólogos e outros produtos

12 replies on “Depressão refratária: o que é e como proceder para o combate”

Fui diagnosticada recentemente com depressão refratária. Faço tratamento desde 2015 e não houve uma melhora total. Este ano encontrei um bom psiquiatra e juntos estamos investindo pesado na minha recuperação. A ciência está bem mais avançada. Fiz um teste psicofarmacogenetico pra avaliar quais medicações eram mais indicadas no meu caso e agora estamos avaliando a infusão de ketamina ou a eletroconvulsoterapia. São dois tratamentos que ninguém tinha proposto anteriormente e quem sabe sejam úteis pra vocês também. Estou com medo, mas tentando ser confiante.

Olá, tenho depressão faz 10 anos,nos primeiros 5 anos,tinha recaídas,porém os remédios faziam os efeitos e, logo ficava bem,porém nos últimos 5 anos,não tenho paz,não há remédio que dê jeito,tomei vários,uma única vez que fiquei um pouco melhor,foi quando comecei tomar Quetiapina,não sei o motivo,parou de fazer efeito,não sei mais o que fazer,só Deus para me salvar.

Sofro de depressão há 17 anos , já fiz incontáveis tratamentos e não consigo sair desse quadro horrível de desânimo , apatia, tristezas. O q devo fazer pra sair dessa vida louca? Se é q posso chamar isso de vida.

Desde q tenho consciência de que sou gente sofro com transtorno de humor, tristeza, angústia, medo, desânimo… aos 17 anos tive uma primeira crise convulsiva e nunca mais parou. Hoje, depois de uma tomografia cerebral,foi diagnosticada uma calcificação no cérebro. Já tratei com diversos medicos psiquiatras, neurologista, psicoterapeutas, fiz uso de diversos antidepressivos associados. E ñ melhoro. Ñ sei mais o q fazer nem o q pensar.

Sofro de depressão a mais de 5anos, e já experimentei mais de 8 tipos de medicamentos, como excitalopra, velafaxina, fluoxetina, clonazepam, etc. Hj faço uso de Veligi, carboligiun, respiredona e alprazolam. E mesmo tomando esses medicamentos, não melhoro ,pois, não tenho ânimo prá nada, uma indisposição pra tudo, já não aguento mais essa vida, gostaria de uma orientação que devo fazer?

Oi Flávio, tudo bem? É realmente muito difícil essa situação e a gente entende a sua dor. Você já está fazendo psicoterapia? Se sim, talvez o caso seja trocar de terapeuta, ou conversar com o seu terapeuta sobre como você tem se sentido (que não vê melhora, que não tem ânimo). Faz sentido para você?

Sofro de depressão há 17 anos , já fiz incontáveis tratamentos e não consigo sair desse quadro horrível de desânimo , apatia, tristezas. O q devo fazer pra sair dessa vida louca? Se é q posso chamar isso de vida.

Oi Flávio, te entendo perfeitamente… tem 1,4 anos que estou passando por isso. Fui diagnosticada com depressão grave refratária; cheguei a passar meses na cama e apesar de uma pequena melhora não tenho energia para nada; não me reconheço como pessoa, nunca fui assim. Já tomei vários tipos de combinações, terapias coadjuvantes etc… a única coisa que ainda não fiz foi à eletroconvulsoterapia; te desejo cura assim como desejo para mim e a todos que passam por isso. Abs!

Já passei por vários psiquiatras já tomei vários antidepressivo e nenhum me ajuda ..Estou a 20 anos assim, as vezes tenho vontade de desistir…

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