Colecistite aguda e crônica: o que é, sintomas e como tratar

Maria Antonieta Nobre de Lima Furtado

Você sente dores frequentes na parte direita abaixo da costela? Então fique atento! Esse pode ser um caso de colecistite, uma doença inflamatória que acomete a vesícula biliar. E, por mais que ela seja até comum, pode causar muitas danos à saúde, ainda mais quando não tratada do modo correto.

Por isso, é muito importante entender o que é a colecistite e quais os sintomas. Pois, assim, você poderá procurar um médico, caso se identifique. Ou até mesmo para você que já recebeu o diagnóstico, mas quer saber mais sobre o assunto!

Boa leitura!

O que é colecistite?

No idioma dos médicos, tudo que termina em “ite” quer dizer inflamação. Ou seja, são reações do corpo a alguma lesão lá dentro. Então, a colecistite é a inflamação na vesícula biliar, em geral causada por um cisto, que também chamamos de cálculo, ou a famosa “pedra” na vesícula.

Também podem aparecer como um acúmulo de substâncias mais pastosas, como se fosse uma lama. É o que chamamos de colecistite alitiásica, que vamos explicar mais pra frente. Na qual, independente do motivo, há algum bloqueio de algum dos canais por onde passa a bile.

E essa barreira física impede a passagem da bile, causando um congestionamento. Por isso, o corpo reage enviando substâncias para o local, que iniciam o processo inflamatório.

mulher sentindo dor por causa da colicistite

Colecistite aguda

A colecistite aguda é aquela que aparece de repente. Sendo que, nesse tipo, a maioria dos casos se liga com os cálculos biliares — ou pedras, como são chamados.

Apesar de os cálculos não surgirem do nada, a mudança de local deles é que causa o problema súbito. No início da colecistite, não é comum ter infecção, mas ela pode surgir depois.

Causas

Os cálculos biliares podem surgir por várias causas. Como, por exemplo, a prática repetida de jejuns prolongados, inclusive os provocados por alimentação intravenosa, que causam a estase biliar.

Ou seja: a bile fica muito tempo parada na vesícula e começa a formar as pedras. Além disso, deficiências no sistema imunológico e inflamações dos vasos sanguíneos (vasculites) também podem causar colecistite.

Principais sintomas

O primeiro sinal de alerta costuma ser a dor, sozinha ou quando alguém ou algo encosta na região. Ela costuma estar na parte frente do corpo, do lado direito, perto da parte de baixo das costelas. Além disso, algumas pessoas podem ter náusea e vômitos.

Após algumas horas, a dor pode piorar quando a pessoa respira fundo e encosta com firmeza no local. Esse é um teste que os profissionais podem fazer, chamado sinal de Murphy.

Além disso, um sintoma bem importante para diferenciar a colecistite aguda do quadro crônico é a febre.

Colecistite Alitiásica

A colecistite alitiásica é um caso de colecistite aguda, só que mais grave. Ao invés das pedras, o que atrapalha o fluxo da bile é uma lama, formada pelos mesmos componentes dos cálculos. Em geral, ocorre em pessoas que já estão mais doentes. E se não tratada, pode levar à morte em 65% dos casos.

Principais sintomas

Por ocorrer mais com pessoas doentes, muitos sintomas podem passar despercebidos. Sendo eles: Abdômen inchado, região sensível e febre sem causa conhecida.

As inflamações podem ser graves, podendo perfurar a vesícula ou iniciar gangrena na região.

pedras biliares

Colecistite crônica

Até agora você já entendeu o que é a colecistite, os casos agudos e alitiásicas. Mas o que é a colecistite crônica?

Um quadro crônico é aquele que dura por muito tempo. Quando os cálculos se mexem, pelas contrações do órgão, podem mover as pedras e tampar e destampar os ductos de entrada e saída da bile. Com isso, a vesícula fica retraída, com as paredes mais grossas.

Causas

A repetição desses entupimentos pode ter como causa episódios anteriores de colecistite aguda. Ainda que as pedras tenham sido tiradas, se os médicos mantiveram a vesícula, a colecistite pode reaparecer, como em muitos casos.

Principais sintomas

Assim como no quadro agudo, há dor na região e sensibilidade na pele próxima. A frequência e intensidade da cólica biliar não está ligada com o tamanho da inflamação. E, vale lembrar que os casos crônicos, em geral, não vêm junto de febre.

Diagnóstico: qual médico procurar?

O médico pode fazer o diagnóstico da colecistite com base nos sintomas do paciente. Sendo que ele pode confirmar o diagnóstico por alguns exames de imagem, que vamos ver a seguir. Como os episódios mais comuns são de dor aguda, recomenda-se buscar um serviço de prontoatendimento. Lá, o médico de plantão vai avaliar o caso.

Colecistografia

No exame de colecistografia, o médico injeta contraste na veia do paciente. Ele consegue ver essa substância ao passar pelo fígado e pela vesícula biliar. Caso ele não veja a vesícula, a suspeita de bloqueio por um cálculo aumenta. Entretanto, esse método é mais usado em casos de colecistite aguda de difícil diagnóstico ou suspeita de colecistite alitiásica aguda.

ultrassom colecistite

Ultrassonografia

O aparelho de ultrassom é o melhor método para confirmar a presença de cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula ou a presença de líquidos ao redor. Apesar de ser um método não-invasivo, a pessoa com colecistite pode sentir algum desconforto ao passar a ponta do aparelho na pele próxima à região afetada.

Exames de sangue

Os exames de sangue não são o melhor método para confirmar a hipótese diagnóstica de colecistite, pois os valores podem estar normais. Mas eles são bons para avaliar como o fígado está funcionando e se há lesões.

Além disso, alguns fatores avaliados, como a contagem de leucócitos (glóbulos brancos), podem indicar inflamação no corpo.

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Tratamentos

Para tratar a colecistite, você precisa de acompanhamento médico. De modo que é feita a internação hospitalar e, na maior parte das vezes, cirurgia.

Hospitalização

A internação em um hospital é vital, pois a pessoa afetada não pode se alimentar como sempre. Afinal, os estímulos de sólidos e líquidos no estômago e intestino causam a contração da vesícula biliar, aumentando a dor. Além disso, corre o risco de rompimento do órgão ou estruturas relacionadas.

A nutrição é feita de modo endovenoso, ou seja, injetando líquidos por um acesso na veia. Se o paciente estiver com o intestino irregular ou com obstrução, também pode precisar esvaziar ele, com uma sonda que vai aspirar o conteúdo pelo nariz.

Colecistectomia

A colecistectomia é o procedimento cirúrgico que retira toda a vesícula biliar e, claro, as pedras (cálculos biliares). Os médicos costumam recomendar a cirurgia em casos de colecistite crônica. Uma vez que isso serve como forma de prevenir novos episódios, mas também em casos agudos ou de colecistite alitiásica.

A cirurgia também é vital quando há suspeita de complicações, como a perfuração da vesícula biliar ou risco de infecções como abcesso ou gangrena.

Hoje em dia, a cirurgia pode ser feita por videolaparoscopia. São pequenos cortes na pele, no qual um deles tem um pequeno tubo com uma câmera na ponta e os outros têm instrumentos cirúrgicos. Essa forma permite uma boa visualização do processo pelo cirurgião e com recuperação rápida. Além disso, deixa cicatrizes menores para o paciente.

Complicações de uma colecistite não tratada

Uma colecistite aguda pode melhorar se o cálculo sair do seu local, mas se isso não ocorrer, é perigoso. Isso porque as bactérias podem chegar do intestino e causar uma infecção, que pode se alastrar para o sistema digestivo.

A vesícula biliar também pode se perfurar, o que por si só já é um caso preocupante, pois pode causar uma inflamação da região abdominal (peritonite) ou abcesso (acúmulo de pus). Além disso, as lesões causadas pela colecistite crônica podem evoluir para um câncer de vesícula biliar.

Posso voltar a sentir dor depois da colecistectomia?

Sim, pode ocorrer a chamada síndrome póscolecistectomia. Ela ainda não tem causa conhecida, mas uma das possíveis causas são os restos de cálculos biliares nos ductos que liga o fígado ao intestino.

Também pode ser por mau funcionamento do esfíncter de Oddi, um músculo que fica no final dos ductos, controlando a passagem da bile. Se ele fica fechado por mais tempo que deveria, pode haver um aumento da quantidade de bile nos ductos, aumentando a pressão e, por fim, causando dor.

Existem outras causas de dor na região, mas não ligadas à vesícula, como úlcera no estômago ou síndrome do intestino irritável.

sede da Eurekka

Tire suas dúvidas sobre colecistite com um médico da Eurekka Med

Se você sente algum desconforto na parte abdominal e se identificou com os sintomas, é hora de procurar ajuda. Afinal, você viu como são perigosos os quadros em que a colecistite não é tratada.

Então, para ajudar você a descartar ou confirmar essa hipótese, a Eurekka conta com uma equipe de médicos, altamente experientes, para atender você, escutar o que você tem sentido e dar um diagnóstico certeiro. Assim, você fica com a consciência tranquila de que está cuidando bem da sua saúde.

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Maria Antonieta Nobre de Lima Furtado

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