Ciúme: por que sentimos e como evitar que domine você

Equipe Eurekka

Sentir medo de perder alguém que você ama muito pode desencadear o ciúme. Quando aparece de forma exagerada, pode causar problemas para as pessoas envolvidas. Existem formas muito melhores de lidar com esse medo.

As pessoas não nascem ciumentas. Ou seja, é um modo de agir que você aprende durante a vida. A pessoa com ciúme excessio acredita que controlar o parceiro vai garantir que ele fique ao seu lado. Porém, muitas vezes, a pessoa acaba vendo que não é bem assim.

O ciúme muitas vezes tem início com frases do tipo “você tá linda, mas sua saia está muito curta!”, “amor, vamos jantar só nós dois, seus amigos são chatos”, ou “querido, de quem são essas ligações no celular?”. Mas esse modo de agir pode evoluir para um sentimento obsessivo e causar danos psicológicos — e até mesmo físicos.

Por isso, neste texto, você vai conhecer melhor as várias faces do ciúme, vai entender qual é a origem desse sentimento e saber como lidar com ele.

Por que sentimos ciúme?

O ciúme é um sentimento negativo que tem várias causas. As que mais se destacam são falta de amor próprio, insegurança, baixa autoestima, necessidade de autoafirmação e questões relacionadas ao contexto familiar.

  1. Falta de amor próprio: faz com que a pessoa coloque suas expectativas no amor do outro. É como se a outra pessoa tivesse que estar sempre carregando esse fardo.
  2. Insegurança: pessoas inseguras se sentem inferiores e acham que sempre há alguém melhor do que elas. No caso dos relacionamentos amorosos, essa pessoa acredita que há outros ou outras para serem mais amadas e, por conta disso, se sente ameaçada o tempo todo.
  3. Baixa autoestima: a pessoa com baixa autoestima tem uma imagem pessoal pobre e não enxerga muito valor em si. Isso pode fazer com que a pessoa busque afirmações sobre ela o tempo todo para que se sinta melhor.
  4. Necessidade de autoafirmação: se você se sente ameaçado com o sentimento de perda, o que você faz? No caso do ciúme, a pessoa passa a se autoafirmar através do controle sobre o outro. Como ela não se acha suficiente, cria um modo de agir de posse sobre as ações do outro.
  5. Contexto familiar: situações que viveu na infância podem te desencadear o ciúme. Por exemplo, o irmão mais velho que deixa de receber toda a atenção dos pais após o irmão mais novo nascer. Além disso, crianças abandonadas ou rejeitadas na infância podem criar o medo de passar por isso de novo.

Como você pode ver, existem muitas razões para que o ciúme surja. Por consequência, as pessoas ciumentas tentam compensar essa falha usando o outro como um recurso para “se afirmar”, o que leva a problemas ainda maiores. Por isso, é vital que as pessoas observem esses modos de agir, para que possam tomar atitudes a fim de resolver o problema do ciúme.

ciúmes

Quando o ciúme se torna um problema

Muitas vezes, o ciúme se torna um problema sério. Como quando, de repente, a pessoa começa a perseguir você.

Ela se torna agressiva, segue você até o trabalho, não deixa você ver seus amigos e amigas e questiona cada movimento que você faz em redes sociais. Pra ser sincero, são cenas de medo, de sofrimento e de angústia. Casos como esses destroem amizades, namoros e até casamentos.

Se você já esteve em um relacionamento abusivo, cercado por cenas de ciúme, então sabe que o clima fica pesado. O tempo todo se lida com tensões como: “pra onde você olhou?”, “quem é aquela que está te olhando?” , “pede pra trocar o seu amigo-secreto no Natal”, “devolve este livro que você pegou emprestado com o seu colega”, e por aí vai.

Especialistas explicam que o ciúme é uma variação da ansiedade. E, tal como a ansiedade, ele é como uma estratégia preventiva para perdas e ganhos no futuro, reais ou imaginários, o que causa uma dor desnecessária ao ciumento e ao outro.

Ciúme obsessivo

O ciúme obsessivo é desproporcional, ocorre toda hora e sem razão. Está mais ligado à necessidade de controle e desconfiança do que de amor. Ele é destrutivo e pode levar ao fim de um relacionamento, pois a pessoa que sente esse tipo de ciúme cria visões distorcidas da realidade.

Uma característica desse ciúme exagerado é quando o seu companheiro ou companheira passa a ser um investigador. Ele procura evidência de algo e, o pior, não quer ouvir nenhum argumento da outra parte.

Por exemplo: você entra no carro e lá está uma jaqueta de uma colega sua. Sua namorada pergunta de quem é. Você tenta dizer que deu carona pois estava chovendo e, mesmo antes de você concluir, ela tem uma crise de ciúme.

Ciúme patológico

Estudos afirmam que há o ciúme normal, aquele que não tira você do eixo do bom senso. Ou seja, você não deixa de pensar com coerência diante das situações. Sua namorada recebeu uma ligação depois do expediente, enquanto vocês estavam preparando o jantar. Você entendeu que era uma emergência e tudo bem!

Podemos chamar o ciúme patológico de síndrome de Otelo. Trata-se de uma referência a um conto de Shakespeare em que Otelo mata sua esposa, Desdêmona, por ciúme intenso. Esse tipo de ciúme se classifica como um distúrbio, pois se torna uma obsessão. Isso gera muito sofrer e o impacto é muito negativo no modo de agir da pessoa, já que ela se torna hostil, insegura e autopiedosa.

No CID-11, ela é chamada de “Delírio ciumento”, código MB26.06, e faz parte do grupo de delírios do catálogo.

Sintomas do ciúme excessivo

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), o ciúme excessivo (obsessivo ou patológico) está centrado na certeza, sem motivo justo ou evidente, de que a pessoa está sendo traída pelo cônjuge ou parceiro romântico. A esposa percebe que tem uma mancha de batom na manga da camisa do marido e, a partir desse pequeno fato, tem início um delírio de infidelidade.

Nesses casos, é como se a pessoa imaginasse a narrativa completa de traição e passasse a viver essa narrativa como se fosse verdade. Portanto, é vital saber os sintomas desse distúrbio para que possa tratar da melhor forma.

Os sintomas são muitos, e a primeira coisa que se deve fazer é ajudar a pessoa ciumenta excessiva a reconhecer que tem o distúrbio.

Depois, tente observar se o modo de agir dela mostra os seguintes sinais:

  • medo grande de perder a pessoa amada, a ponto de se sentir mal;
  • pensamentos de traição;
  • análise meticulosa do parceiro, buscando sinais que confirmem uma possível traição;
  • ver as mensagens ou e-mails do celular sem permissão;
  • controle alto do dia a dia do parceiro;
  • ódio dos amigos e colegas do parceiro;
  • ciúmes sem base real, baseado em casos imaginários ou conclusões tiradas de pequenos detalhes, sem conversa.

Além disso, a pessoa sofre demais quando o(a) amado(a) não está ao seu lado, e não vive a vida pessoal de forma plena, pois está sempre envolvida com a investigação da vida do cônjuge.

Ademais, busca pistas que revelem uma possível traição; faz ligações e manda mensagens sempre para descobrir o que o outro está fazendo. Quando não responde, imagina que está traindo com outra pessoa.

O que nos causa ciúme excessivo?

As causas do ciúme excessivo variam de pessoa para pessoa. Porém, em comum, quase todos os casos têm essas características: insegurança, baixa autoestima e falta de autoconfiança.

A pessoa com este tipo de doença não acredita que pode ser amada e se sente inferior. É como se os outros estivessem sempre armando alguma jogada para traí-la.

No entanto, o ciúme excessivo é um distúrbio e deve ser tratado com atenção, em especial, cuidar da origem desse modo de agir. Não se deve só ignorar e fingir que não está acontecendo.

Traumas passados

Os modos de agir de ciúme excessivo podem ser explicados de algumas formas: a primeira delas está na infância, quando o indivíduo não recebeu a proteção e o afeto necessários dos pais.

E a segunda explicação está no trauma de casos anteriores, quando a pessoa pode ter passado por uma situação desse ou outro tipo no relacionamento e desenvolveu uma grande insegurança.

Autoestima baixa

Por trás do ciumento, sempre há uma pessoa frágil e de baixa autoestima, que precisa controlar o outro para se sentir segura.

A baixa autoestima faz com que a pessoa interprete o mundo como se todos estivessem contra ela, tudo gera insegurança. É como se fosse uma prisão!

Identificar as causas da baixa autoestima e recuperá-la não é uma tarefa tão simples assim, e envolve um momento de reflexão e mudança de atitudes. Com a ajuda dos psicólogos da Eurekka, você pode tornar essa jornada muito mais fácil. Saiba mais no banner.

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Como evitar que o ciúme domine você

O ciúme se torna perigoso quando o ciumento faz acusações sem fundamento. Assim, ele acusa o cônjuge de dormir com outras pessoas, envia e-mails para parentes ou colegas de trabalho denunciando traições que não existem, faz comentários constrangedores na frente do parceiro. Enfim, se transforma em um verdadeiro investigador da vida do outro.

Depois dessas atitudes, o quadro de ciúme só aumenta e o convívio fica infernal, levando, quase sempre, ao fim da relação.

Nos casos mais extremos, o ciúme leva à violência física, inclusive com morte, pois o ciumento excessivo acredita que cometer um crime, nesses casos, faz sentido.

Portanto, é vital que a pessoa que tiver os sinais iniciais do ciúme excessivo, tome algumas atitudes.

Não investigue o parceiro

Você já ouviu aquela frase “quem procura, acha”? Pois é! Quando você estiver incomodado com alguma mensagem que chegou no celular do seu parceiro, uma reunião até mais tarde, uma saída com os amigos, o primeiro passo é o diálogo. Converse com o seu parceiro e diga a ele o que você sente.

Os especialistas dizem que esse tipo de atitude reforça a confiança no namoro e o seu namorado/a vai saber que você sempre vai agir assim.

Neste tipo de conversa, revele seus verdadeiros sentimentos e fale sobre o que está te angustiando: o que esperar de seu parceiro, os planos para o futuro próximo e distante. Isso fará com que você se sinta mais confiante sobre o que pode acontecer e sobre seus sentimentos.

Investigar o seu parceiro só vai reforçar a ideia de que ele é um inimigo seu… E gente sabe que um relacionamento forte se baseia na amizade.

Trabalhe a confiança no parceiro

Um relacionamento só é saudável quando um respeita a privacidade do outro. Por isso, para trabalhar a confiança no seu parceiro, não peça explicações desnecessárias e pare de perguntar sobre tudo que faz. Fale sobre o seu dia, mas não peça cada detalhe para saber um pouco mais.

Você já deve ter ouvido falar em “dar espaço” e “não sufocar”. Então, organize com seu companheiro quais serão esses espaços: futebol com os amigos, happy hour com os colegas de trabalho e matrículas em academias separadas. Dessa forma, você se relaciona com outras pessoas e não se dedica só à rotina do seu parceiro/a.

Alguns especialistas em saúde mental aconselham, inclusive, a pedir um tempo no relacionamento abusivo, para que a pessoa organize as ideias e pense um pouco sobre o que está acontecendo. O melhor é que você tome uma atitude positiva.

olhando as redes sociais do parceiro

Não tente controlar o parceiro

O controle sobre alguém gera angústia permanente. Seu namorado ou namorada chega em casa, entra no banho e você dá início a uma corrida investigativa: vê a carteira, olha o celular, mexe em uma sacola que ela trouxe da rua, cheira a blusa que vestia. Ela sai do banho e você dá início a um longo questionário.

O ciumento acredita que o controle sobre o parceiro lhe trará segurança e confiança. Mas na verdade, está entrando em um mundo só seu, cheio de imaginação e evidências sem provas. É desgaste na certa!

Aparecer no meio da partida de futebol do seu namorado ou ligar para uma amiga da sua namorada para saber se a reunião vai mesmo até tarde não é preocupação nem proteção, mas sim perseguição. E quando seu parceiro/a fica sabendo disso, se sente frustrado.

Trabalhe sua autoestima

Um dos pilares da autoestima é o sentimento de pertencer. Ou seja, o ser humano precisa se sentir parte de um lugar, da vida dos outros, da família, do trabalho, e sentir que os outros fazem parte da vida dele. Em suma, uma autoestima elevada tem a ver com troca de energia e valorização.

Para você conseguir trabalhar a sua autoestima, procure valorizar o que você tem de bom, aprenda a lidar com as frustrações e saiba que este é um sentimento universal, já que todos têm algum perrengue na vida. Tenha maior convicção dos seus objetivos, pois quando se tem uma meta bem clara para alcançar, não focamos todo o nosso tempo na vida dos outros.

Além disso, amplie seu círculo de relações. Afinal, se você fizer parte de vários espaços, como igreja, academia, escola, trabalho, grupo de jovens, voluntariado e outros, você se sentirá útil e valioso para os outros.

Como lidar com um parceiro ciumento?

Dizer frases como “Você tá louco!” ou “Vá se tratar!” para o seu parceiro ciumento excessivo não vai adiantar de nada, pois quem convive com pessoas com este distúrbio precisa apostar na compreensão. Nada de estimular os ânimos exaltados. Pelo contrário!

Tente não discutir ou julgar e jamais alimente o ciúme, dizendo frases do tipo: “Tá bom, eu gosto mesmo de conversar com a fulana, pois ela não é louca como você!”.

Resumindo, você precisa entender que o seu parceiro(a) precisa de ajuda e você pode ser um ponto de apoio para que ele possa começar a se tratar.

briga de casal

Não ceda às tentativas de controle

Quando ocorrerem as tentativas de controle, como querer olhar o celular, perguntar quem está ligando, ou seguir você até o trabalho, o ideal é que o parceiro coloque limites e estabeleça regras de privacidade. Faça isso de forma calma e tranquila, pois assim você mostrará ao parceiro ciumento que está tudo bem e que você quer melhorar a relação.

Outra forma de deixar o ciumento excessivo mais tranquilo é compartilhar com ele as coisas que aconteceram no dia, no seu trabalho, na academia, no grupo de amigos, reforçando a ideia de companheirismo. Dessa forma, ele não vai sentir que precisa investigar você.

Converse abertamente com seu parceiro sobre ciúme

O diálogo sempre é a melhor saída, mesmo que a gente tenha que enfrentar conversas difíceis. Sobre o ciúme, é bom o parceiro dizer de forma direta o que aquelas cenas de perseguição, interrogatório e agressão estão lhe causando.

Muitas pessoas fazem o contrário: escondem o quanto aquilo está incomodando para não gerar mais discussão. Mas isso está errado. A pessoa ciumenta precisa saber que está fazendo o mal.

Indique para o seu parceiro o momento de ciúme excessivo

O ciúme excessivo é um distúrbio e precisa ser tratado com cuidado. Muitas vezes, a pessoa ciumenta não tem noção do mal que está fazendo. Por isso, é bom sinalizar para ela os momentos que deixam você desapontado com o modo de agir dela.

Evite culpá-la ou hostilizá-la por ter sentido ciúme. Isso pode deixá-la mais insegura ainda. Lembre-se de que a falta de confiança destrói qualquer chance de diálogo e sufoca o relacionamento. Se você quer impor limites, desestimular o controle e conscientizar o seu parceiro ciumento, você precisa agir com delicadeza, clareza e afeto.

sede da Eurekka

Aprenda a controlar seu ciúme com a Eurekka

Se você acha que seu ciúme ou do seu parceiro está em níveis fora do normal ou conhece alguém que esteja passando por isso, procure ajuda de um psicólogo. Não deixe seu relacionamento com a pessoa que ama acabar por isso.

A Terapia Cognitiva Comportamental, que é a utilizada pela Eurekka, é muito eficaz para esse tipo de problema.

Assim, um psicoterapeuta Eurekka pode te ajudar a superar o ciúme ou a lidar com o ciúme de outra pessoa, além de tornar a sua rotina, as suas relações e a sua vida muito mais felizes.

Se você quiser saber mais sobre a terapia da Eurekka e marcar sua primeira conversa com a Eurekka, é só clicar aqui e agendar!

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