Automutilação: causas, sintomas, diagnóstico e tratamentos

Eurekka Psicólogos

Você sabe o que é automutilação? Entende o que leva alguém a se cortar ou a machucar o próprio corpo de forma proposital? A automutilação ocorre quando uma pessoa faz cortes, lesões e feridas em si mesma. No geral, esses cortes surgem em um momento de dificuldade emocional.

Ou seja, a pessoa não está sendo capaz de lidar com as suas emoções, que estão vindo com muita força e com muita intensidade, e acaba recorrendo à prática das lesões como forma de a dor física aliviar a emocional.

Porém, é um risco para a vida e uma forma de descontrole sentimental que, quando alimentado, não só agrava os sintomas, como também pode levar a um ferimento grave ou até mesmo ao suicídio.

Por isso, neste texto, reunimos todas as informações que você precisa saber sobre prevenção da automutilação, sintomas e tratamentos. Mais do que isso, você vai conseguir se ajudar ou auxiliar alguém que esteja passando por isso.

O que é automutilação?

A automutilação é toda e qualquer atitude danosa feito de forma intencional no próprio corpo. Alguns comportamentos que podemos usar de exemplos são: cortes no corpo, arranhões severos, inserção de objetos que causam ferimentos, entre outros.

Com frequência, a automutilação é usada como uma tentativa de regular uma emoção difícil de lidar, se configurando como uma “anestesia momentânea”.

Essas lesões, na maioria dos casos, vêm com o auxílio de objetos, como navalhas, facas e tesouras, sem o interesse de gerar o suicídio. Já que a pessoa está lidando com uma dor emocional muito grande, os cortes acabam sendo uma forma dela se centrar no momento e esquecer a dor.

É claro, se você não está sofrendo com isso, pode ser bem difícil entender porque uma pessoa faria tal coisa. No entanto, quando você senta e conversa com uma pessoa que está praticando automutilação, ela vai dizer para você que também não entende muito bem isso. Mas, ainda assim, acaba sentindo um alívio da dor emocional quando pratica a mutilação.

Automutilação é doença?

NÃO! Automutilação não é uma doença, mas pode ser um sintoma de diversos transtornos mentais. É preciso ajudar a pessoa a obter auxilio profissional com psicólogo e/ou psiquiatra o mais rápido possível, pois é um sinal de que ela está passando por um desafogo emocional e precisa de ajuda.

O diagnóstico da automutilação é feito com base na entrevista clínica. Ou seja, o profissional de saúde, como um psiquiatra, psicólogo ou um médico, vai conversar com a pessoa e avaliar o que tem acontecido na vida dela.

Causas da automutilação

mulher sofrendo automutilação

Embora possa se originar de transtornos neurológicos, com frequência, a automutilação acontece quando a pessoa não encontra outra forma de lidar com uma emoção intensa ou se distrair de turbilhões de pensamento que a pessoa não aguenta mais ter. A dor facilita manter o foco em uma coisa só e induz o corpo a liberar opióides endógenos, substâncias que tem um efeito calmante sobre o organismo.

Outro agravante é a romantização da automutilação. Podemos ver em vários filmes, séries, músicas, textos, discursos, postagens que o corte é algo “magico”. Fazem parecer que é algo belo, que há uma profundidade ou um contexto poético envolvido.

Entretanto, lembre que qualquer atentado à saúde é um risco. Por isso, mantenha a ficção na ficção e se atente na sua vida, busque ajuda! Busque terapia! E, para isso, é necessário aceitar sua condição para dar o primeiro passo.

Sintomas da automutilação

Os sintomas para identificar a automutilação são:

  • Cortes e cicatrizes que acontecem mais de uma vez;
  • Manchas de sangue pelas roupas ou pela casa (lençóis, pia, carpete, entre outros locais);
  • Recorrente uso de roupas largas e compridas para esconder feridas (mesmo no calor);
  • Recorrente uso de desculpas como “acidente em casa”, “ando atrapalhado”, entre outras;
  • Por fim, isolamento. Em casos de muita dor emocional, a pessoa se afasta e sensibilizar suas emoções pode deixar a pessoa irritada, choro, culpa, entre outros fatores que reforçam o afastamento.

Diferença entre autolesão e automutilação

sangue automutilação

A autolesão é o ato de causar ferimentos no corpo sem utensílios. Por exemplo: dar socos no próprio corpo, dar socos na parede, praticar skin picking, arrancar o cabelo, entre outros.

Já na automutilação, no geral, há a utilização de utensílios para causar ferimentos no corpo. Na maioria das vezes, causando maiores riscos de vida, como cortes com facas, navalhas e canivetes.

Embora diferentes, em ambos os casos a orientação é a mesma: busque ajuda. Pois esses quadros de lesões corporais podem se tornar problemas maiores no futuro.

Relação entre automutilação e depressão

De forma breve, a depressão é uma doença psicológica que incapacita a pessoa, reduzindo de forma drástica como ela reage ao sofrimento. Assim, ela sofre em excesso por coisas que antes não provocavam tanta dor nela.

Então, a relação da depressão com a automutilação vem da redução do prazer e do excesso de pensamentos torturantes e autodepreciativos. Em vários casos, esses pensamentos levam a pessoa a querer transferir a sua dor emocional para o corpo, para sentir dor física. É como um meio de aliviar, de alguma forma, todos aqueles sentimentos e pensamentos ruins.

Um teste que temos, aqui no site da Eurekka, também pode ajudar você a descobrir se você sofre com depressão. Clique na imagem abaixo para acessar:

teste depressão sintomas

Quando a automutilação se torna intenção suicida?

A automutilação pode escalar para atitudes suicidas, ou parassuicidas, quando o “alívio” se torna cada vez mais difícil de obter e menos duradouro a cada repetição. Por exemplo, uma pessoa que faz cortes na própria pele pode começar a fazer cortes mais frequentes e mais profundos para alcançar o mesmo efeito.

Similar a um vício, quando algo que dá um alívio momentâneo perde a força, a pessoa tende a buscar aumentar a dose, mesmo tendo o risco de se tornar fatal.

Como identificar em crianças, jovens e adolescentes?

adolescente automutilação

Como falado antes, existe uma onda muito forte que romantiza a automutilação. Nesse sentido, uma forma de identificar a automutilação em crianças, adolescentes e jovens é observar o que eles têm usado de referências.

E como fazer isso? Analisando o comportamento deles, observando assuntos levantados entre amigos e se têm escondido mais os braços e as pernas (que são possíveis locais de automutilação).

Para você que é pai, mãe ou professor de jovens, garanta que você esteja presente e situado na vida de seu filho/aluno o máximo possível. Pois são nos detalhes do convívio que conseguimos identificar melhor o que está acontecendo com a pessoa.

Porém, é importante saber os limites de privacidade e garantir que a sua relação seja respeitosa. Pois quando o adulto se mantém presente, mostrando ser um ponto de apoio confiável e seguro para o adolescente, os riscos de uma automutilação acabam diminuindo.

Além disso, monitore se esse adolescente passou por algum luto recente ou alguma situação que esteja demandando muito do seu emocional. Visto que o jovem ainda está em processo de construção da sua estrutura emocional, algo que para você pode parecer banal, para ele, pode estar gerando uma grande dor sentimental, com a qual ele não consegue lidar.

Monitore e não banalize! Ou seja, escute a dor dessa criança, por menor que pareça para você.

Fatores de risco

Os fatores de risco não são uma via de regra, mas, sim, estão ligados a uma maior chance de cometer o ato, já que são dados mais comuns entre os casos registrados de automutilação. Alguns desses fatores para a automutilação podem ser:

  • Ser do sexo feminino;
  • Ser adolescente ou um jovem adulto;
  • Ter amigos que fazem automutilação;
  • Crises e distúrbios neurológicos;
  • Distúrbios de identidade e autoestima baixa;
  • Elevados níveis de dor emocional;
  • Momentos de luto;
  • Abuso de drogas lícitas e ilícitas;
  • Desregulação emocional.

E fique atento ao último ponto: se a pessoa estiver oscilando muito em suas emoções, agindo sempre nos extremos, ligue o alerta! Pois alguns dos fatores de risco descritos podem levar a uma desregulação emocional, que é um fator muito importante para a automutilação.

Como prevenir a automutilação?

Se você sente que está carregando uma carga emocional muito forte, busque terapia. Pois ela pode te ajudar a “descarregar” e a equilibrar suas emoções.

E se você conhece alguém que pratica a automutilação, não ignore ou considere isso uma fraqueza. Nesse sentido, se permita falar sobre isso com a pessoa.

Ainda que você possa estar se perguntando “Ah, mas se eu falar ela vai fazer”, lembre que, de qualquer, maneira ela vai fazer, falando ou não. Então, fale! Estenda a mão e mostre que é necessário buscar ajuda.

Automutilação tem cura?

Já que a automutilação não é uma doença, ela não tem uma cura específica. No entanto, existem maneiras de prevenir esse tipo de comportamento:

Tratamentos

mãos dadas

Como existem várias condições que podem levar à automutilação, o primeiro passo é buscar a terapia para identificar a origem dessa situação. Dessa forma, você será encaminhado para o melhor tratamento. Abaixo, listamos algumas das opções de tratamento:

  • Terapia Comportamental;
  • Tratamento com medicamentos prescritos;
  • Grupos de apoio locais;
  • Grupo de treinamento de habilidades em DBT (Dialetical Behavior Therapy – Terapia Comportamental Dialética);
  • Em casos extremos: internação psiquiátrica.

Como ajudar alguém que sofre com automutilação?

Um jeito de ajudar alguém que sofre com a automutilação é mostrar as consequências de longo prazo dessa prática. Ou seja, que pode parecer um alívio na hora, mas que ainda assim está fazendo muito mal para ela.

Depois disso, mostre que existe ajuda para esses casos e que não vale a pena trocar uma dor por outra. Toda ajuda é bem-vinda: seja enviar esse texto para uma pessoa que necessita, ou conversar de maneira direta com ela sobre as consequências disso para a sua vida.

Embora seja importante falar sobre, sempre que possível também incentive a pessoa a buscar um terapeuta. Pois ele terá todas as habilidades necessárias para lidar com a situação.

Tratamento com terapia comportamental dialética

Quando revisamos a literatura científica no assunto, encontramos que a terapia proposta por Marsha Linehan e colaboradores – conhecida como a Terapia Comportamental Dialética (DBT) – é o tratamento mais indicado.

Porque, dentro da terapia comportamental, o indivíduo poderá aprender técnicas de regulação emocional e ter contato direto com o seu terapeuta em um momento de crise. E a vantagem disso é que o terapeuta pode orientar o paciente em momentos desafiadores!

Além disso, o tratamento sugere um grupo de apoio, que é um grupo pra você poder praticar novas habilidades. Também, há a própria terapia individual, que está compreendida no modelo da Terapia Comportamental Dialética.

De qualquer forma, é super importante você procurar um profissional de saúde, mesmo que não seja nessa abordagem clínica. Procure um psiquiatra ou um psicólogo para dar início ao seu tratamento!

Inicie o tratamento com a Eurekka

sede presencial da Eurekka

Como já falamos, é importante buscar ajuda de qualidade para superar esse ato que causa um grande risco à vida. Por isso, a terapia é uma ótima solução, pois oferece um local com sigilo total. Ali, você pode falar sobre o que quiser e buscar soluções para esse e outros problemas.

Por isso, se você tem interesse em saber um pouquinho mais sobre como a terapia de Eurekka funciona no tratamento da automutilação, é com o maior prazer que vamos receber você aqui para realizar uma conversa conosco!

Então, fique a vontade para marcar uma conversa inicial com um de nossos terapeutas, clicando aqui! Atendemos online e presencialmente.

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A Eurekka é uma Clínica de Psicologia especializada em terapia online que atende pacientes de todo o mundo. Os Psicólogos da equipe são treinados para aplicar a Terapia Cognitivo Comportamental de última geração nos mais diversos problemas: ansiedade, depressão, traumas, fobias, autoestima, disciplina, relacionamentos e muito mais.

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