Dizer não: psicólogos ensinam como ter mais disciplina

Equipe Eurekka

Você já parou para pensar sobre a importância de saber dizer não? Você sente que consegue fazer isso? Para ter uma ideia, aqui vai um dado estatístico: a maioria de nós, hoje, no Brasil, passa pelo menos quatro horas por dia na frente do celular, olhando para a tela do celular. E, claro, se nós perguntássemos para as pessoas se elas gostam de passar essas quatro horas por dia na frente do celular, a maioria das pessoas diria que não.

Então, no texto de hoje, eu vou te ensinar a ser menos como essas pessoas. Você vai entender quando foi que tudo começou a mudar, quando as pessoas começaram a ser impulsivas e cheias de vontade de satisfazer seus desejos, sem pensar em nada nem ninguém. Além disso, você vai receber dicas para ser mais disciplinado e menos impulsivo, para suportar momentos de crise. Boa leitura!

Pessoas impulsivas

Pouca gente fala, hoje em dia, da necessidade de você aprender como dizer não para você mesmo. Essa prática é muito útil se você quiser desenvolver disciplina e autocontrole. Eu vou te mostrar que, na verdade, se você olha para a psicologia das coisas, a verdadeira liberdade depende da disciplina.

Dá para a gente notar um padrão de comportamento nas pessoas hoje em dia, em especial nas pessoas mais jovens, na faixa dos 25 anos ou menos. O padrão de comportamento é o seguinte: estar cada vez mais com dificuldade de resistir aos impulsos automáticos para satisfazer os nossos desejos.

Momento de crise

Ou seja, podemos chamar isso de uma crise do auto controle. Por exemplo, as pessoas se sentem dependentes do celular. E não é para menos, vendo o dado que te mostrei lá em cima. Mas, por algum motivo, a pessoa não consegue dizer não para aquela vontade de usar o celular. Infelizmente, o Brasil também vive um momento crítico da obesidade, tanto da obesidade infantil como da obesidade no geral. Cada vez mais, as crianças desenvolvem obesidade infantil e vício no celular. Por fim, também há muitos diagnósticos de crianças com déficit de atenção.

O que está no fundo desse problema? Tanto a incapacidade de se concentrar, quanto a incapacidade de resistir à comida, a incapacidade de resistir ao vício das telas – lá no fundo, a raiz disso tudo tem a ver com não treinar o nosso autocontrole.

autocontrole e dizer não

Autocontrole e dizer não

Por que as pessoas não treinam o autocontrole? O que aconteceu com a nossa geração que pode estar causando isso? Bom, um fator interessante é que essa geração de até uns 25 anos (e a geração anterior) são duas gerações que começaram a ter cada vez menos filhos. Por isso, é também a geração em que os pais e as mães começaram a trabalhar mais fora de casa. O que isso significa?

Essas gerações criadas com menos irmãos trouxeram duas mudanças. Primeiro, as crianças tinham menos necessidade de dividir os brinquedos, de compartilhar as brincadeiras e de esperar a vez do outro pra fazer as coisas.

E a segunda coisa é que, como os pais trabalharam muito fora de casa na infância dessas crianças, eles tinham que fazer alguma coisa para que a as crianças ficassem ocupadas enquanto eles estivessem fora.

A solução – e menos “dizer não”

A grande solução que começou a surgir nos anos 80 e 90, conforme as televisões explodiam no Brasil, foi deixar a criança na frente da televisão, assistindo filmes na fita cassete. E, hoje em dia, existe acesso a internet rápida e o celular, são bilhões de pessoas com acesso a celular e internet no mundo.

Antes, a criança precisava desenvolver um autocontrole, para conseguir se concentrar numa brincadeira difícil. A criança, antes, precisava esperar até o momento em que o pai e a mãe chegariam em casa para que ela pudesse assistir alguma coisa na TV ou para que pudesse brincar com a mãe. Com isso, havia treino dessa capacidade de esperar, de ter paciência, de dizer não.

Hoje, a gente não precisa treinar essa capacidade. Hoje em dia, a qualquer momento que a criança quiser assistir qualquer desenho, a gente pode abrir o Youtube e colocar para que ela assista. E isso não só com as crianças, mas com o adulto também.

Quando ele quer ver qualquer coisa na internet, absolutamente qualquer coisa, ele simplesmente joga lá, aperta o botão de play e assiste. Isso é uma coisa nova para as pessoas: a possibilidade de satisfazer os nossos desejos na mesma hora.

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Tipos de liberdade

Agora, imagine essa criança ou adolescente que olha para o mundo em volta dela e parece aprender que todos os desejos dela podem ser satisfeitos e devem ser satisfeitos quando ela quiser e do jeito que ela quiser. Afinal, é muito simples; tudo o que ela vê em volta ensina isso para ela, que é muito simples dizer sim para os desejos.

O problema é que a vida adulta chega e a vida adulta exige que você diga não para muitas coisas pra poder dizer sim para outras. É vital entender o seguinte: a liberdade é uma coisa boa. Mas existem dois tipos de liberdade.

1. Liberdade negativa

A primeira liberdade é o que a gente chama de liberdade negativa. Ou seja, a liberdade que tem a ver com a remoção de certos obstáculos. Ela é negativa pois remove coisas.

Então, eu sou livre para assistir ao vídeo do Youtube, pois não tem nada me impedindo de ter que esperar até mais tarde. Eu sou livre para comer um chocolate a hora que eu quiser. Eu sou livre para sair de casa agora ou ficar em casa. É essa liberdade de não ter obstáculos. Esse é um tipo de liberdade que a tecnologia conquistou para nós, ter uma liberdade de remoção de obstáculos.

liberdade positiva

2. Liberdade positiva

Só que existe uma outra liberdade, que é a liberdade positiva. Essa é a liberdade para buscar alguma coisa que a pessoa acredita ser valiosa. Ou seja, você é livre para buscar a carreira dos seus sonhos. Você é livre pra buscar a esposa ou marido do seu sonho. E você é livre para buscar a sua melhor versão, uma versão mais disciplinada, produtiva e amorosa.

Contudo, o que acontece é que se você cede muito aos seus desejos, cada vez que você cede de novo aos seus desejos, eles vão ficando maiores e eles vão ficando mais mimados. E, cada vez mais, os seus desejos pedem para ser satisfeitos na mesma hora.

Vamos pensar nisso com um exemplo: qual é pessoa que tem mais dificuldade de resistir a um chocolate? É a pessoa que todo dia tem a liberdade de comer um chocolatinho. Então, ela come todo dia, depois almoço, um chocolate; todo dia, às três da tarde, outro chocolate; todo dia, às seis da tarde, outro chocolate.

Ela tem muita “liberdade” para comer o chocolate. Mas será que ela tem liberdade para buscar a saúde ou para buscar o corpo que ela deseja? Se ela não é livre para dizer não ao chocolate, ela não vai ser livre para dizer sim ao corpo que ela quer ou à saúde que ela está buscando.

Escravos dos desejos

A liberdade para remover os obstáculos que nos impedem o acesso às coisas está bem resolvida, por causa da tecnologia, e também conforme vamos ganhando dinheiro ou vamos crescendo e essa liberdade aumenta. Contudo, essa liberdade de dizer sim para a pessoa que você quer se tornar, cada vez mais não está sendo conquistada por nenhum de nós.

A gente acha que está sendo livre e, no fim, está se tornando escravos dos nossos desejos. Você acha que você é livre porque você pode comer um chocolate a hora que você quiser, pois você pode assistir a uma bobagem no YouTube a hora que você quiser; mas você não é realmente livre. Pois toda vez que você escolhe um objetivo difícil, os desejos do seu corpo decidem as coisas por você, impedem você de chegar a esse objetivo.

mulher brava por dizer não

Aprenda a dizer não

Por isso, perdemos o hábito de dizer não para nós mesmos. No entanto, precisamos recuperar este hábito. E o que significa isso dizer não? A minha sugestão é que você escolha alguns pequenos “nãos” para dizer para você. Talvez alguns “nãos” toda semana. Por exemplo: essa semana eu vou dizer não ao café, ou vou cortar o meu consumo de café pela metade.

E essa decisão não é por motivos de saúde nem para melhorar o desempenho do seu cérebro. Tem a ver com aprender a dizer não. Tem a ver com treinar a capacidade de dizer não para tudo que o corpo pede. Pois quanto mais você diz sim ao seu corpo, mais ele pede coisas, mais ele quer tudo que você tem para dar. Então, diga não para ele, porque ou os seus desejos vão te dominar, ou você vai dominar os seus desejos. Afinal, não tem outro fim para essa história.

Mas não me entenda mal. É muito bom comer chocolate, eu adoro chocolate. Eu adoro hambúrguer, adoro lasanha. Eu como sem nenhum problema. Mas se eu estou comendo lasanha, hambúrguer ou chocolate, quero estar comendo pois eu decidi estar comendo aquilo. E eu não me decidi como quem inventa uma desculpa: “Eu tô com muita vontade, mas é porque eu decidi.”

Então, o certo é assim: “Eu decidi e eu tenho plena consciência de que eu poderia ter dito não. Eu estou fazendo isso considerando o objetivo de longo prazo: a minha saúde, o tipo de pessoa que eu quero me tornar”.

Desafio do dizer não

diga não ao celular

Se você não consegue deixar o seu celular parado por uma hora, sem encostar nele, pare para refletir. É você que está domando seus desejos ou seus desejos que estão domando você? Por isso, aprenda a dizer não. Esse é o desafio que eu quero colocar para você. Assim, pense em algo para dizer não essa semana. Escolha um objetivo e siga com ele. Aqui vão algumas ideias:

  • Ficar uma hora a menos no dia com o celular. O celular mesmo costuma ter o controle dessas horas nas configurações.
  • Não comer sobremesa. Outra opção é comer frutas na sobremesa ao invés de doces.
  • Ler cinco páginas de algum livro por dia, para criar (ou retomar) o hábito de ler.

Eu quero você aprenda a dizer não para, assim, começar a domar os seus desejos. Comece a dizer não para si mesmo. Você vai ver o tamanho da liberdade que você vai ganhar fazendo isso.

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