Anemia (Guia completo): causas, sintomas e tratamentos

Victoria Fernandez Comprido

Você sabe o que é anemia? Apesar de ser comum e atingir mais de 2 milhões de brasileiros por ano, ainda existe muita desinformação a seu respeito. Por exemplo, você sabia que existem vários tipos de anemia? 

Nesse texto, você verá o que é a anemia, quais são suas causas, tipos, quem é mais propenso a ter anemia e muito mais! Vamos conferir?

O que é anemia?

Anemia é quando a concentração de hemoglobina no sangue fica abaixo da média normal. A hemoglobina é uma proteína presente na nossa hemácia, ou glóbulo vermelho, que carrega o oxigênio para os nossos tecidos. Nesse sentido, é ela que permite a ação dos nossos órgãos.

Quando uma pessoa tem anemia essa quantidade de hemoglobina fica reduzida e, por consequência, o transporte de oxigênio também.

Sobretudo existem 2 principais tipos de anemias: hereditária e adquiridas

Anemia hereditária

Anemias hereditárias são aquelas que a pessoa já nasce com ela e surgem a partir de uma mudança genética. Sendo assim, é comum que várias pessoas da família tenham a mesma anemia. 

Neste caso, é uma anemia hiperproliferativa. Isso significa que a medula óssea, local onde os glóbulos vermelhos são produzidos, aumenta a produção. Dessa forma, glóbulos vermelhos novos e menos funcionais são liberados no sangue.

Anemia adquiridas

São aquelas que são desenvolvidas ao longo da vida em uma pessoa que nasceu sem anemia. Também são chamadas de carenciais quando sua causa é a falta de alguma vitamina ou mineral na dieta. Também podem surgir por conta de uma doença ou sangramento crônico.

Nesse caso, são hipoproliferativas e, nesse sentido há menor produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea.

indisposição com anemia

Tipos de anemias

Anemia por falta de produção dos glóbulos vermelhos

Acima de tudo, muitas anemias ocorrem por falta de produção de glóbulos vermelhos e são chamadas carenciais ou hipoproliferativas.

O que acontece nesse caso é que a medula óssea não produz a quantidade de glóbulos vermelhos que deveria. Isso pode ser por falta de nutrientes como: ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, ou ainda por aumento da demanda, como ocorre na gravidez. 

Ferropriva

É uma anemia por deficiência de ferro. O ferro é um mineral essencial para nosso corpo e  está relacionado à síntese do grupo Heme, que faz parte da hemoglobina. Portanto, o ferro está relacionado com a produção de hemoglobina. Assim, pouco ferro leva à pouca hemoglobina.

A deficiência de ferro pode se dar tanto por perda como hemorragias ou menstruação, quanto por deficiência na ingestão ou absorção dele no intestino.

Anemia por deficiência de vitamina B12

É um tipo de anemia megaloblástica, isto é, nessa anemia, a hemácia fica maior do que deveria ser.

Na maioria das vezes a deficiência de vitamina B12 está relacionada com alterações no aparelho digestivo e não tanto com falta de ingestão. Sendo assim, muitas pessoas que fazem cirurgia para tirar uma parte do estômago têm esse tipo de anemia.

Aplásica

Nesse tipo de anemia, o problema está na medula óssea que para de funcionar, produzindo menos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, que são todos componentes produzidos por ela.

Como resultado a anemia aplásica faltam vários componentes do sangue, e não só glóbulos vermelhos.

Ela pode ser causada por infecção por vírus, exposição à radiação, drogas usadas em quimioterapia, hepatite, toxinas e até na gravidez.

Anemia causada por outras doenças

A insuficiência renal crônica pode causar anemia. Isso acontece porque o rim produz um hormônio chamado eritropoetina (EPO) que está relacionada com a produção de hemácias pela medula óssea.

Assim, na insuficiência renal, há diminuição da EPO, o que resulta em menor estímulo à produção de hemácias.

Algumas doenças endócrinas, ou seja, relacionadas aos hormônios, podem causar anemia. São elas:

  • Hipotireodismo: os hormônios T3 e T4 potencializam a ação da EPO. Nessa condição, T3 e T4 estão reduzidos e, por conta disso, não potencializam a EPO.
  • Hipertireoidismo: pode acontecer aumento do volume de plasma. Dessa forma a concentração de hemácias no sangue diminui. Além de diminuir o tempo de vida da hemácia e produzir novas hemácias ineficazes.
  • Insuficiência adrenal: ocorre um aumento da produção de hemácias de forma desordenada.
  • Deficiência androgênica: Aumenta a secreção de EPO de forma desnecessária levando à produção exagerada e ineficaz de hemácias.
  • Hiperparatireoidismo: causa desconhecida de anemia.

Anemia hemolítica

Ocorre quando as hemácias se rompem antes do tempo previsto e de forma exagerada. A vida de uma hemácia gira em torno de 120 dias, e eventualmente ela é destruída.

Nesse caso, há destruição anormal bem como precoce. As causas vão desde infecções até doenças autoimunes.

Anemia falciforme

Trata-se de uma mudança genética e hereditária. Nesse caso, a hemácia, que costuma ser um disco bicôncavo, passa a ter a forma de uma foice. Dessa forma, ela tem mais dificuldade de circular pelos capilares, vasos sanguíneos muito finos.

Também provoca mais hemólise, ou seja, mais destruição de hemácias.

Anemia por perdas sanguíneas excessivas

Acontece quando temos um sangramento por um longo tempo. Pode acontecer, por exemplo, em sangramentos ocultos no intestino, em que o sangue sai misturado com as fezes e não se vê.

Nesse caso, o corpo não consegue produzir as hemácias a tempo de compensar as que foram perdidas e, sendo assim, surge a anemia.

dor de cabeça anemia

Sintomas

Os sintomas podem ser mais específicos dependendo do tipo de anemia, mas de forma geral elas têm os seguintes sintomas:

  • Fadiga
  • Cansaço
  • Falta de ar quando faz esforço
  • Tontura
  • Dor de cabeça
  • Alterações do sono
  • Redução da libido
  • Desmaios
  • Sensação de palpitações no coração
  • Emagrecimento
  • Alterações de humor

Fatores de risco

Dieta que não possui certas vitaminas

Dietas pobres nos nutrientes necessários, como ferro, ácido fólico ou até vitamina B12 podem levar a anemias carenciais.

Distúrbios intestinais

Do mesmo modo causam anemias carenciais resultantes da má absorção de nutrientes. Além disso, sangramentos no intestino podem levar a anemias por perda de sangue.

Menstruação

Menstruação com fluxo muito intenso pode levar à anemia, mas é raro. Seja como for, nessa situação a mais comum é a anemia ferropriva.

Gravidez

Por conta da dinâmica da relação da mãe com a criança, a gravidez pode levar a anemias por falta de ferro, ácido fólico ou vitamina B. Sendo assim, é um período que se deve ter atenção redobrada.

Condições crônicas

Como já citado, algumas doenças crônicas como insuficiência renal crônica bem como outras doenças endócrinas podem levar à anemia.

Cirurgia bariátrica

Esse procedimento se torna um fator de risco principalmente para anemia por deficiência de vitamina B12.

Diagnóstico de anemia

O diagnóstico da anemia deve ser feito por um médico. Vale lembrar que muitas vezes a anemia é apenas um sinal de alguma outra doença e não a doença em si. Por isso, quando o médico se vê diante de uma anemia, precisa investigar suas causas.

Exames

O principal exame que vê os glóbulos vermelhos é o hemograma. É um exame de sangue de rotina que avalia a quantidade de hemácias, seu tamanho, a quantidade de hemoglobina nelas entre outras características.

Nesse exame também se vê a quantidade de leucócitos, ou glóbulos brancos e plaquetas.

Valores de referência

Primeiramente, o valor de referência é o intervalo normal em que o exame deve estar. Os valores de referência do eritrograma, ou seja, da parte do hemograma que vê os glóbulos vermelhos são:

  • Contagem de eritrócitos (hemácias): homem 4.400.000 a 6.000.000/mm³; mulher: 3.900.000 a 5.400.000/mm³
  • Dosagem de hemoglobina: Homem 14 a 18g/dL; mulher 12 a 16g/dL
  • Hematócrito: homem 40 a 54%; mulher 38 a 49%
  • VCM (volume corpuscular médio, ou seja, volume dos eritrócitos): normal de 80 a 96fL
  • HCM (hemoglobina corpuscular média, ou seja, quantidade de hemoglobina que tem nos eritrócitos): 28 a 32 g/dL
  • CHM ( Concentração de hemoglobina corpuscular média): 32 a 36g/dL
  • RDW (variação do volume dos eritrócitos): 11 a 14,5%

Tratamento

O tratamento da anemia também deve ser orientado por um médico, mas algumas atitudes podem ajudar:

Dieta adequada

Considerando que a anemia está relacionada com a falta de determinados nutrientes, uma dieta adequada pode ajudar no tratamento de anemias carenciais.

Para garantir que sua dieta esteja suprindo tudo o que o seu corpo precisa, o acompanhamento profissional é o melhor caminho. Marque já uma consulta nutricional com um nutricionista da Eurekka!

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Medicamentos

Caso a causa da sua anemia seja uma infecção ou uma doença autoimune, medicamentos também podem ser úteis. Entretanto, o médico que deve avaliar essa possibilidade.

Anemia tem cura?

Dependendo da causa da anemia, sim. Se for por deficiência de nutrientes ou por perda de sangue, basta resolver o problema que a anemia também vai se resolver. Mas, se for por causa genética, como a falciforme não há cura.

Quando a anemia precisa de transfusão de sangue?

Geralmente só se faz transfusão de sangue em anemias muito profundas que estão mais ligadas a grandes perdas de sangue. Mas a transfusão também pode ser feita quando a doença provoca diversos sintomas.

Possíveis complicações

Fadiga severa

Os músculos precisam de oxigênio para funcionar. Dessa forma, se a anemia for muito importante e limitar muito a quantidade de oxigênio que vai para os músculos, pode acontecer uma fadiga severa.

Complicações na gravidez

A anemia na gravidez pode resultar em um nascimento prematuro da criança por conta do mal funcionamento do organismo. Além disso, o nascimento prematuro pode gerar anemia no recém nascido.

Complicações em crianças

Todos os seres humanos tem a necessidade de determinados nutrientes para um bom desenvolvimento e, sendo assim, a anemia em crianças tem chance de comprometer o seu desenvolvimento.

Problemas cardíacos

O coração também precisa de oxigênio para funcionar. Menos oxigênio em um coração que já tem algum outro problema pode agravar essa condição.

Além disso, para suprir a menor eficiência das hemácias, o coração passa a bombear mais sangue, o que a longo prazo também faz com que ele tenha problemas.

Morte

Em casos muito extremos em que a anemia não é tratada, pode haver morte por falta de oxigenação de órgãos essenciais como cérebro assim como do coração.

Prevenção

Evitar os fatores de risco é uma das melhores formas de prevenir a anemia. Portanto, se alimentar bem, ter um estilo de vida saudável e ir ao médico pelo menos uma vez ao ano são medidas que podem ajudar a prevenir a doença ou descobri-la cedo.

Como buscar ajuda médica

Qualquer médico é capaz de pedir um hemograma bem como avaliar o paciente. Por isso, na maioria das vezes, os médicos, independente da especialidade, conseguem identificar a doença

Contudo, anemias hereditárias ou mais graves precisam ser tratadas por um médico especialista em sangue, o hematologista.

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