Análise Psicológica do filme Pinóquio, da Netflix

Equipe Eurekka

Os clássicos nunca morrem. É por isso que Guillermo Del Toro insistiu tanto para fazer a sua versão de Pinóquio virar realidade. Agora, com o aceite da Netflix, o filme traz uma proposta bem diferente do desenho original — e é claro que vamos fazer uma análise psicológica do filme Pinóquio para você!

Se você ainda não assistiu ao filme, corra para assistir, pois está com aceitação quase unânime e conquistou o Globo de Ouro na categoria de melhorar animação! 

Agora, se você já assistiu e saiu pensando como este filme pode ser tão diferente de outras versões, você está pronto para ler este texto!

Na análise de hoje, vamos ver como o desenvolvimento emocional dos personagens é importante para construir um filme intenso e criativo, mesmo com uma história tão ‘batida’. Vamos lá?

Análise psicológica do filme Pinóquio de Guillermo del Toro

O que acontece no filme Pinóquio?

O novo filme da Netflix, dirigido e produzido por Guillermo Del Toro e outros profissionais, mostra a história de Gepeto, um mestre de esculturas em madeira, que perde seu filho em um bombardeio. Então, se afunda em tristeza.

Por isso, uma fada mágica chega e concede a ele a realização de seu desejo: ter seu filho de volta. Contudo, não dá para fazer isso só revivendo o filho de Gepeto; então, a fada dá vida a Pinóquio, boneco de madeira que o homem fez na noite anterior.

Os dois passam a viver grandes aventuras juntos, já que Pinóquio está cheio de curiosidade e inocência, enquanto Gepeto tenta contê-lo para evitar chamar atenção indesejada.

Ao contrário do desenho da Disney, este filme é denso e até mesmo obscuro. Por isso, tenha cuidado: talvez não seja adequado para crianças muito pequenas. A classificação indicativa do filme é de 12 anos.

Onde se passa o filme Pinóquio?

O novo filme se passa na Itália, no período fascista do país, que teve início em 1922.

Por conta disso, vemos um contexto militar na obra, ainda que o contexto político seja bem discreto. O filme retrata algumas cenas da guerra e as crianças sendo levadas para lutar. Também vemos Mussolini, líder da época, surgir como um dos personagens.

Análise Psicológica do filme Pinóquio: cenas que tem tudo a ver com Psicologia

Agora que já falamos do contexto histórico da trama, vamos à parte mais legal: a análise psicológica do filme Pinóquio! Afinal, quando assistimos a filmes com crianças, sempre podemos tirar lições para gerar um bate-papo.

Então, confira aqui algumas dicas de temas para conversar com o seu pequeno depois que assistir a Pinóquio!

1. O luto de Gepeto

Gepeto perde seu filho em um bombardeio trágico, por conta da guerra. Dá para notar que ele se sente culpado pelo que ocorreu e fica muito, muito mal. Assim, a tristeza profunda faz ele começar a beber, se isolar e deixar o trabalho de lado.

Apesar do luto não ter tempo certo para ocorrer ou para deixar de causar sensações ruins, o luto de Gepeto é prolongado e traz muitos malefícios para a vida dele. Isso faz com que a gente chame esse tipo de luto de patológico.

Para ajudá-lo, era preciso respeitar o seu tempo, mas estar por perto. Assim, os vizinhos e colegas podem evitar que ele se afunde ainda mais em hábitos ruins. 

Além disso, a presença de Pinóquio faz com que Gepeto estabeleça uma rotina e encontre novas preocupações, de forma a tirar a mente dele do ocorrido.

Análise psicológica do filme Pinóquio de Guillermo del Toro
Reprodução | Netflix

2. A compreensão de novidades…

Por outro lado, Pinóquio não respeita nem um pouquinho o espaço de Gepeto, não é? No começo do filme, é uma presença agitada, destrambelhada, tagarela e inocente.

Fica maravilhado com tudo que está à sua volta e quer encostar em tudo, perguntar sobre todos os objetos e testar todas as possibilidades. Afinal, o mundo é cheio de coisas novas para ele!

Isso faz com que a gente pense sobre as nossas crianças, que precisam passar por essa fase de experimentar. É preciso permitir que corram, brinquem, e até mesmo que se machuquem, para que aproveitem a vida de forma saudável e livre.

3. … E a necessidade de explicar o mundo para a criança

Contudo, quando não há um adulto por perto para ser responsável e atento, a criança pode se machucar pra valer, e essa não é a ideia.

Um raladinho pode ocorrer quando a criança corre, e este não é um grande problema, a ponto de impedir que ela corra outras vezes. Mas o Pinóquio, por exemplo, acaba colocando seus pés na fogueira, por não saber que a madeira de seus sapatos queima.

Por isso, é vital que os adultos estejam sempre de olho e expliquem para a criança como o mundo funciona. Se Gepeto explicasse antes ao boneco que sua madeira estragaria no fogo, é provável que ele não encostasse.

Precisamos lembrar que as crianças não sabem o que nós sabemos, e o adulto precisa dizer mesmo as regras mais básicas.

Pinóquio e Gepeto
Reprodução | Netflix

4. Criação sem respeito

A questão de Gepeto não explicar sobre os efeitos do fogo para Pinóquio entra também no quarto tópico, uma criação sem afeto.

Como Gepeto ainda estava sofrendo pela perda do filho, ele demora muito para se conectar ao boneco de madeira. Por isso, o homem é desrespeitoso com Pinóquio em várias ocasiões, inclusive comparando-o com a outra criança, o que nunca deve ser feito.

Afinal, essas comparações não são saudáveis para as crianças e podem levar à baixa autoestima e problemas de comportamento.

Outro exemplo de criação sem respeito é a do Podesta, policial local, com seu filho Candlewick. Ele força o menino a lutar e não consegue validar seus medos e incertezas, o que faz o menino sentir raiva e tristeza.

Quando não acolhemos as dores de nossas crianças, isso pode querer dizer mais sobre nós do que sobre elas. Por que será que Podesta não podia acolher seu filho?

Qual a moral do filme Pinóquio?

No desenho da Disney, em sua origem, a moral do filme Pinóquio era que contar mentiras gera grandes consequências. Quando Pinóquio mente, ele acaba se metendo em muitas confusões.

Mas, no caso do filme de Guillermo del Toro, a moral muda um pouco. O fato de o nariz do Pinóquio crescer é quase irrelevante para a trama. 

As críticas apontam que, nesta obra, a moral é que não devemos iniciar novas relações com preceitos que temos de relações passadas. É preciso estar de peito aberto e entender as diferenças de cada um.

E você, o que achou da trama? Acredita que ele possa ganhar algum Oscar em 2023? Deixe aqui nos comentários o que achou do filme!

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Equipe Eurekka

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