Análise psicológica de Something in the rain: amor em cores

Equipe Eurekka

Só quem assiste aos dramas coreanos sabe como as histórias são profundas. Isso porque, além do romance impecável, eles também trazem debates importantes sobre vários assuntos. E, hoje, vamos trazer a análise psicológica de Something in the rain, uma narrativa que traz, em grande quantidade, essas duas esferas.

Cheio de simbolismos, discussões relevantes e, é claro, muito amor, esse dorama ganhou um espaço especial no coração das pessoas que o assistiram, e agora é hora de mergulhar novamente nessa história para enxergar tudo através de uma nova perspectiva.

Boa leitura!

Yoon Jin-ah e Seo Joon‑hee
Yoon Jin-ah e Seo Joon‑hee | Reprodução

Resumo do dorama

A história de Something in the rain gira em torno de Yoon Jin-ah, uma mulher de 35 anos, divertida, engraçada e ótima no trabalho. Porém, ela enfrenta duas situações que acabam afetando diversas áreas da sua vida: ainda morar com os pais e estar sempre se desiludindo na vida amorosa. 

Certo dia, ela reencontra o independente Seo Joon‑hee, irmão mais novo de sua melhor amiga. Ele tem 24 anos e é charmoso, bem humorado e gentil. 

Assim, os dois começam a passar tempo juntos e acabam se apaixonando um pelo outro.

Mas, além dos 11 anos de diferença de idade entre os protagonistas, o que acaba sendo um tabu e um empecilho para o romance, os dois não poderiam ser mais diferentes. 

Enquanto Jin-ah se mostra bastante insegura e até mesmo imatura, Joon‑hee é confiante e independente.

Assim, ao longo do k-drama entendemos o que contribuiu para que cada um agisse dessa maneira, as situações difíceis da vida de Jin-ah e suas questões emocionais, a evolução dos personagens e os entraves desse amor avassalador que não foi lá tão bem recebido pela família e amigos.

Análise psicológica de Something in the rain

Agora que você já conheceu ou relembrou a história, vamos à análise psicológica de Something in the rain?

A simbologia nos episódios

Ao longo da história, o k-drama deixa várias pistas espalhadas, a fim de externalizar o sentimento dos personagens e o rumo da história.

E o mais notável de todos é o guarda-chuva, presente não só em Something in the rain, mas em diversos outros dramas, como Pousando no Amor, She Was Pretty, Missing You e Romance is a Bonus Book.

Assim, o primeiro ponto a se ressaltar é que o romance nos doramas se desenvolve de maneira lenta e quase sem contato físico na maior parte do tempo, o que difere muito das produções ocidentais com as quais estamos acostumados.

Então, o fato de estar sob um mesmo guarda-chuva já indica tanto uma proximidade, quanto o ato de se importar e querer proteger o outro, na chuva e na vida. 

Inclusive, na cultura oriental, o guarda-chuva está muito presente. Um exemplo disso, indo da Coreia para o Japão, é Meu Amigo Totoro, dos estúdios Ghibli. 

Nessa animação, Totoro, criatura mística que é como um protetor da natureza e do bem, aparece em mais de uma cena perto de um guarda-chuva. Trazendo a ideia de acolhimento e segurança.

O segundo ponto é que, em Something in The Rain, esse objeto perpassa toda a história, sendo cada um de uma cor diferente e simbolizando uma fase da vida de Jin-ah e Joon‑hee. 

Ou seja, eles são um símbolo não só de proximidade, mas uma pista do que está acontecendo entre os dois e no interior de cada um. 

something in the rain
Jin-ah | Reprodução

As atitudes imaturas de Jin-ah

Desde o primeiro episódio, podemos ver como Jin-ah é uma mulher incrível, mas que tem questões mal resolvidas consigo mesma. Não só por ainda morar com os pais, mas também por ter grandes dificuldades em lidar com suas emoções e se impor nas diversas áreas da vida.

Em grande parte, podemos ver essas atitudes como influência da mãe.

Isso porque Kim Mi-yeon está mais preocupada com um possível casamento vantajoso para a filha do que com o bem-estar e crescimento individual de Jin-ah. Assim, diversas vezes, vemos ela culpando a filha, exigindo demais e querendo que tudo seja de acordo com sua própria vontade.

E esse abuso psicológico da mãe para com a filha pode ser um dos fatores que potencializa a dificuldade de Jin-ah em lidar bem com suas emoções e escolhas. Como quando ela não liga para a polícia ao sofrer agressões do seu ex-namorado ou quando ela não consegue contar para o seu pai sobre seu namoro com Seo Joon‑hee.

Também vemos essa falta de autonomia quando ela faz o que a mãe quer, mesmo que isso a prejudique. Como na vez em que ela vai a um encontro às cegas para agradar a mãe, mesmo estando namorando com Joon-hee.

Além disso, também vemos que Jin-ah, por conta da falta de autoconhecimento e autoestima, aceitava migalhas em seus relacionamentos.

Em diversos diálogos é mostrado como ela estava acostumada a receber o mínimo ou menos que isso, sempre se envolvendo com pessoas que não a valorizavam. Tanto que ela até acha estranho quando recebe um tratamento amoroso de Joon-hee.

Os abusos no trabalho 

Com certeza, uma das coisas mais revoltantes na história é o modo como os chefes de Jin-ah se comportam no trabalho. E isso não poderia deixar de entrar nessa análise psicológica de Something in the rain.

Eles não respeitam as mulheres, se acham superiores e cometem diversos abusos psicológicos e físicos.

Como quando, no primeiro episódio, ela é prejudicada porque seu chefe não autorizou os brindes da franquia a tempo. Assim, ao invés de admitir o erro, ele se livra das provas contra ele e deixa Jian-ah levar a culpa.

Além disso, existem diversas cenas em que os chefes deixam as mulheres desconfortáveis fisicamente, tocando inapropriadamente, pegando comida do prato delas e invadindo o espaço pessoal.

E é triste ver como, no início, elas não conseguem lutar contra isso e acabam aceitando. Isso porque eles agem como se estivessem no direito deles e, por medo de perder o emprego e até mesmo de sofrerem algum tipo de coisa pior, elas tentam disfarçar o incômodo.

Assim, também podemos ver mais uma área da vida de Jian-ah em que ela não conseguia impor limites e aceitava diversos abusos. Como quando interrompe seu almoço para atender um pedido do chefe.

E o interessante é que nós, telespectadores, vemos como ela é uma funcionária incrível e que a empresa desandaria sem ela. Porém, ela mesma não consegue ver isso.

E é justamente essa desvalorização de si mesma que a impede de ver o quanto é valiosa e deve impor limites. O que nos consola é que, com o passar do tempo, ela vai aprendendo a dizer não e a se defender melhor nessas situações.

A diferença de idade entre Yoon Jin‑ah e Seo Joon‑hee

Na Coreia, namorar uma mulher mais velha é um grande tabu. Tanto que em Something in the rain podemos ver as reações negativas das pessoas ao redor do casal. 

Isso até mesmo foi retratado em outros k-dramas, como Romance is a bonus book.

Porém, é interessante ver como o contexto e a história de vida diz muito mais sobre a maturidade do que a idade em si. Isso porque, mesmo Seo Joon‑hee sendo mais novo, ele se mostra muito mais maduro que Yoon Jin‑ah.

O fato de ter perdido a mãe muito cedo e o pai ter abandonado ele e a irmã fez com que Joon‑hee amadurecesse muito rápido, uma vez que ele logo teve que aprender a ser independente.

Além de que no tempo que passou nos Estados Unidos, ele teve a oportunidade conhecer outras culturas e modos de vida, abrindo os olhos para além dos costumes na Coreia, diminuindo o impacto do conservadorismo sobre ele.

Assim, o que dificulta para que ambos fiquem juntos não é a idade em si, mas a cultura local, que não vê o relacionamento com bons olhos, e a dificuldade que Jin-ah tem de lidar com opiniões negativas das pessoas acerca dela. 

De modo que o medo de desagradar, somado com suas outras questões internas, a impede de traçar seu próprio caminho, diferente de Seo Joon‑hee que não colocou empecilhos.

A psicologia das cores

Você sabia que o famoso escritor alemão Goethe se aprofundou em uma pesquisa científica sobre as cores? Pois é, ele foi um dos pioneiros em se debruçar sobre o impacto das cores na percepção das pessoas, além de outras questões, como a formação das cores.

E na Coreia, durante meados da Dinastia Joseon, o oficial Yun Gi escreveu um livro denominado Mumyeongjajip Mungo, no qual ele reflete sobre as mudanças de preferência das cores ao longo dos anos.

Hoje, a psicologia ainda está estudando sobre os efeitos das cores no cérebro. O que se sabe é que há sim uma ligação entre as cores, a percepção e as emoções e sentimentos, porém ainda são necessários mais estudos para que a comprovação certa seja feita.

Por isso, aqui iremos falar da Psicologia das Cores no dorama, mas voltado para o lado visual e contextual da história, e não de modo geral, ok?

Como falamos no tópico acima, um dos maiores simbolismos do dorama é o guarda-chuva e as cores de cada um deles. 

Ao todo são três: um vermelho, um verde e um amarelo. E agora nós vamos explicar como a Psicologia das Cores foi usada para contar uma história através dos guarda-chuvas coloridos.

O guarda-chuva vermelho

Esse é o primeiro e aparece logo no início da trama. Quem o compra é Seo Joon-hee, e isso está longe de ser aleatório.

Joon-hee sempre foi quem esteve certo sobre seus sentimentos em relação a Yoon Jin-ah, sem medo das consequências. Ele é independente, confiante, forte e livre. 

Por isso é que é ele quem compra o guarda-chuva vermelho, uma vez que essa cor é culturalmente ligada à intensidade, paixão e desejo.

E é interessante notar que ele não apenas compra o guarda-chuva, mas leva um tempo para escolher a cor. Além disso, ele também opta por não levar dois, mas apenas um. Ou seja, foi uma decisão racional de se aproximar.

Isso já nos mostra a posição dele de ser a força estável que ficaria ao lado de Jin-ah. Enquanto ela seria a pessoa que ainda teria que assumir uma postura mais forte e que precisaria aprender a lidar com suas próprias questões.

Outro ponto é que o vermelho mostra a paixão do início do relacionamento entre os dois, a fase inicial em que sentimentos intensos são despertados. Sendo que toda essa intensidade leva Joon-He a tomar atitudes impulsivas e descontroladas, como ir até a casa do ex-namorado de Jin-ah e quebrar várias coisas.

análise psicológica das cores em something in the rain
Guarda-chuva vermelho | Reprodução

O guarda-chuva verde

O verde é uma das cores intermediárias — também conhecidas como terciárias. Ou seja, ela é uma junção de uma cor primária e uma secundária. Diferente do vermelho, que é uma cor primária.

A cor verde está muito ligada ao meio-ambiente, ciclos e amadurecimento. E é por isso que quem compra o guarda-chuva dessa cor é Yoon Jin-ah.

Enquanto Joon-hee traz em si o vermelho da paixão, força e segurança, Jin-ah ainda é alguém imatura, que tem dificuldades em se impor a respeito das suas vontades e de enxergar o seu próprio valor.

E, quando ela aparece com o guarda-chuva verde, é justamente na etapa do k-drama em que ela está iniciando o seu processo de autoconhecimento e amadurecimento. 

Uma etapa que tem, inclusive, muito sofrimento, mas que é necessário para que ela cresça e comece a tomar o controle de sua vida. Como quando ela começa a se impor mais no trabalho

Mas é interessante notar como o guarda-chuva vermelho e o verde se movimentam durante a história, simbolizando a relação dos dois e os diferentes papéis e fases que uma pessoa vive dentro de um relacionamento.

Um é tocado pelo outro e o que um vive, o outro também experimenta e acompanha de perto, mostrando como ninguém sai intacto quando se trata de relacionamentos. Sempre um é manchado com a cor do outro. 

E é legal notar que o verde e o vermelho aparecem em toda a história, não só nos guarda-chuvas. Como também nos sinais de trânsito, nos balanços da praça em que eles sentam e outros! Comece a reparar e você os encontrará em vários lugares!

análise psicológica de something in the rain
Guarda-chuva verde de Yoon Jin-ah | Reprodução

O guarda-chuva amarelo

Tenho certeza que você se lembrou de How I Met Your Mother, não é? 

Assim como na sitcom, em Something in The Rain, também temos um final debaixo desse famoso guarda-chuva. Mas, por que amarelo?

Além do guarda-chuva amarelo ser uma ótima forma de representar o otimismo do casal em relação ao futuro, para os orientais essa cor tem uma questão especial a mais.

No oriente, o amarelo era a cor da nobreza, reservada para o imperador e outros cargos importantes. Sendo que, durante muito tempo, pessoas comuns não poderiam sequer usar essa cor.

Por isso, ela é vista por muitos como uma cor sagrada, que significa sabedoria, tradição, preciosidade, dignidade e beleza.

Então, pode-se perceber que terminar o drama com os personagens debaixo de um guarda-chuva amarelo é esplêndido, não é?

Isso significa que, depois de todos os altos e baixos, eles chegaram ao momento da maturidade em que o amor pode florescer de vez. De modo que, mesmo sabendo das dificuldades, eles têm esperanças de dias melhores!

É o momento da plenitude, dignidade e harmonia.

guarda-chuva amarelo
Guarda-chuva amarelo no final | Reprodução

Saiba mais sobre o universo dos doramas

Se você gostou dessa análise psicológica de Something in the Rain, veja aqui a análise de Tudo bem não ser normal!

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Equipe Eurekka

10 replies on “Análise psicológica de Something in the rain: amor em cores”

Meu Deus, já assisti esse Dorama umas 5 vezes e não canso de ver é o meu preferido, que história de amor emocionante…é lindo de se ver e que trilha sonora…apaixonante

Excelente! Nem vou falar muito pra não estragar o momento de “uau” em que me encontro! Maravilhada com o simbolismo das cores!
Gostei muito de “Something…”, assim como gostei de “One spring night”, de mesma direção e com o mesmo protagonista!
OST linda!

Olá, gostei muito da sua análise mais profunda dos personagens e momentos significativos da série.
Achei lindo o amor deles, o crescimento individual dela, foi libertador. Mas confesso que achei a mãe dela assustadora, teve o ex namorado e os homens da empresa, todos muito tóxicos. Amei o final!!

Ei, Juliana!

Fico muito feliz que tenha gostado da análise 💛

E sim, a mãe dela é muito abusiva, né? Chega a dar aflição nos momentos em que ela faz escândalos e força a Jin-ah a fazer o que ela quer.

Ah! E como você gosta de k-dramas, talvez também se interesse por essa análise de Pousando no Amor!
Abraços,

Gabi da Equipe Eurekka

Oi
Maratonei, Something in the rain, amei! E o que falar da trilha sonora? Perfeita, ou seja, “stand by your man”…
Abraço
Ah! E tem uma música com o Bruce Willis, achei tuuudooo.

Ei, Solange!

A trilha sonora é incrível, né? Também amei 💓

Inclusive, fizemos uma análise de outro dorama incrível: Pousando no Amor! Para ler, é só clicar aqui.

Abraços,

Gabi da Equipe Eurekka

Foi muito bom o comentário! Assisti 2 vezes, pois gostei muito!
Os dois atores principais são muito bons! Adoro a atriz Son Ye Jin e também o jovem Jung Hae In.

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