Agorafobia: o que é, sintomas, causas e tratamentos

Cindy Lauper S. de Freitas

A agorafobia é um distúrbio caracterizado por causar muito medo ou ansiedade em uma pessoa quando ela está em determinadas situações ou ambientes.

Popularmente, se fala que a agorafobia é um medo de multidões. Apesar de estar correta, essa descrição não resume todas as situações que causam o medo ou angústia em quem sofre de agorafobia.

Trata-se de um distúrbio é bastante grave e incapacitante para o paciente. Por isso, precisamos ser muito cuidadosos ao lidar com uma pessoa agorafóbica.

Neste post, vamos explicar sobre a agorafobia, quais são os sintomas e os tratamentos disponíveis para combater esse transtorno.

O que é a agorafobia?

agorafobia

A agorafobia é um dos transtornos da ansiedade. Em outras palavras, é um grupo de transtornos caracterizado por reações exacerbadas de medo e angústia frente a determinadas situações ou experiências.

No caso da agorafobia, o transtorno é desencadeado quando a pessoa está em uma situação específica. Por exemplo, uma situação na qual ela acredita não estar no controle ou que ninguém possa ajudá-la.

Quando o agorafóbico se vê em uma dessas situações, ele tem uma resposta exagerada de ansiedade e medo. Essas reações são extremamente intensas e têm um impacto emocional e físico muito forte na pessoa.

Locais e situações comuns de crise de agorafobia

É comum que algumas pessoas tenham algum tipo de ansiedade ou medo de situações específicas, como andar de avião ou ir a festas. A diferença é que quem sofre de agorafobia tem esses sentimentos de maneira muito forte e não consegue controlá-los.

Segundo o DSM V, se uma pessoa apresenta reações muito fortes de medo ou ansiedade em duas ou mais das situações abaixo, ela pode sofrer de agorafobia:

  • Usar transporte público (ônibus, trens, aviões);
  • Permanecer em espaços abertos (parques, estacionamentos, mercados);
  • Ficar em locais fechados (supermercados, lojas, cinemas);
  • Estar em uma fila;
  • Sair de casa sozinho.

Caso você ou alguém que você conheça tenha extrema dificuldade em estar em um ou mais ambientes desses, é preciso procurar ajuda profissional.

Sintomas e consequências da agorafobia

criança com agorafobia

Antes de mais nada, por ser um distúrbio da ansiedade, os sintomas de cada pessoa agorafóbica são extremamente variáveis. Eles podem até variar para a mesma pessoa, frente a diferentes situações.

Em geral, os sintomas acontecem apenas enquanto a pessoa está exposta à situação causadora (p.ex. estar em um espaço aberto). Uma vez que a pessoa esteja fora da situação, em geral, os sintomas vão gradualmente indo embora.

Sintomas psicológicos

Alguns sintomas comuns da agorafobia recebem o nome de “tipo pânico”. Assim, apesar da agorafobia ser um transtorno distinto do transtorno do pânico, a situação que desencadeie a agorafobia pode levar a um ataque de pânico. Mais à frente, vamos fazer uma distinção entre os dois distúrbios.

Independentemente do episódio, os sintomas que sempre devem estar presentes são o medo e/ou a ansiedade. Eles podem ter intensidade variável de acordo com a pessoa ou a situação.

Ainda, podem existir sintomas como desorientação ou medo de estar perdido. Em pessoas mais velhas, pode existir o medo de cair e se machucar.

Sintomas físicos

Além dos sintomas psicológicos, podem ocorrer conjuntamente sintomas físicos durante a situação de estresse na agorafobia.

Esses sintomas também podem ser do “tipo pânico” ou se relacionarem a um quadro de ataque de pânico. Alguns desses sintomas que podem ocorrer são: tonturas, desmaio, vômito e sintomas intestinais.

Esquiva na agorafobia

Muitas vezes, pelo intenso sofrimento gerado nas situações que desencadeiam os sintomas da agorafobia, a pessoa pode começar a se esquivar dessas situações.

Apesar de não ser um sintoma, a esquiva ativa de situação cotidianas é uma das consequências mais graves para a vida de quem sofre de agorafobia.

Quando isso ocorre, o indivíduo deixa de fazer atividades nas quais ele tenha qualquer risco de se expor aos ambientes que lhe dão sintomas de ansiedade ou medo.

Isto é extremamente grave, pois as atividades da pessoa ficam limitadas pela agorafobia, chegando a, em casos extremos, deixar totalmente de sair de casa.

Agorafobia e transtorno do pânico

A agorafobia e transtorno do pânico são distúrbios distintos, porém possuem um sintoma em comum: o ataque de pânico.

O ataque de pânico é um surto extremamente violento que pode ocorrer repentinamente. Nesse surto, a pessoa sente um medo intenso. Além disso, ocorrem vários sintomas físicos de grande desconforto para a pessoa.

Esse tipo de condição pode aparecer em diversos distúrbios mentais, geralmente relacionados a transtorno de ansiedade.

O transtorno do pânico é caracterizado pelo aparecimento desses ataques de maneira recorrente, muitas vezes sem algo que tenha causado o surto. Já na agorafobia o ataque de pânico, quando acontece, é uma resposta a situação de desconforto que a pessoa se encontra.

Muitas vezes, os distúrbios se misturam. Assim, entre 30 a 50% das pessoas com agorafobia relatam ataques de pânico. Também, muitas vezes pacientes com transtorno do pânico mostram indícios de agorafobia.

Causas da agorafobia

Como na maioria dos transtornos mentais, as causas que originam o distúrbio podem vir de múltiplos fatores. A agorafobia, mais do que outras fobias, possui um forte fator genético, que é herdado dos pais.

Além disso, diversos fatores do ambiente, principalmente na criação, podem ter influência no desenvolvimento desse distúrbio. Especificamente eventos muito negativos e/ ou traumáticos, como a morte de familiares próximos ou alguma agressão sofrida na infância.

Questões da própria pessoa também pode ter influência no desenvolvimento da agorafobia, como uma maior sensibilidade à ansiedade ou falta de mecanismos para processá-la.  

Fatores de risco

É muito importante que, uma vez que os sintomas da agorafobia apareçam, o tratamento comece. Como mencionamos antes, a pessoa pode começar a se esquivar de situações do dia-a-dia caso não entenda o transtorno que tem.

Além disso, existe o risco de uso e abuso de substâncias como uma forma de lidar com o medo ou ansiedade causada pelo transtorno.

É preciso cuidar, também, que outros transtornos da ansiedade podem aparecer junto com a agorafobia, piorando o quadro de saúde da pessoa.

Diagnóstico da agorafobia

Algumas vezes o diagnóstico da agorafobia pode ser bastante difícil de se definir. Cada pessoa tem uma maneira de encarar seus sentimentos, podendo ser difícil diferenciar distúrbio de alguma sensibilidade especial.

De maneira geral, o diagnóstico de distúrbio é feito quando a experiência vivida pela pessoa causa grande desconforto para ela. Além disso, impor muitas dificuldades nas atividades do dia-a-dia também é um fator.

A agorafobia se manifesta normalmente no final da adolescência, por volta dos 17 anos, ou início da idade adulta. Além disso, quase dois terços das pessoas tem seu diagnostico antes dos 35 anos.

Não existe nenhum exame físico específico para detectar esse distúrbio. O diagnóstico é feito por um profissional da área da saúde mental através do auto relato do paciente. Os relatos das pessoas próximas à ele também é bem vindo. Junto a isso, pode-se realizar alguns testes para ajudar no diagnóstico.

Tratamento da agorafobia

A agorafobia é uma doença crônica. Isso é, provavelmente a pessoa irá conviver com ela por toda a sua vida. Apesar de existirem casos de remissão completa dos sintomas, esses são raros.

Para conviver com esse transtorno serão necessárias diversas alterações na vida da pessoa, para que ela consiga se manter ativa e inserida na sociedade. Para isso, é fundamental o acompanhamento profissional, seja por psicólogos ou psiquiatras.

Além disso, é necessária uma rede de apoio, que ajude e entenda o transtorno da pessoa. Nessa rede podem estar os pais e familiares em geral, amigos, companheiros, colegas de trabalho e todos que queiram ajudar o paciente.

Em alguns momentos, pode-se usar remédios para diminuir alguns sintomas, porém, por um certo tempo, apenas. Não existem medicamentos específicos para a agorafobia. Por isso, é muito importante que a pessoa crie mecanismos para lidar com as condições impostas pelo transtorno.

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Cindy Lauper S. de Freitas

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