Afasia: O que é, tipos e principais causas

Brenda de Castro Igino

É um fato que o ser humano precisa se comunicar para viver em sociedade, então você já pensou em como seria difícil não conseguir entender ou se expressar com a fala? Bom, essa situação existe e se chama afasia.

E por ser algo que afeta muito a vida de uma pessoa, é importante que você entenda o que é e quais os sinais da afasia.

Então, ao longo do texto, iremos explicar o que é, os sintomas e quais as principais causas. Além disso, vamos falar sobre o diagnóstico, como tratar e se é possível prevenir.

Vamos lá?

O que é afasia?

A afasia é um distúrbio de linguagem que afeta a capacidade de comunicação de uma pessoa.

Isso significa que a fala, leitura, escrita e compreensão podem ser afetadas por esse distúrbio.

Talvez você tenha se lembrado do Cebolinha, que trocava o “R” pelo “L” e esteja se perguntando se esse é um exemplo de afasia.

A situação do Cebolinha se chama dislalia. Quem tem dislalia acha difícil articular a palavra, sendo um problema fonológico. Já o que gera a afasia é uma lesão cerebral, então não é esse o caso do personagem.

Diferença entre afasia e disfasia

Não há diferença. O termo mais correto na gramática seria disfasia, já que o prefixo “a” é de negação. Porém, na prática clínica, ficou comum o uso de afasia para os distúrbios de linguagem, tanto com perda total, quanto parcial.

Tipos de afasia

Podemos classificar as afasias em expressão e recepção, fluente e não fluente, motora e sensitiva. Não há um consenso, então, iremos abordar os 2 grupos principais.

Afasia motora ou de expressão (afasia de Broca)

Esse tipo de afasia é causada por um distúrbio na parte frontal esquerda do cérebro, de modo a incluir a área da broca. E, por essa área da broca ser responsável pela linguagem, pessoas com problemas nessa parte do cérebro têm dificuldade em produzir palavras.

Mas vale lembrar que a capacidade de formar conceitos e compreesão são, de certa forma, preservadas.

Afasia sensorial ou recepção (afasia de Wernicke)

Recebe esse nome por estar próxima da área de Wernicke, que está no giro temporal superior, ligada à fala. A afasia de Wernicke se caracteriza por não compreender o que lhes é dito.

Então, emitem respostas verbais sem sentido. Além disso, também não conseguem compreender gestos.

Apesar de terem uma fala fluente, não conseguem construir mensagens coerentes e nem eles mesmos compreendem o que foi dito.

Sinais e sintomas

A afasia pode envolver:

  • A perda da capacidade de entender palavras escritas (alexia).
  • A perda da capacidade de nomear objetos (anomia). Alguns pacientes podem não conseguir lembrar nem de parte da palavra. Em outros casos, a palavra vem em mente, mas não consegue ser pronunciada. Pacientes com anomia falam de forma fluente, mas usam frases fora de contexto ou dizem o que significam de uma forma não clara. A maioria dos pacientes afásicos possuem anomia associada.
  • Perda de capacidade de repetir palavras, frases ou orações. Os pacientes costumam usar a palavra errada ou combinações de palavras que não fazem sentido.
  • Perda da capacidade de compreensão da fala ou da escrita.

Afasia de Broca

  • Alta de fluência verbal: lentidão e cansaço na expressão, incluindo número reduzido de palavras na fala;
  • Anomia: acha difícil falar os nomes das coisas;
  • Agramatismo: não é capaz de construir frases completas e de forma adequada;
  • Dificuldades de repetição: eles entendem o que você diz, mas não conseguem repetir;
  • Falta de consciência do déficit: Assim como nas afasias fluentes, a pessoa não percebe seus erros e mantém a fala como se ela fosse coerente.

Afasia de Wernicke

  • Acha difícil perceber e entender o discurso dos outros;
  • É incapaz de perceber erros no seu próprio discurso;
  • Perturbações na compreensão auditiva;
  • Discurso fluente e com palavras funcionais, mas que podem ser trocadas por outras, mudadas na estrutura ou inventadas;
  • Discurso com poucos substantivos ou verbos;
  • Leitura e escrita comprometidas;
  • Perturbação da capacidade de nomeação e de repetição

Portanto, na afasia de Broca, a fala é perturbada, mas a compreensão é intacta. Na Afasia de Wernicke, a fala é fluente e a compreensão é pobre.

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Principais causas

Agora que você já sabe o que é e quais os principais tipos, pode estar se perguntando: por que elas ocorrem? Então, confira as principais causas de afasia.

Lesões cerebrais

As lesões cerebrais causam as afasias, sendo o acidente vascular cerebral a principal causa atual de afasias.

Outra causa importante são infecções. Vários agentes infecciosos podem comprometer vasos cerebrais, além de processos inflamatórios que podem culminar com afasias.

Ademais, tumores cerebrais, ou metástases de tumores, tanto do sistema nervoso central quanto de outros lugares do corpo, podem cursar com o distúrbio.

Algumas demências como Alzheimer também podem ser responsáveis por distúrbios de linguagem. Nesses casos, no geral, os sinais são graduais, ou seja, vão surgindo aos poucos.

Além disso, outras causas de lesões cerebrais que podem levar às afasias são: abscessos cerebrais, traumas de crânio, esclerose múltipla.

Por fim, o tamanho da lesão cerebral e o tipo de doença de base determinam o grau de deficiência da linguagem.

diagnóstico de afasia

Diagnóstico de afasia

O diagnóstico é clínico, ou seja, não necessita de exames para realizar o diagnóstico de afasia. No entanto, exames podem ser úteis para descobrir a causa da afasia.

Além disso, o neurologista é o profissional mais habilitado para fazer o diagnóstico e a classificação do distúrbio.

Alguns testes podem ser realizados para identificar déficits específicos que podem estar presentes em casos de afasia:

Fala espontânea

Avaliada por fluência, quantidade de palavras faladas, capacidade de iniciar a fala, presença de erros espontâneos, pausas para encontrar palavras, hesitações e prosódia.

Nomeação

O médio pede que o paciente nomeie objetos. Contudo, quando há dificuldades na nomeação, usam-se circunlocuções. Por exemplo: o que você usa para se proteger da chuva no lugar do guarda-chuva?

Repetição

Solicitam ao paciente que repita frases difíceis do ponto de vista da gramática. Por exemplo “sem se, e ou mas”.

Compreensão

Testa a capacidade de apontar aos objetos que o médico citou e executar comandos com uma etapa e múltiplas etapas. Além disso, consta com perguntas simples e complexas de “sim ou não”.

menino lendo

Leitura e escrita

Solicita a escrita espontânea e leitura em voz alta. Assim, avalia-se a compreensão de leitura, soletração e escrita em resposta a ditados.

Dessa forma, esses testes podem detectar níveis de disfunção mais sutis, ajudar no tratamento e avaliar o potencial de recuperação.

Tratamento

O tratamento visa tratar a causa-base, ou seja, o motivo pelo qual o paciente desenvolveu o distúrbio. Portanto, varia de acordo com a causa.

Fonoaudiologia:

A fonoaudiologia tem papel importante no tratamento. Por isso, todos os pacientes com afasia deveriam passar por um fonoaudiólogo. Uma vez que ele usa instrumentos adequados tanto para casos leves quanto para casos mais graves.

Instrumentos computadorizados:

Em alguns casos, pode ser necessário o uso de instrumentos computadorizados.

Entre eles podemos citar os sintetizadores de voz. Eles produzem de forma artificial a fala humana. Ademais, este dispositivo se implementa através de software e hardware. O físico Stephen Hawking usava esse sistema para se comunicar.

A eficácia do tratamento vai depender da extensão e gravidade da lesão. Além disso, depende também de tratar a causa- base.

O apoio familiar é vital nesse momento. Por fim, acompanhamento psicológico também pode ser necessário para esses pacientes.

Prevenção

As afasias são passíveis de prevenção?

Como explicamos antes, as afasias têm como causa as lesões cerebrais, que, por sua vez, têm inúmeras causas.

Além disso, falar em prevenção para um distúrbio tão complexo não é algo tão simples na prática. Por isso, a prevenção pode ser feita para algumas das causas, como o AVC, que é uma das principais causas.

Nesse caso, o controle da pressão arterial, diabetes mellitus, colesterol, obesidade, sedentarismo e do tabagismo seriam formas de prevenir AVCs e, portanto, prevenir a afasia.

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